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Veja as 5 ações que mais subiram e caíram na semana

Política monetária global dita a pauta; volatilidade com eleições americanas pode pressionar os mercados nas próximas semanas

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O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em queda de 1,81%, aos 98.289 pontos nesta sexta-feira (18). Na semana o índice acumula variação negativa de 0,07%.

Esta é a terceira perda consecutiva no mês de setembro, após as baixas de 2,84% e de 0,88% nas duas anteriores. Segundo Felipe Paletta, analista da Inversa, o Ibovespa experimentou um movimento de correção puxado pela releitura do mercado sobre a política monetária global. Tanto o Banco Central americano (Fed) como o BC brasileiro traçaram um cenário para a inflação, na tentativa de controlar a curva de juros no curto prazo.

Mas, para o analista não há dúvida de que o mercado é quem define a taxa de juros no longo prazo, reagindo às incertezas. “Há uma percepção de risco de eventual descontrole inflacionário com a iniciativa de manter os juros baixos por um tempo maior”, avalia.

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Embora o risco país tem melhorado bastante nas últimas semanas, Paletta enxerga um forte movimento de volatilidade nos próximos dias, provocado especialmente pela proximidade das eleições americanas além do risco inflacionário. Contudo, não descarta boas notícias a partir dos indicadores econômicos.

Maiores altas

Foi essa recuperação econômica global que influenciou o desempenho de algumas ações. É o caso da Suzano (SUZB3), maior alta da semana com valorização de 9,76% no período.

Segundo o analista a companhia de papel e celulose- que tem a receita dolarizada- se beneficiou do movimento de correção do câmbio.

Paletta enxerga duas vertentes ao analisar a alta da Suzano: países em desenvolvimento com moedas depreciadas se beneficiando com o dólar. E o impacto da recuperação chinesa no repique da moeda americana. “Este movimento de alta no câmbio justificou a recuperação de Suzano nos pregões”, diz.

Enquanto Suzano sentiu os efeitos do cenário externo. Ultrapar (UGPA3) e Ambev (ABEV3) valorizaram pela percepção do mercado interno sobre a recuperação destas companhias. As empresas tiveram altas de 6,45% e 6,23%, respectivamente.

Ambev por exemplo anunciou recentemente recuperação na venda de cervejas a nível nacional. Segundo o Credit Suisse a companhia possui quatro fatores para alavancar a sua recuperação: alta na venda de embalagens retornáveis; crescimento do segmento core-plus; ampliação de marcas premium e investimento de tecnologia para impulsionar as vendas.

Já Ultrapar anunciou esta semana mudanças na diretoria da companhia. O mercado reagiu positivamente à noticia de que a rede de postos Ipiranga, que cuida da distribuição do grupo, está reforçando seus custos e investimentos para concorrer no mercado.

“Ambev e Ultrapar são ligadas a economia doméstica e o mercado está sinalizando que comprou a recuperação de alguns setores”, aponta o analista da Inversa.

Veja as 5 maiores altas da semana:

AçõesAlta
Suzano (SUZB3)9,76%
Ultrapar (UGPA3) 6,45%
Ambev (ABEV3)6,23%
Azul (AZUL4)6,09%
Fleury (FLRY3) 5,58%

Maiores quedas

A maior queda da semana foi do IRB Brasil (IRBR3) que recuou 6,95%. A companhia ainda surfa nas incertezas, após nova carta da gestora Squadra. Para Paletta, o IRB enfrenta uma forte perda de confiança dos investidores com um fluxo de vendidos que pressiona duramente o setor.

As ações sofrem volatilidade extrema após o resultado negativo do 2º trimestre e dúvidas sobre o balanço contábil da companhia.

Entre os destaques negativos da semana também estava a MRV (MRVE3) com queda de 5,95%. Segundo o analista a companhia enfrenta desafios na articulação do governo sobre o programa Minha Casa Minha Vida, do qual a MRV tem ampla participação.

Impactou também no desempenho do papel o IPO da Plano & Plano (PLPL3), da Cyrela, que movimentou na sua oferta, na quinta-feira (17), R$ 690 milhões. A companhia também é voltada ao programa Minha Casa Minha Vida o que gera uma pressão setorial.

Caiu também a Eletrobras (ELET3; ELET6) desvalorizando 5,84% e 5,87%, respectivamente. A companhia enfrenta desafios em torno a sua privatização, cada vez mais distante no governo Bolsonaro. Segundo avaliação da Inversa, a companhia é impactada diretamente pela turbulência política entre o ministério da Economia e o mandatário brasileiro, o que pode dificultar ainda mais as privatizações.

Nesta semana, a agência de risco Moody´s elevou o rating da Eletrobras de Ba3 para Ba2. Além de aumentar a avaliação de crédito da companhia de B1 para Ba3. Segundo a agência, isso comprova que a empresa melhorou seu perfil de crédito após reduzir custos e reestruturar seus negócios, garantindo uma posição forte da companhia no setor elétrico.

Veja as 5 maiores quedas da semana:

AçõesQueda
IRB Brasil (IRBR3)-6,95%
MRV (MRVE3) -5,95%
Eletrobras (ELET6)-5,87%
Eletrobras (ELET3)-5,84%
Cielo (CIEL3)-4,05%

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