Sete países, liderados por Arábia Saudita e Rússia, adicionarão 188 mil barris por dia no próximo mês, segundo comunicado da OPEP divulgado após videoconferência neste domingo. O pequeno incremento já era esperado por delegados antes da saída dos EAU.
Na prática, contudo, a retomada desses barris dependerá da reabertura do Estreito de Ormuz e da restauração da produção atualmente paralisada.
Ao mesmo tempo, os Emirados Árabes lembraram ao mundo suas ambições de elevar a produção, um antigo ponto de atrito em sua participação na OPEP.
A Adnoc, estatal petrolífera do país, anunciou planos para acelerar um projeto de crescimento com 200 bilhões de dirhams (US$ 55 bilhões) em contratos que abrangem operações de upstream e downstream. O montante faz parte de um programa mais amplo já anunciado anteriormente.
A saída dos EAU, que pegou de surpresa os outros membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus parceiros, deve enfraquecer ainda mais a capacidade do grupo de influenciar os preços do petróleo — influência que já vinha minguando devido aos anos de alta na oferta de rivais, incluindo o shale oil (óleo de xisto) dos EUA. O comunicado oficial da OPEP não fez qualquer menção aos Emirados Árabes.
Formalmente, a OPEP+ segue com o processo de restauração da produção interrompida anos atrás, que já estava em curso antes do início da guerra. O grupo tenta se adaptar à perda inesperada de um membro de décadas; os EAU anunciaram a saída em 28 de abril e deixaram o grupo oficialmente em 1º de maio.
“A OPEP+ está tentando manter a compostura”, avalia Jorge Leon, chefe de análise geopolítica da Rystad Energy e ex-membro do secretariado da OPEP. “Ao manter a mesma trajetória de produção — apenas sem os EAU —, o grupo age como se nada tivesse acontecido, minimizando deliberadamente as fraturas internas para projetar estabilidade.”
Movimento Simbólico
Assim como o aumento agendado para maio, a decisão da OPEP é amplamente simbólica. As nações do Oriente Médio não conseguirão implementar o acréscimo a menos que o Estreito de Ormuz — bloqueado pelo conflito entre EUA/Israel e Irã — seja reaberto e as exportações do Golfo Pérsico retomadas.
A partida dos Emirados Árabes foi o ápice de anos de tensão entre Abu Dhabi e a Arábia Saudita, líder de fato da OPEP, tanto pela política petrolífera quanto pela disputa por influência regional. Na semana passada, os EAU afirmaram que a guerra com o Irã criou uma oportunidade para sua saída sem gerar uma volatilidade significativa no mercado.
Embora o desembarque não tenha impacto imediato na oferta atual, ele significa que os Emirados Árabes poderão elevar a produção com a rapidez que desejarem assim que a via marítima for liberada, livres das amarras das cotas da OPEP. O movimento pode preparar o terreno para futuras guerras de preços.
A próxima reunião da OPEP+ está marcada para 7 de junho.