Mega IPOs como os planejados por SpaceX e OpenAI ameaçam elevar o peso das empresas de tecnologia nos índices acionários a níveis de concentração superiores aos observados em bolhas de mercado, segundo o estrategista do Bank of America, Michael Hartnett.

A SpaceX, de Elon Musk, delineou planos para a maior oferta pública inicial do mundo, enquanto a OpenAI, criadora do ChatGPT, busca chegar ao mercado antes da rival Anthropic. As gigantescas vendas de ações alimentariam ainda mais o otimismo em torno de tecnologia e inteligência artificial, que já impulsiona um dos ralis mais mais estreitos em décadas.

“Forte desempenho dos preços, euforia de varejo, volatilidade em queda… um cenário típico de bolha”, escreveu Hartnett em relatório. “Some mega IPOs aos gigantes da IA e a concentração de mercado facilmente supera (~48%) as bolhas dos anos 1920, da Nifty 50 nos anos 1970, do Japão nos anos 1980 e de TMT nos anos 1990.”

O setor de tecnologia já responde por mais de 44% do índice S&P 500. Uma concentração ainda maior tende a ampliar os desafios para gestores de alocação de ativos, impedidos por restrições de gestão de risco, de acompanhar integralmente esses pesos em suas carteiras.

Índices acionários fortemente inclinados para o setor de tecnologia em ascensão, também carregam o risco de mascarar fragilidades em segmentos diretamente ligados à economia, como consumo e ações do setor financeiro.

Ao revisar algumas grandes ofertas públicas iniciais do passado, Hartnett afirmou que estreias como as da Saudi Aramco e da Meta, anteriormente conhecida como Facebook, tiveram impacto irrelevante para o mercado acionário mais amplo. Em alguns casos, os mercados estavam em queda entre nove e 12 meses após ofertas “próximo do pico”, como as da Visa e da AIA Group.

Uma disparada nos rendimentos dos títulos públicos é o que costuma encerrar ciclos de boom e bolhas, segundo Hartnett, que acertou ao prever no ano passado o desempenho superior das ações internacionais e cuja visão otimista para commodities se mostrou correta. O estrategista apontou dois ETFs da State Street como indicadores paralelos de como como yields estavam influenciando as ações.

Uma queda para US$ 120 no ETF de empresas de biotecnologia, normalmente vistas como especulativas, indicaria que os rendimentos dos títulos têm continuado a disparar. Já se o ETF que acompanha ações do varejo subir para US$ 85, isso sugeriria que o choque relacionado aos títulos foi adiado, disse Hartnett.

O otimismo se aproximou de níveis extremos, acionando um sinal de venda para ações, disse Hartnett. A pesquisa do BofA com gestores de fundos, publicada no início desta semana, mostrou que os investidores elevaram suas alocações em ações no maior nível já registrado para um único mês, levando o estrategista a reiterar o alerta de que as ações parecem preparadas para uma correção.

“O consenso está extremamente otimista em relação a posicionamento e lucros, além de os rendimentos estarem rompendo para cima, o que sugere alguma realização de lucros neste momento”, disse em sua nota mais recente. “Mas ninguém vai reduzir posições compradas em ações antes de IPOs históricos, e um aperto mais forte de política monetária virá depois que o CPI atingir entre 4% e 5% nos próximos meses.”