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Finanças

Opção de Copom: já pensou em poder apostar as variações da Selic?

B3 lança opção no formato ‘cash or nothing’, que oferece prêmio elevado com alto risco; entenda.

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por

Katherine Rivas

Nesta segunda-feira (25), a B3 anunciou um novo produto. É o contrato de opção de Copom, que já está disponível na plataforma de negociação eletrônica. O produto permite negociar a variação da taxa Selic decidida em cada reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Nesta nova modalidade, o investidor ganha somente se acertar a decisão do Copom sobre a Selic. Antes das reuniões aconteceram, o mercado já começa a prever e surgem diversas informações sobre possíveis cortes na taxa de juros, que podem ser de 0,5%, 0,75%, entre outros.

A Selic é a taxa básica de juros e um elemento essencial para a economia. Ela determina a demanda por crédito prefixado e pós-fixado, assim como a rentabilidade de alguns investimentos, especialmente os de renda fixa. A taxa Selic atual é de 3% ao ano. Segundo o boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda (25), a projeção da Selic para 2020 é de 2,25%. Para 2021, as projeções do mercado apontam 3,29%.

A Selic é definida periodicamente pelo Copom, com o objetivo de manter as metas do governo para a inflação. São 8 reuniões no ano, realizadas a cada 45 dias, para definir a Selic ideal. Em 2020, já aconteceram três reuniões. Na última, o Copom cortou a Selic em 0,75 ponto percentual (pp), para 3% ao ano.

A próxima reunião está marcada para os dias 16 e 17 de junho. Ainda nesta segunda, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central afirmou, em reunião com cooperativas, que avalia fazer um último ajuste para a Selic. E garantiu que o corte não será superior ao anterior (0,75 pp).

 Como funciona?

Marcos Skistymas, superintendente de juros e moedas da B3, explica que o novo produto surge pela demanda do mercado. “Atenta aos impactos das decisões de política monetária, a B3 acrescentou ao portfólio de produtos este derivativo inovador no mercado de juros”.

Para quem está interessado no produto, o primeiro passo é ter claro como funcionam os contratos de opção. Quando se fala em opções, estamos falando do mercado futuro: uma aposta de um cenário que pode ocorrer lá na frente. A compra de uma opção pode ocorrer por uma questão especulativa, ou também à procura de proteção, mais conhecida como hedge.

“Suponhamos que um hospital quer importar uma máquina que custa em dólar, e o pagamento precisa ser efetuado em dólar, mas as receitas do hospital são em reais. O hospital fica com medo do dólar aumentar, então é feita uma aposta: se o dólar no dia 20 de junho estiver a R$ 6, o hospital vai pagar esse valor. Se o dólar estiver R$ 8 permanecerá pagando R$ 6, porque realizou a proteção”, exemplifica Luciana Ikedo, assessora de investimentos e sócio-fundadora do escritório Ikedo investimentos.

Luciana acrescenta que quanto maior a probabilidade de um evento ocorrer, menor é o prêmio e vice-versa. “Outro exemplo de opção seria um exportador, que tem toda a receita em dólar, e tem medo que uma queda da moeda americana atrapalhe as receitas. Por isso decide travar o preço na alta e faz uma proteção de dólar, para negociar com a taxa daquele dia”, acrecenta.

Opções também são produtos de alto risco, muito comuns quando o assunto é questões cambiais no mercado futuro. “Estas garantem o direito de compra (call option) e o direito de venda (put option). O investidor tem o direito tanto de vender como de comprar, mas só vale a pena quando puxa para o seu lado da aposta”, explica Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset.

Ainda é importante citar que existem dois tipos de opções: americanas e europeias. As opções americanas podem ser liquidadas a qualquer momento, entre a data da compra e a do vencimento. As opção europeias podem ser liquidadas apenas na data do vencimento. “Quanto maior a probabilidade da aposta acontecer menor o lucro. É feito um cálculo que considera a probabilidade do evento ocorrer e a quantidade de contratos negociados e o valor de cada ponto”, afirma Luciana.

A opção de Copom é do tipo europeia, que só pode ser liquidada no dia do vencimento, que é um dia após a reunião do Copom.

Opção de Copom

Segundo Skistymas, da B3, o opção de Copom permite a negociação independente para cada decisão sobre a Selic, ampliando o leque de estratégias.

O prêmio negociado por cada contrato de opção pode mudar na escala de 0 a 100 pontos. Cada ponto vale R$ 100 e cada strike (preço de exercício), representa uma possível variação da Selic.

O pagamento ocorre no estilo cash or nothing, que significa tudo ou nada. Por exemplo, um investidor pode apostar R$ 4 mil em que a Selic vai permanecer no mesmo patamar atual (3%). Do outro lado, outra pessoa pode apostar que vai subir e outra que vai cair.

Se a aposta se concretizar, o investidor ganha a diferença do prêmio. Caso este seja de 100 pontos (R$ 10 mil), o investidor receberá a diferença (R$ 10 mil – R$ 4mil), totalizando R$ 6 mil. Mas se a aposta estiver errada, o investidor vai perder tudo o dinheiro, situação conhecida no mercado de opções como “virar pó”.

O lucro muda com o risco da aposta. Por exemplo, se alguém aposta que a Selic vai subir para 3,25%, uma situação pouco provável, e acerta, terá um ganho alto. Mas, se isso não ocorrer, pode perder tudo.

Para Luciana Ikedo, a opção de Copom é mais uma oportunidade de investimento, porém de alto risco. “Opções são derivativos, que no grau de risco estão na liderança”, afirma. Pablo Spyer acredita que a alternativa é interessante, porque não existia no Brasil e muitos investidores já a procuravam no exterior, fazendo negociações paralelas. “É uma operação binária, ou ganha ou perde, e a vantagem vai depender de quanto você vai pagar. Tem que ficar de olho nas probabilidades implícitas na curva de juros”, comenta Spyer.

Alguns analistas enxergam perigo na proposta, pelo alto custo das opções no Brasil e a baixa liquidez que oferecem. A alternativa que já está disponível lembra muitos investidores das jogadas em um cassino, onde você leva o prêmio ou perde tudo.

Veja outras características:

  • Ticker: CPM
  • Estilo: Europeu
  • Tamanho do Contrato: 100 pontos
  • Lote Padrão: 1 contrato
  • Valor do Ponto: R$ 100,00
  • Vencimento: Dia útil subsequente à data de término da reunião do Copom
  • Último Dia de Negociação: Dia útil anterior ao vencimento

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