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Entenda a disputa pelo 5G: na inovação, nos negócios e na geopolítica

Saiba como funciona a tecnologia que promete revolucionar o que entendemos como conectividade.

Publicado

em

por

Breno Queiroz
5G
concept of future technology 5G network wireless systems and internet of things

Um quarto de milisegundo. Esse é o tempo que os sinais 5G mais tecnológicos levam para sair do celular e chegar à antena de transmissão. Em outras palavras, significa a possibilidade de baixar no seu celular um filme de alta resolução em menos de um segundo. O 5G também significa mais aparelhos conectados, mais dados produzidos e gerenciados, assim como um novo capítulo nas disputas geopolíticas da atualidade.

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Estados Unidos e China têm entrado em conflito para expandir a tecnologia a novos mercados. Um deles é o Brasil, que enquanto espera o leilão para concessão das novas bandas de frequência, já experimenta algumas prévias. Um exemplo é o lançamento do 5G DSS (Dynamic Spectrum Sharing, ou Compartilhamento Dinâmico de Espectro) da Claro, que acontece nesta terça-feira (14), em parceria com a sueca Ericsson, cobrindo as regiões com maior demanda de tráfego, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

“A tecnologia DSS é legal porque consegue usar todas as unidades de rádio base do 4G. É uma coisa mais simples, por isso a Claro está saindo na frente”, explica o professor e coordenador do HUB’s de Inovação e do Centro de Empreendedorismo e Inovação (CEI) do Ibmec, Edson Machado. 

Uma inovação na transmissão vem acompanhada pela necessidade de novos aparelhos, por isso Machado faz um adendo: “Hoje só a Motorola tem um aparelho, o Motorola Edge, que consegue receber 5G com a qualidade que precisa”. O lançamento do modelo, que custa cerca de R$ 5 mil, aconteceu na semana passada em conjunto com o anúncio do 5G da Claro.

Para entender melhor como funciona essa nova tecnologia, como ela abre novos caminhos de conectividade e, consequentemente, novas oportunidades de negócios, vamos a um exemplo real.

Como funciona o 5G?

Uma nostalgia dos tempo pré-pandemia. Você já deve ter percebido como era difícil pedir um carro por aplicativo ao sair de um show, ou de um jogo de futebol. Até mesmo ao ligar para alguém que havia combinado de lhe buscar não havia sinal. Nesses momentos é possível notar o que acontece quando uma banda de frequência fica cheia

Não é só a demanda por motoristas de aplicativo na região que aumenta, mas também a quantidade de aparelhos tentando se comunicar pela mesma frequência. É como se os sinais ocupassem a mesma faixa de trânsito e ficassem engarrafados no caminho. Um dos motivos que tornam o 5G superior é que ele pretende abrir novas faixas (bandas) de frequência, entre 30 e 300 gigahertz, usadas antes apenas por radares e pelos sinais de TV analógica. Daí que surge a necessidade de substituir as antenas parabólicas pelas digitais, para evitar interferência.

Já que o espectro eletromagnético — na metáfora, a quantidade de faixas de trânsito — é algo finito, o governo brasileiro adota o modelo de concessão pública para sua utilização. O lançamento da Claro, por exemplo, só foi possível porque a America Movil (dona da Claro) comprou a Nextel no ano passado, e herdou as frequências dessa operadora. 

Espera-se para o 5G, portanto, o maior leilão já feito pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que segundo o chefe do recém criado Ministério das Comunicações, Fábio Faria, vai ser deixado para o primeiro trimestre de 2021, em razão da pandemia.

Frequências maiores, mais dados, mais aparelhos conectados. Existe alguma desvantagem? “A implementação disso é cara e começa para poucos. Os aparelhos de 5G vão ter custo diferenciado, assim como o serviço. E além disso, as áreas de cobertura serão menores”, alerta Machado. As bandas de frequência exploradas pelo 5G realmente tem menor penetrabilidade, isto é, elas sofrem facilmente interferência de obstáculos, prédios, montanhas, vegetação, e por conta disso precisam de mais antenas.

Foco em investimento

“Existem quatro grandes setores que vão ter impacto direto do 5G, e que já estão sendo impactados por causa da pandemia: telemedicina, educação à distância, transporte e gerenciamento de frota, e a parte de entretenimento, no caso dos serviços de streaming.” Essas são as apostas do professor, cada uma com sua justificativa. 

Segundo uma pesquisa da Forrester Research, empresa norte-americana de pesquisa de mercado, a estimativa de visitas médicas virtuais até o final do ano nos Estados Unidos é de 1 bilhão, sendo 900 milhões dessas relacionadas a Covid-19. Machado espera que com o volume de dados transmitidos via 5G os diagnósticos médicos feitos a distância vão ser cada vez mais atrativos. 

Na educação, temos a facilidade de transmissão de aulas ao vivo, inserção de vídeos e compartilhamento de telas, tanto pelo lado do professor como dos alunos. “Quanto ao compartilhamento de imagens e vídeos, nossa internet 4G vai parecer internet discada”, brinca Machado.

A diminuição da latência, quanto tempo um pacote de dados leva para ir de um ponto designado para outro, é a grande vantagem que poderá viabilizar ainda mais a circulação dos carros autônomos. A chinesa Huawei, por exemplo, já ensaia usar a tecnologia para possibilitar a mineração não tripulada de uma mina de ferro no Norte de Minas Gerais. Segundo Machado, na agricultura já é comum máquinas operadas à distância, já que “elas trabalham em campo aberto e não tem muito do que desviar”.

Nos serviços de streaming, Netflix, Amazon Prime, Disney+, é mais fácil imaginar os ganhos. Se tudo der certo nunca mais será necessário esperar para carregarmos um vídeo.

Trump vs Xi Jinping

Como dito antes, o ministro das comunicações, Fábio Faria, já adiantou que o leilão não sai esse ano. Mas ele também foi categórico quando perguntado a quem cabe a decisão final em relação ao 5G.

“Meu trabalho aqui no ministério é coletar informações e ver a questão financeira, de investimentos, de transparência. É um tema altamente sensível e eu estarei alinhado dentro do que o presidente definir como sua prioridade“, disse Faria em entrevista à “Rádio Bandeirantes”.

Se prevalecer a visão do ministro da economia, Paulo Guedes, quem vence é a competição. “Deixar a Ericsson de um lado, deixar a Huawei do outro lado, deixar chinês brigar com americano, brigar com os nórdicos e ver quem nos serve melhor”, declarou o ministro a “CNN Brasil”.

O embaixador americano, Todd Chapman, já se adiantou e citou a disposição dos Estados Unidos em financiar a compra de equipamentos de outros fornecedores, que não a Huawei, no Brasil. Ele tem grande proximidade com Bolsonaro, e já até comemorou o Dia da Independência americana junto do presidente.

Machado teme que o leilão do próximo ano não será um leilão de tecnologia. “Vão ter outros quesitos levados em conta. Não cabe nenhum juízo de valor quanto a proximidade com os Estados Unidos, mas a Huawei está pelo dois anos à frente em estudo dessa tecnologia, em capacidade de abrangência e em preço”, completa.

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