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Economia

Taxa Selic sobe para 2,75%, no primeiro aumento em 6 anos

Decisão surpreendeu as expectativas do mercado, que esperava um aumento menor.

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Banco Central
Prédio do Banco Central em Brasília. REUTERS/Adriano Machado

O Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu o mercado ao anunciar nesta quarta-feira (17) um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros da economia, a Selic, que passa, portanto, para 2,75% ao ano. Foi o primeiro aumento em 6 anos. A decisão foi unânime.

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O anúncio surpreendeu o mercado, que previa em sua maior parte um aumento de 0,5 ponto percentual da Selic, em meio a fatores como a persistência da inflação e o dólar elevado.

Segundo o comunicado do BC, “as expectativas de inflação passaram a se situar acima da meta”. No entanto, o órgão ressaltou que o agravamento da pandemia da covid-19 pode levar a inflação abaixo do patamar esperado pelo mercado.

O Copom sinalizou que deve manter o ritmo do corte em sua próxima reunião. “Para a próxima reunião, a menos de uma mudança significativa nas projeções de inflação ou no balanço de riscos, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude”.

Ainda segundo o BC, essa visão para a próxima reunião continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, e das projeções e expectativas de inflação.

“O Comitê considerou o risco de uma inflação acima do teto da meta em 2021 real e que poderia prejudicar a inflação de 2022. Mesmo com o risco para atividade com um possível aumento das restrições por causa do Covid considerou ideal um aumento de forma mais célere, acreditando que a velocidade será importante para conter os principais fatores inflacionários e já deixou contratada para próxima reunião um novo aumento de 0,75″, escreveu em nota Flávio Aragão, sócio da 051 Capital.

Em sua visão, a decisão parece acertada, visto que, segundo ele, o impacto dos itens dolarizados na inflação tem sido relevante e aumentos mais acelerados podem gerar uma valorização do real e tirar pressão dos itens mais impactados pela moeda.

Cenário

Segundo Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, “todos os indicadores de inflação têm superado as expectativas dos analistas”. “Um dos problemas fundamentais foi a insistência em uma política de juros excessivamente frouxa, longe dos fundamentos primordiais da economia brasileira, ainda mais inseridos num contexto pandêmico altamente controverso, o que levou o capital externo a nos preterir por parceiros menos instáveis entre nossos pares, com consequências nítidas no câmbio”, disse em relatório mais cedo.

O estrategista-chefe da Levante, Rafael Bevilacqua, também comenta os efeitos da permanência da Selic em patamares baixos. Em relatório mais cedo, ele afirmou que a alta de juros anunciada agora “vai representar uma mudança na política monetária dos últimos anos, que passou de apertada a frouxa, e de frouxa a “estimulativa” (para usar o jargão dos comentários e atas do Copom) de maneira a reduzir o custo da dívida pública e estimular a economia. O exagero no estímulo por muito tempo pressionou os preços e pode acabar com a ancoragem das expectativas”.

“É razoável supor que os juros comecem a subir para conter a inflação e permaneçam subindo por um período mais longo, apesar de ser improvável que as taxas retornem aos 14,5% ao ano de meados de 2015”, avalia Bevilacqua.

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