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Economia

Legacy: ‘País não quebrará, mas teremos o dobro da dívida/PIB do México’

Em evento sobre os 100 dias do governo Lula, gestores da Legacy Capital, Genoa e EQI Asset falam sobre arcabouço fiscal e impactos no mercado.

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Em evento para discutir o impacto dos 100 dias do governo Lula nesta quinta-feira (27), Ricardo Cará, da EQI Asset, André Raduan, fundador da Genoa Capital e Gustavo Pessoa, da Legacy Capital, teceram críticas sobre o novo arcabouço fiscal e seus efeitos na economia.

“O DNA do governo é de mais gastos e de mais intervenção econômica. O arcabouço está longe de ser maravilhoso, nas nossas contas não estabiliza a dívida/PIB e é pautado em aumento de impostos. Logo, ele força o governo a encontrar novas fontes de recursos”, apontou André Raduan.

Agentes econômicos seguem desconfiados em relação à proposta, uma vez que não se sabe como o governo vai fazer para fechar as contas e cumprir com as metas estabelecidas pelo resultado primário, conforme indicado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele acredita ser possível arrecadar algo entre R$ 110 a R$ 150 bilhões.

Evento Money Week
Ricardo Cará (EQI ASSET), André Raduan (Genoa Capital) e Gustavo Pessoa (Legacy Capital)

Para Raduan, o governo até pode conseguir um déficit um pouco menor do que o mercado está imaginando, mas não acha ser possível gerar o montante esperado por Haddad.

Já a interpretação da Legacy Capital é mais pessimista, uma vez que o entendimento da gestora é de que em nenhum momento o arcabouço estabiliza a dívida do governo, que está em 73% do PIB, segundo Gustavo Pessoa, e que deve ir até 85% até o final do governo Lula.

“O país não vai quebrar, mas no final do governo, provavelmente teremos o dobro da dívida PIB do México, ou próximo disso”.

Gustavo Pessoa, legacy capital

Em 2022, a dívida do governo mexicano ficou em 41,6% do seu PIB, segundo o CEIC Data. No ano anterior, a relação dívida-PIB do país era de 47,4%.

Segundo o gestor da Legacy, o governo brasileiro gasta muito com pessoas, a exemplo de programas sociais, como Bolsa Família, mas a cobrança por isso está sobre empresas e os mais ricos. “E como operamos ativos ligados a empresas, não estamos otimistas com bolsa brasileira”.

Para Ricardo Cará, há um risco de execução na proposta do arcabouço, apesar de ele ser bom para não explodir a dívida do governo em curto prazo. “O governo precisa definir uma meta de superavit fiscal e cumprir. Mas do jeito que está hoje, não há garantia que o governo vá seguir a meta”.

Meta da inflação

Havia um pessimismo entre os gestores da Legacy no começo da gestão petista, uma vez que o entendimento era de um fiscal expansionista com muitos gastos, além de começar a se discutir um potencial aumento de meta para a inflação para 4% (hoje está em 3,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo).

Segundo Pessoa, não há casos no mundo em que há aumento de meta para a inflação sem subir conjuntamente os juros.

“Felizmente temos um Banco Central independente, porque senão estaria caindo os juros agora, e uma coisa que mais contamina a inflação é a expectativa”, disse.

Raduan complementou que os constantes ataques do presidente Lula contra a meta até poderiam ser compreendidos uma vez que esta estava muito baixa em um momento em que o país não estava atingindo o alvo. “Mas não era momento dele fazer estes ataques”, reiterou.

Mercados

Segundo o gestor da Legacy, basta o Banco Central continuar com o juros no atual patamar que estará pressionando a inflação a cair. Ele observou que esse movimento pode ser visto em outros países.

“Então teremos inflação caindo, com juro parado em nível alto e isso significa maior juro real. E fazendo uma análise dos países mais sensíveis, temos EUA, Nova Zelândia, Brasil e México – sendo todos estes onde aplicamos juros nas nossas carteiras”.

GUSTAVO PESSOA, DA LEGACY CAPITAL

A Genoa compartilha da mesma estratégia, com posições em mercado de juros aplicado e comprados em bolsas emergentes, incluindo a brasileira. Já quanto à bolsa americana, a gestora segue vendida.

Apesar de toda a crítica às medidas descritas no novo arcabouço, os gestores seguem apostando em uma queda de juros no segundo semestre, o que deve beneficiar a bolsa brasileira.

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