O óleo de soja é o principal insumo para a produção de biodiesel, o que torna a commodity especialmente sensível às oscilações do petróleo. Quando os preços do petróleo sobem, os biocombustíveis tendem a se tornar mais competitivos, elevando a demanda por óleos vegetais.
A soja também chegou ao maior preço em mais de dois anos após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Os contratos negociados em Chicago chegaram a subir até 3,9%, antes de perder parte dos ganhos, mas ainda caminham para a sexta alta consecutiva.
Outras commodities agrícolas acompanharam o movimento. O açúcar branco atingiu o maior nível em um mês, enquanto outros óleos vegetais, como palma e canola, também avançaram.
Efeito cascata
A alta do petróleo costuma tornar combustíveis alternativos, como o biodiesel, mais competitivos, elevando a demanda por óleos vegetais e por etanol produzido a partir de milho ou cana-de-açúcar. O petróleo chegou a registrar sua maior alta em quatro anos antes de reduzir parte dos ganhos.
“O mercado de óleos vegetais, incluindo o óleo de soja, ganhou impulso com a força recente do petróleo”, disse Matt Darragh, analista de grãos e oleaginosas da Kpler.
O óleo de palma de referência negociado em Kuala Lumpur subiu até 2,7%, enquanto a canola negociada em Paris atingiu o maior nível em mais de seis meses. O conflito também elevou preocupações com possíveis interrupções prolongadas no transporte pelo estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia.
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“Navios com destino ao Oriente Médio estão evitando essas rotas ou exigindo fretes mais altos, o que pode elevar os preços dos óleos vegetais nos países do Golfo e alterar os fluxos comerciais”, disse Mayur Toshniwal, presidente e chefe de trading da Emami Agrotech.
No mercado de açúcar, os contratos de açúcar bruto voltaram a subir em Nova York, já que preços mais altos do petróleo tendem a levar usinas do Brasil — maior produtor mundial — a direcionar mais cana para a produção de etanol em detrimento do açúcar.
O açúcar branco chegou a subir 3,3% em Londres, para US$ 421 por tonelada, o maior nível em quase um mês. “Temos refinarias de açúcar na região que podem não conseguir importar açúcar bruto nem exportar açúcar refinado”, disse Claudiu Covrig, analista-chefe da Covrig Analytics.