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Finanças

Ibovespa fecha nos 118 mil pontos e dólar sobe, com temores fiscais

O principal índice da B3 recuou 1,1%, e o dólar comercial terminou o dia negociado a R$ 5,364.

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Karina Trevizan *
bolsa de valores

As preocupações em relação ao problema fiscal no Brasil motivaram uma virada no mercado financeiro nesta quinta-feira (21). A bolsa de valores, que abriu os negócios em alta, passou a cair e fechou no vermelho, enquanto o dólar também mudou de sentido e encerrou o dia em alta em relação ao real.

O principal índice da B3, o Ibovespa, recuou 1,1%, a 118.328,99 pontos. Foi o terceiro pregão seguido de baixa, com o índice anulando a alta no ano. Até agora, a queda acumulada no ano é de 0,58%. Já o dólar comercial terminou o dia negociado a R$ 5,364, subindo 0,99%. Em 2021, a moeda norte-americana já subiu 3,38% sobre o real.

As preocupações aumentaram em meio a declarações do candidato à presidência do Senado Federal Rodrigo Pacheco (DEM-MG) de que haverá discussão sobre nova ajuda a famílias na primeira semana do novo comando do Congresso e de que será preciso sacrifício de premissas econômicas para manter o socorro. Pacheco é apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Além disso, o agravamento da pandemia em meio à percepção de desorganização no governo tem tido efeitos sobre a popularidade do presidente Bolsonaro, alimentando temores no mercado de criação de mais despesas – o que ameaçaria o teto de gastos, visto pelo mercado como âncora fiscal do país.

“O descalabro fiscal custa mais no curto e longo prazo do que uma perspectiva, já precificada, de menor crescimento no início do ano com a retirada do auxílio, sendo que a vacina pode criar uma perspectiva mais positiva ao fim do ano”, comentou o economista-chefe da Infinity Asset , Jason Vieira, ao InvestNews.

“Sem dúvidas, o auxílio emergencial em curto prazo é uma solução ótima para as empresas e atividade, mas no longo prazo a continuidade do déficit público deve pressionar a curva de juros longa, aumentando o custo de capital do investidor e reduzindo o valuation das empresas”, avalia Flávio Aragão, sócio da 051 Capital.

“Isso afasta os investidores estrangeiros do mercado, desestimula as empresas a fazerem investimentos, o que gera um ciclo péssimo para o desenvolvimento econômico no longo prazo. Então, na prática, o mercado vê o auxílio como uma solução de curto prazo que pode causar um dano profundo no longo prazo”, afirmou Aragão ao InvestNews.

O analista José Falcão, da Easynvest, comenta que “as contas públicas não aguentam mais”. “Não adianta um respiro de 6 meses para morrer afogado depois. O país perde credibilidade, não consegue tomar dívida – o que pode pressionar os juros e o câmbio. Juros alto e estagnação geram um problema estrutural muito maior.”

Juros

O mercado também reagiu à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 2% ao ano. No comunicado divulgado no dia anterior, o BC retirou de seu comunicado o “forward guidance” (orientação futura) adotado em agosto, gerando expectativa de alta dos juros nas próximas decisões.

Com o forward guidance, o Copom tinha se comprometido a não elevar os juros até que as expectativas e projeções de inflação se aproximassem das metas no horizonte considerado relevante para a política monetária (até 2022) e contanto que o governo mantivesse seu regime fiscal.

Destaques da bolsa

Entre as maiores baixas do dia, a os papéis da Eletrobras (ELET6 e ELET3) caíram 6,15% e 5,15%, respectivamente. O senador Rodrigo Pacheco, candidato à presidência do Senado, não colocou a privatização da elétrica entre os projetos prioritários na Casa.

Eztec (EZTC3) caiu 5,64%, com o setor de construção como um todo no vermelho, após o BC mudar sinalização e abrir espaço para aumento na taxa básica de juros. Cyrela (CYRE3) cedeu 5,35% e o índice do setor recuou 2,97%.

Já entre os destaques e alta, Copel (CPLE6) subiu 1,77%, descolando do setor elétrico, após a estatal paranaense aprovar nova política de dividendos, a fim de aumentar a remuneração a acionistas e tornar a distribuição de proventos mais previsível.

Bolsas globais

Em Wall Street, os índices S&P 500 e Nasdaq encerraram em máximas recordes nesta quinta, impulsionados pelo otimismo com a perspectiva de mais medidas de alívio à pandemia no governo de Joe Biden.

  • Dow Jones recuou 0,04%, aos 31.176,01 pontos
  • S&P 500 fechou em alta de 0,02%, aos 3.853,08 pontos
  • Nasdaq valorizou-se 0,55%, aos 13.530,92 pontos

As ações europeias perderam força no fechamento do pregão desta quinta, sob o peso das ações do petróleo e do setor imobiliário, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) manteve sua política monetária, mas alertou que um aumento nas infecções pela covid-19 representavam um risco para a recuperação da zona do euro. O índice pan-europeu STOXX 600 encerrou estável, depois de chegar a subir até 0,8% no início da sessão. 

  • Em LONDRES, o índice Financial Times recuou 0,37%, a 6.715 pontos.
  • Em FRANKFURT, o índice DAX caiu 0,11%, a 13.906 pontos.
  • Em PARIS, o índice CAC-40 perdeu 0,67%, a 5.590 pontos.
  • Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de 0,98%, a 22.428 pontos.
  • Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou baixa de 1,00%, a 8.122 pontos.
  • Em LISBOA, o índice PSI20 desvalorizou-se 0,28%, a 5.055 pontos.

O mercado acionário da China fechou em alta nesta quinta, em linha com outros mercados asiáticos diante das expectativas de mais estímulo do governo Joe Biden nos Estados Unidos. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, subiu 1,62%.

  • Em TÓQUIO, o índice Nikkei avançou 0,82%, a 28.756 pontos.
  • Em HONG KONG, o índice HANG SENG caiu 0,12%, a 29.927 pontos.
  • Em XANGAI, o índice SSEC ganhou 1,07%, a 3.621 pontos.
  • Em SEUL, o índice KOSPI teve valorização de 1,49%, a 3.160 pontos.
  • Em TAIWAN, o índice TAIEX registrou alta de 2,20%, a 16.153 pontos.
  • Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES valorizou-se 0,61%, a 3.017 pontos.
  • Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 avançou 0,79%, a 6.823 pontos.

(* com Reuters)

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