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Finanças

Qual a importância da diversificação de investimentos?

A estratégia de diversificação de investimentos ajuda a proteger a carteira contra oscilações do mercado financeiro.

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Por melhor que seja um ativo, todo investimento possui riscos. É impossível prever com exatidão as mudanças do mercado, problemas de gestão, crises econômicas entre outros fatores que podem influenciar na rentabilidade de uma aplicação. 

Contudo, é possível gerenciar esse risco, evitando apostar grande volume de capital em uma única aplicação e distribuindo em tipos de investimentos diferentes. 

Veja abaixo perguntas e respostas para entender mais sobre a diversificação de carteira e como fazer na prática.

O que é diversificação de investimentos?

Diversificação de investimentos é a estratégia de distribuir dinheiro entre ativos de diferentes tipos e segmentos. É a clássica ideia de não colocar todos os ovos na mesma cesta.

Harry Markowitz, um grande economista estadunidense, foi o responsável por introduzir esse conceito com a Teoria Moderna do Portfólio e demonstrar por que os investidores deveriam diversificar a carteira na década de 50. 

Sua teoria foi testada e aprovada por alguns dos maiores investidores do mundo, como Warren Buffett e Benjamin Graham.

Qual é a importância da diversificação?

A diversificação de investimentos é importante para reduzir os riscos. Para entender a importância dessa estratégia, vamos imaginar que um investidor tenha R$ 10 mil para investir hoje. 

Colocando todo esse valor em uma única ação e sofrendo uma queda de 50%, ele teria perdido metade do seu patrimônio. Esse ativo precisará render 100% para recuperar o mesmo dinheiro novamente. 

Agora, suponhamos que essa pessoa pegue esses R$ 10 mil, divida em cinco partes e coloque R$ 2 mil em ativos diferentes. Após um tempo, uma ação pode desvalorizar 50%, mas, em compensação, um dos ativos se valorizou 15%, o outro 10% e assim por diante. 

Ou seja, o investidor perdeu um pouco com a queda de rentabilidade de um lado da carteira, mas ganhou com o outro lado e balanceou os resultados.

No longo prazo, escolhendo bons ativos, é possível reduzir bastante os riscos não apenas diante das variações normais do mercado, como também em crises econômicas. 

Como diversificar a carteira de investimento?

Veja um passo a passo para diversificar investimentos:

1. Descubra seu perfil investidor

Antes de tudo, o investidor precisa descobrir os tipos de investimentos mais adequados para sua personalidade. Não adianta comprar diversos ativos diferentes se nenhum deles combina com o que se quer. 

Existem três perfis de investidor:

  • Conservador: tolera pouco risco e quer rentabilidade mediana; 
  • Moderado: tolera risco médio em troca de uma rentabilidade maior; 
  • Arrojado: tolera altos riscos por uma alta rentabilidade. 

Para definir seu perfil, o investidor precisará pensar em três fatores: 

  • Prazo: quando quer tirar o investimento; 
  • Risco: quanto está disposto a aceitar em perdas; 
  • Objetivo: para que vai utilizar o dinheiro. 

É válido lembrar que a personalidade em relação aos investimentos não é fixa. A pessoa pode mudar com o tempo. 

2. Determine a classe dos ativos

Em seguida, o investidor precisa determinar as classes de ativos que vão compor sua carteira. Existem diversos tipos de aplicações, divididas entre renda fixa e variável. Os mais populares são:

  • renda fixa (CDB, LCI, LCA, Tesouro Direto, entre outros);
  • ações; 
  • fundos imobiliários;
  • ativos monetários (euro, dólar entre outros);
  • commodities (soja, ouro entre outros);
  • derivados (contratos futuros, opções entre outros). 

Além disso, existe a modalidade de investimentos no exterior, em que o investidor pode comprar ativos em outro país, como os Estados Unidos. 

3. Defina a proporção entre as classes

Essa é uma das partes mais importantes da diversificação dos investimentos e depende diretamente do perfil investidor. 

Para quem tem perfil conservador, a parte de renda fixa pode representar 100% da carteira. O moderado pode ter 60% em renda fixa e 40% em ações e fundos imobiliários. O arrojado pode escolher colocar 90% em renda variável. 

Mas qual é a proporção ideal?

Alguns especialistas indicam 50% renda variável — 50% renda fixa, outros indicam 75% renda variável — 25% renda fixa. Contudo, o ideal é o investidor mesmo definir a distribuição ideal com base no seu perfil. 

Independente do perfil, o ideal é procurar separar ao menos uma parte do capital para deixar de reserva de emergência, pois essa parte é indicada para todos os perfis. 

4. Selecione os ativos 

Em seguida, é preciso escolher seus ativos, e essa é a parte mais difícil em fazer a diversificação de investimentos. 

Dentro das classes, existem diversas segmentações e, nelas, o investidor ainda precisa escolher os ativos. Por exemplo: uma pessoa escolheu investir 25% do seu dinheiro em fundos imobiliários, mas, dentro dos FII, existem fundos de tijolo, de papel, híbridos, entre outros. 

Pensando em ações, existem os setores (energia, telecomunicações, metalurgia, bancário, varejo, bebidas etc) e, dentro deles, ainda há os tipos de ativos (small caps e blue chips). Dependendo da escolha, um setor pode ser mais arriscado e oferecer mais rentabilidade que outros — e vice-versa.  

A renda fixa também possui suas segmentações. Existem diferentes tipos de Tesouro Direto, CDB, LCI, entre outros.

Para selecionar os ativos, é preciso filtrá-los conforme os objetivos (curto, médio e longo prazo) e estudar os indicadores de cada um.

5. Continue acompanhando

Com o tempo, dificilmente a proporção inicial que o investidor definiu vai continuar a mesma, já que alguns investimentos podem render mais do que os outros. 

Nesse caso, é preciso realizar o processo de rebalanceamento da carteira, que pode ocorrer de duas formas: 

  1. vendendo parte de um ativo e comprando do outro; 
  2. aplicando aportes somente nas classes ou ativos desnivelados. 

Além disso, os objetivos podem mudar e o investidor pode escolher mexer na carteira. 

De todo modo, o indicado é analisar a carteira periodicamente e procurar organizar novamente quando precisar. Vale ressaltar, claro, que é importante não mexer nas aplicações o tempo todo para não pagar custos e tributos desnecessários.

Existe um limite para a diversificação?

Não existe necessariamente um limite, mas a diversificação exagerada pode trazer problemas para uma carteira. 

Voltando àquele exemplo anterior dos R$ 10 mil, vamos supor que o investidor pegue esse dinheiro e resolva distribuir por 50 ativos diferentes, colocando R$ 200 em cada. Nessa situação, a pessoa pulveriza seus resultados.

Antes, ela ia colocar R$ 2 mil em um bom ativo com alto potencial de retorno. Agora, aplicou R$ 200 em diversos ativos só para diversificar e poder ficar bem próximo da média do mercado, que pode não ser tão boa.

Além disso, é importante entender a correlação dos ativos entre si. Por exemplo, se alguém decide comprar 30 ativos no segmento de saúde, caso esse setor entre em crise, seus resultados serão negativos do mesmo jeito – ou até piores. 

Por isso, a recomendação de especialistas focar em diversificar a carteira, mas fazer isso com bons ativos e, de preferência, de segmentos diferentes.

“Manter seu dinheiro distribuído em muitas ações e setores é o único seguro confiável contra o risco de estar errado. Mas a diversificação não minimiza apenas suas chances de estar errado. Também maximiza suas chances de estar certo.”

Benjamin Graham, em O Investidor Inteligente
A imagem mostra várias pilhas de moedas com um gráfico de rentabilidade em crescimento, exemplificando os resultados da diversificação de investimentos. (Foto: Shutterstock / d.ee_angelo)
Diversificação de investimentos. (Foto: Shutterstock / d.ee_angelo)

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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