Finanças

Taxas futuras de juros fecham em leve baixa com foco em inflação

Enquanto indicador de preços desacelerou no Brasil, nos Estados Unidos o caminho foi contrário.

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As taxas dos contratos futuros de juros encerraram a sexta-feira (26) com leve baixa, mas próximas da estabilidade, com investidores reagindo a novos dados de inflação divulgados nos EUA e à expectativa de um acordo entre a Casa Branca e os republicanos quanto à ampliação do teto da dívida norte-americana.

Pela manhã, o Departamento do Comércio informou que os gastos ao consumidor nos EUA saltaram 0,8% em abril, acima do 0,4% projetado pelos economistas ouvidos pela Reuters.

Já o índice PCE de preços subiu 0,4% em abril, após alta de 0,1% em março. O núcleo do indicador aumentou 4,7% na comparação anual em abril, depois de subir 4,6% em março. O PCE é bastante acompanhado pelo Federal Reserve.

Os dados de inflação elevaram a perspectiva de que o Fed subirá novamente os juros em junho ou julho, para coibir a alta de preços. Isso dava sustentação à alta dos rendimentos dos Treasuries de dois anos (curto prazo), mas os rendimentos dos títulos de dez anos cediam durante a tarde.

Se por um lado os dados mostraram uma inflação ainda acelerada nos EUA, por outro uma pesquisa da Universidade de Michigan com consumidores mostrou uma perspectiva de inflação no horizonte de 1 ano em 4,2% em maio, ante 4,6% no fim de abril.

No Brasil, após o forte recuo das taxas na véspera, por conta da desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), os juros futuros não tiveram força para ir para um lado ou para outro.

“O IPCA-15 de ontem (quinta-feira) ainda impacta, mas lá fora o deflator PCE foi mais forte, e o índice de expectativa de Michigan indicou uma inflação um pouco menor. Um acaba contrabalançando o outro”, pontuou o economista Rafael Pacheco, da Guide Investimentos.

Investidores também operavam na expectativa por um acordo quanto ao teto da dívida nos EUA. Fonte ouvida pela Reuters afirmou que o presidente norte-americano, Joe Biden, e o principal republicano do Congresso, Kevin McCarthy, estão se aproximando de um acordo que aumentará o teto da dívida do governo por dois anos, limitando os gastos na maioria dos itens.

O acordo, que não é final, aumentará o financiamento para gastos discricionários com militares e veteranos, mantendo essencialmente os gastos discricionários não relacionados à defesa nos níveis do ano atual.

Para José Faria Júnior, diretor da consultoria Wagner Investimentos, há “chance zero” de os EUA não chegarem a um acordo para ampliar o teto da dívida, ainda que as negociações possam se arrastar até o prazo considerado limite –1º de junho– ou até um pouco depois dele, mas sem consequências maiores.

“Acho que a curva norte-americana está contaminada com o efeito da questão do debt ceiling (teto da dívida). Mesmo com os dados de inflação que saíram hoje (sexta-feira), está difícil afirmar se o Fed vai ou não subir mais os juros”, disse Faria Júnior.

Neste cenário de indefinição no exterior, os investidores pouco alteraram posições no mercado futuro de juros no Brasil nesta sexta-feira.

No fim da tarde, a taxa do Depósito Interbancário (DI) para janeiro de 2024 estava em 13,175%, ante 13,186% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 11,435%, ante 11,477% do ajuste anterior. Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2026 estava em 10,895%, ante 10,939% do ajuste anterior, e a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,94%, ante 10,994%.

Perto do fechamento, a curva a termo precificava 22% de chances de o Banco Central reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual no encontro de política monetária de junho e 78% de probabilidade de ele manter a taxa em 13,75% ao ano.

No fim da tarde, a curva norte-americana continuava indicando elevação das taxas na ponta curta e queda na longa.

Às 16:42 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dois anos –que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo– subia 5,80 pontos-base, a 4,5682%.

Já o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– caía 0,50 ponto-base, a 3,81%.

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