Membros importantes do cartel liderado pela Arábia Saudita confirmaram a pausa de três meses no aumento da oferta – anunciada pela primeira vez no começo deste mês – durante uma videoconferência neste domingo, após uma série de reuniões com a aliança ampliada.
Em comunicado, o grupo reiterou que a decisão reflete suas expectativas para condições de mercado mais fracas.
Os membros da Opep+ também concordaram em manter inalteradas, no próximo ano, as cotas de produção do grupo como um todo e aprovaram um mecanismo para uma próxima revisão das capacidades individuais de bombeio de petróleo, informou o grupo em nota separada. A revisão deve ajudar a definir as cotas de produção em 2027.
Embora a pausa nas elevações de produção indique alguma cautela por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus parceiros, depois de terem retomado rapidamente a oferta mais cedo neste ano, a decisão ainda deixa o mercado mundial no caminho de um excedente significativo no início de 2026, o que provavelmente colocará mais pressão sobre os preços.
“A Opep+ optou por segurar o gatilho e manter a estratégia atual”, disse Jorge Leon, analista da consultoria Rystad Energy AS. “A mensagem do grupo foi clara: estabilidade pesa mais do que ambição em um momento em que as perspectivas para o mercado estão se deteriorando rapidamente.”
Os barril acumila queda de 15% neste ano, perto de US$ 63, à medida que a oferta crescente nas Américas, somada ao aumento da Opep+, supera o crescimento da demanda. A Agência Internacional de Energia (AIE), em Paris, prevê um recorde de excesso de oferta em 2026, enquanto Goldman Sachs e JPMorgan projetam novas quedas para os preços futuros.
Congelar a produção por três meses dá algum tempo à Opep+ para avaliar riscos geopolíticos mais intensos ao fornecimento por parte de seus membros, bem como as novas tentativas de pôr fim à guerra na Ucrânia.
O presidente Donald Trump aumentou as tensões com a Venezuela no sábado ao advertir que as companhias aéreas devem considerar o espaço aéreo do país como fechado, enquanto seu governo continua a reprimir o tráfico de drogas.
A queda do petróleo ocorre em meio aos repetidos apelos de Trump por preços mais baixos de combustíveis, diante da preocupação dos eleitores com o custo de vida. O presidente recebeu calorosamente o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman na Casa Branca no início deste mês, e seu governo aprovou a compra, pelo reino, de caças F-35 e chips de inteligência artificial.
Oito países-chave da Opep+ surpreenderam os operadores de petróleo em abril, quando começaram a acelerar a retomada da produção interrompida desde 2023. Autoridades descreveram o movimento como uma tentativa de Riad de recuperar participação de mercado cedida a rivais como os produtores de xisto dos EUA e punir membros da própria Opep+ que haviam desrespeitado suas cotas.
Embora os sauditas tenham conseguido reconquistar parte dessa fatia de mercado, a queda subsequente dos preços trouxe desafios financeiros ao reino, ampliando o déficit orçamentário e forçando a redução de alguns projetos econômicos emblemáticos. A situação também pressiona produtores fora da Opep+, como as empresas de xisto norte-americanas.
A Opep+ já reverteu cerca de 70% de duas camadas de cortes de produção implementados em 2023 — pelo menos no papel —, restando ainda cerca de 1,1 milhão de barris por dia para retornar ao mercado (o equivalente a um terço da produção brasileira). Os aumentos efetivos têm sido menores que os volumes anunciados, já que alguns países compensam excessos de produção anteriores e outros enfrentam dificuldades físicas para elevar o bombeio.
Essas dificuldades estão no centro da revisão de longo prazo da capacidade de produção dos membros do grupo, anunciada pela primeira vez em maio.
Alguns países buscam o reconhecimento de nova capacidade instalada, enquanto outros não conseguem produzir tudo o que está autorizado. Esclarecer a capacidade plena ajudaria a alinhar as cotas mais de perto com a realidade — e tornaria quaisquer cortes futuros mais críveis.
Por Salma El Wardany, Grant Smith, Fiona MacDonald e Ben Bartenstein