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Finanças

Veja as 5 ações que mais subiram e caíram na semana

Na corrida da 2ª onda ganham as companhias com fundamento e força de expansão apesar da crise

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em

por

Katherine Rivas
bolsa de valores

A semana concluiu e desta vez em ritmo de queda recuando 2,79%. A segunda onda da Covid-19, avançando a todo vapor nos EUA, deixou os investidores em sinal de alerta. No Brasil, que já acumula 55 mil mortes pelo coronavírus, a realidade não é muito diferente. Estados que flexibilizaram a quarentena regridem com o aumento de infecções. O Ibovespa também não reagiu bem, e voltou a operar abaixo dos 95 mil pontos. Nesta sexta-feira (26), o principal índice da B3, fechou em queda de 2,24% aos 93.834 pontos.

Com a segunda onda do coronavírus fica um clima tenso para o investidor. Afinal: Qual é a chance de repetir o mesmo cenário quando a pandemia começou?

Eduardo Cavalheiro, gestor da Rio Verde Investimentos defende que não voltaremos ao mesmo patamar de mercado quando a pandemia iniciou. Segundo o gestor, o mercado já conheceu os efeitos do coronavírus na economia, e sabe que embora seja necessário fechar algumas cidades novamente, uma hora tudo volta a reabrir. “A pandemia não é mais um negócio desconhecido, esta semana operamos em queda provavelmente na próxima semana também, mas teremos retomada”, afirma.

Cavalheiro descarta a possibilidade de voltarmos aos 80 mil ou 70 mil pontos. Além de conhecer o comportamento do coronavírus, os investidores estão mais dispostos a correr riscos com as expectativa da retomada. “Temos mais compradores e com a Selic em queda mais pessoas devem entrar na renda variável mesmo neste cenário, com a expectativa da economia voltar”, diz.

Maiores quedas

Entre as 5 ações que mais caíram na semana, Cavalheiro destaca que apenas a BR Malls (BRML3) não tem problemas de fundamento. As outras companhias que figuram entre as maiores quedas sofrem há anos graves problemas de gestão e operacionais.

É o caso da Cielo (CIEL3), maior queda da semana, que recuou 18,77% no acumulado. A Cielo é aquela história do príncipe que virou sapo. Há pelo menos 3 anos, a companhia vê suas ações despencarem. Antes da guerra das maquininhas começar, a Cielo vivia em um mercado duopolista dividindo espaço com a Rede do Itaú. Com o surgimento de novas concorrentes, inovadoras e super agressivas, como PagSeguro, Stone, entre outros, os papéis só amarguraram perdas sem nenhuma chance de retorno.

A Cielo ficou esquecida, sem criatividade para combater nessa guerra. Mas, recentemente a notícia de que o Whatsapp fecharia uma parceria com a companhia para fazer pagamentos por meio da plataforma agitou os mercados. As ações dispararam. “Cielo era o tipo de empresa que era destaque de short na bolsa. Muitos vendiam a Cielo para comprar qualquer outra ação. Com a novidade do Whatsapp tiveram que comprar Cielo novamente”, explica Cavalheiro.

A novidade dos pagamentos pelo Whatsapp colocaria a companhia na frente das concorrentes, não fosse o Cade que num piscar de olhos acabou com o conto de fadas. A Cielo voltou a ser o que ela era, e embora a postura do Cade não seja definitiva, o mercado precificou para a queda.

Outra que se debate é a Braskem (BRKM5), que caiu 10,86% na semana. Segundo o gestor, apesar de ser monopolista no setor petroquímico, entre idas e vindas ainda não se recupera do legado da Odebrecht. Somado a problemas ambientais em Alagoas.

Nesta sexta-feira (29), o Santander reduziu o preço-alvo dos papéis da companhia para R$34 e manteve a recomendação neutra. Pesam na empresa a incerteza da demanda por polietileno e polipropileno. Contudo, do lado positivo preços mais baixos do nafta e a depreciação do real podem ainda ajudar nos resultados da Braskem. A petroquímica deve ter declínio anual de 35% no Ebitda este ano segundo projeções do banco.

Entre as que foram novamente afetadas por esta segunda onda da Covid-19 estão a CVC (CVCB3) e Embraer (EMBR3) que recuaram 10,79% e 10,62%, respectivamente.

Cavalheiro avalia que a Embraer passa por uma situação bem delicada. Desde que a pandemia começou sofreu duas feridas de morte: o divórcio com a Boeing e a devolução de aviões da Azul. Nas últimas semanas, com o plano do governo para socorrer a companhia, o BNDES aprovou um empréstimo de R$ 1,5 bilhão. “A solução seria encontrar outro comprador para a companhia no lugar da Boeing. Esta ajuda financeira é apenas um paliativo”, defende o gestor.

A BR Malls (BRML3) seria a única companhia sem problemas de base, afetada apenas pela retração econômica. Com os shoppings reabrindo em horário reduzido e alguns estados voltado à quarentena o impacto na receita é apenas conjuntural. Na semana, a companhia recuou 10,07%.

Confira as 5 maiores quedas da semana:

AçãoQueda
Cielo (CIEL3)-18.77%
Braskem (BRKM5) -10.86%
CVC Brasil (CVCB3)-10.79%
Embraer (EMBR3) -10.62%
BR Malls (BRML3) -10.07%

Maiores altas

Entre as ações que mais subiram nesta semana, se destacou o IRB Brasil (IRBR3), que viveu momentos difíceis este ano pela ausência de governança na companhia, mas finalmente parece ter enxergado a luz no final do túnel.

Murilo Breder, analisa da Levante Investimentos explica que a semana do IRB Brasil foi cheia de acontecimentos. Nesta sexta-feira (29), por exemplo, a empresa anunciou que foi concluída uma investigação independente onde identificaram os responsáveis por divulgar o boato de que a Berkshire Hathaway, do Warren Buffet, teria uma participação relevante acionária na companhia. “Não foram apontados nomes, mas sim que as pessoas identificadas não fazem mais parte da companhia. Curiosamente o CEO, CFO e o contador saíram, então podem ter sido eles”, comenta Breder.

Ainda na investigação foi possível identificar o pagamento de bonos a ex-diretores, assim como o fato que o IRB Brasil recomprou mais ações do que poderia no mês de fevereiro. “Finalmente foi comprovado que havia fogo no meio de toda essa fumaça envolvendo o IRB Brasil”, defende o analista.

A companhia foi a maior alta da semana subindo 14,15%. E segundo Breder, ainda deve subir na próxima semana com a divulgação, no dia 29, do balanço do 1º trimestre de 2020 que foi 3 vezes adiado. “O mercado começou a enxergar que esta gestão é transparente, e isso deve aumentar a visibilidade dos resultados”, aponta.

Outro destaque positivo da semana foi a WEG (WEGE3) que avançou 8,20%. A companhia, conhecida pela sua ótima gestão e qualidade, volta a atrair a atenção dos investidores neste cenário de segunda onda da Covid-19. “Em tempos de queda da bolsa de valores investidores recorrem a papéis de boa qualidade”, explica Breder.

Além dos seus fundamentos, a companhia caminha para um novo ciclo tecnológico que foi reforçado com a aquisição recente de uma startup de inteligência artificial. Ainda nesta semana, a companhia anunciou a distribuição de juros sobre capital próprio, no valor de R$ 80.206.167,93, negociados a partir do dia 29 de junho.

Entre as maiores altas, surpreendeu também a NotreDame Intermédica (GNDI3), que subiu 2,86% na semana. A companhia anunciou hoje a compra do grupo Santa Mônica, por R$ 223 milhões na região de Divinópolis (MG). “Este processo de expansão para Minas Gerais, um estado importante no Brasil e a criação de uma nova sede regional mostrou ao mercado que Intermédica cresce apesar da crise”, analisa.

Segundo o especialista, tanto Intermédica como a concorrente Hapvida são conhecidas por seu estilo de crescimento inorgânico, empresas que expandem adquirindo outras companhias.

Confira as 5 maiores altas da semana:

AçõesAlta
IRB Brasil (IRBR3)14.15%
WEG (WEGE3) 8.20%
B3 (B3SA3) 4.80%
NotreDame Intermédica (GNDI3) 2.86%
Usiminas (USIM5) 1.72%

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