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Guia Financeiro

O que é pullback e como ele influencia o mercado de ações?

Movimento temporário, que vai na contramão de tendência de alta de um ativo, pode ser uma ótima oportunidade de compra, segundo especialistas.

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Ilustração de dinheiro e gráfico para o tema de pullback

O que é pullback? Provavelmente você já ouviu que, no mercado financeiro, "nem tudo apenas sobe ou nem tudo apenas cai". Como as forças gravitacionais da ciência, chega uma hora em que é preciso recuar, mesmo que seja para tomar impulso.

A lógica se aplica também a um movimento conhecido como pullback, muito utilizado por traders, que segundo Sidney Lima, analista da Top Gain, é um nome utilizado na análise gráfica para se referir a um movimento curto que vai na contramão de uma tendência de alta ou de queda de um ativo.

Como diferenciar se estamos dentro de um cenário de pullback ou em uma situação na qual a ação vai começar a derreter, por exemplo? A seguir, o InvestNews apresenta neste guia todos os detalhes sobre o termo e como usufruir dele para ter melhores ganhos nos investimentos. Confira.

O que é pullback?

Antes de explicar de fato o que é o conceito de pullback, André Machado, fundador da escola de traders ‘Projeto os 10%’, explica que é importante o investidor conhecer duas definições básicas:

  • Tendência de alta: quando a ação está subindo e o mercado se comporta fazendo topos e fundos ascendentes. Neste cenário, os topos que são rompidos no pullback são as resistências.
  • Tendência de baixa: quando a ação está em um movimento de queda constante, fazendo topos e fundos descendentes. Estes fundos rompidos são chamados de suportes.

Dito isto, Sidney Lima, da Top Gain, explica que um pullback é um movimento de correção de uma ação, índice ou dólar que ocorre por um curto período e não muda a tendência do ativo. “Se uma ação está subindo muito, chega uma hora em que corrige o preço e faz pullback, para logo voltar ao caminho natural dela de tendência de alta”, explica.

Na realidade, como isso funciona na bolsa de valores? Lima exemplifica:

Suponhamos que as ações da Petrobras (PETR4) fecharam hoje cotadas a R$ 28 e amanhã elas fecham em R$ 28,50, para no próximo dia chegar a R$ 29, depois R$ 30, então podemos perceber que ação está aumentando seus preços, o que se traduziria em uma tendência de alta para os papéis.

Então imagine que, no último mês, a ação subiu R$ 10. Segundo Lima, isso ocorre porque as pessoas estavam comprando com força o papel, e quando tudo mundo está comprando, a ação sobe.

Mas no meio desse cenário, aquele investidor que comprou Petrobras em R$ 20 pode começar a achar que o preço está muito esticado e está na hora de colocar parte desse lucro no bolso. Então ele vende a ação, e outras pessoas podem vender também, é exatamente neste momento que a PETR4 começa a cair.

Mas Sidney destaca que a ação não está caindo por um problema nos fundamentos e sim porque tem investidores realizando seus lucros, colocando dinheiro no bolso. Então este movimento de queda ocorre por um curto prazo.

Então imagine que a ação estava no mês passado R$ 20, subiu e foi parar nos R$ 30. E do nada inverte este movimento de alta, e por um curto período ela cai, até chegar nos R$ 25. Neste preço, aquele investidor que ainda não comprou pode achar que ficou interessante, então vai e compra a ação.

Com mais investidores comprando PETR4 em R$ 25 a ação retoma sua tendência de alta.

Então o movimento que ocorreu quando ela chegou aos R$ 30 e teve uma queda curta até os R$ 25 para logo voltar a subir é o famoso pullback de ações. Uma correção de preços.

Para que serve o pullback?

Machado, do Projeto os 10%, explica que quando um investidor está operando na análise técnica a regra é clara: se o ativo sobe é hora de comprar, se ele cai é hora de vender.

Mas como o trader iniciante pode identificar a hora certa para comprar ou vender? Uma das utilidades do pullback é justamente auxiliar nessa identificação. Segundo Machado, o ideal é comprar o ativo nessa janela do pullback, quando por exemplo ele deixa o fundo e volta a subir. “Após romper essa resistência é o momento certo para fazer a compra porque o ativo está barato”, explica.

No entanto, esse movimento de pullback pode durar 1 dia, ou mais dias, de acordo com Machado quanto mais forte era a tendência de alta ou de queda, o movimento será replicado no pullback. Desta forma, o mecanismo serve como uma medida eficaz para determinar bons pontos de entrada, principalmente para quem opera índice ou dólar.

Já Sidney Lima explica que o pullback, gerado quando o investidor começa a zerar posições e colocar o dinheiro no bolso, serve principalmente para o mercado respirar e digerir essa tendência, antes da ação seguir seu curso natural.

Lembra da máxima, recuar para pegar impulso, a lógica seria essa: o pullback da um respiro no mercando, para a ação ou o ativo ganhar uma força maior, com um apetite maior do investidor empurrando o ativo para dar continuidade para essa tendência de alta. “O pullback abre o apetite do investidor, fazendo com que mais pessoas se posicionem e entrem de forma comprada, então o preço do ativo continua subindo”, diz.

Então aquela ação da Petrobras (PETR4) que chegando perto dos R$ 28 começou a perder impulso e caiu para os R$ 25, graças ao pullback ganha força de novo e supera o patamar dos R$ 30. “O mercado nunca só sobe e nunca só cai”, reforça o analista.

Como funciona um pullback?

Lima explica que o pullback funciona como uma reversão de tendências, porém ocorre apenas no curto prazo, em um movimento contrário à tendência principal da ação ou do ativo para depois retornar ao fluxo natural.

Então, citando ainda o exemplo da Petrobras, Lima aponta que as ações estavam em tendência de alta quando foram dos R$ 20 aos R$ 28. Como a ação não para de subir, alguns investidores podem achar que ainda não é o momento ideal para montar posição.

Então quando ocorre o pullback e o preço da ação cai, a ótica muda, o investidor está colocando o ganho no bolso, mas isso não significa que a empresa deixou de ser boa, ela está passando apenas por essa correção no pullback para chegar a patamares de preço em que novos investidores achem interessante e decidam comprar o papel.

“O Pullback se caracteriza por uma briga de forças compradoras e vendedoras”, resume Lima.

Tipos de pullback

Segundo os especialistas consultados pelo InvestNews existem dois tipos de pullback:

  • PullBack de alta: que ocorre quando um ativo está em uma tendência de baixa, então o Pullback faz um movimento de correção de alta. Segundo Machado, também pode ser conhecido como throwback. “O mercado vem caíndo, faz uma pequena correção por meio do throwback e volta a sua tendência de baixa”, explica.
  • Pullback de baixa: é quando ocorre uma correção de baixa no ativo, no meio a uma tendência de alta.

Lima exemplifica: se uma ação não para de cair, suponhamos que está em queda há quase 30 dias, de repente durante três dias ocorre um movimento repentino de alta, e depois a ação volta a desabar. Isso seria o que conhecemos como pullback de alta.

Já no pullback de baixa, Lima cita o exemplo da Petrobras que, suponhamos, estava R$ 20 no mês passado e subiu até R$ 28, e do nada cai a R$ 25 por alguns dias. Este movimento contrário à tendência de alta seria um pullback de baixa. Isso porque depois da ação chegar nos R$ 25 é muito provável que ela volte a subir com força, segundo o analista.

Machado esclarece que embora alguns traders chamem um de pullback e outro de throwback, na prática é tudo pullback se diferenciando apenas no movimento, que pode ser de alta ou de baixa.

Características de um pullback

Lima, da Top Gain, afirma que a principal característica de um pullback é que se trata de um movimento contrário temporário a uma tendência primária de um ativo. Mas que após um período determinado, a ação, o índice, dólar ou outro ativo negociado volta para o fluxo natural.

Então, ele cita que se uma ação está subindo há 10 dias, pode ser que durante 2 dias o preço dela caia, mas depois volta naturalmente a sua tendência de alta. O que aconteceu foi uma inversão de forças.

“Se o preço de um ativo está subindo é porque tenho uma força compradora, é uma tendência de alta. Mas quando a força vendedora prevalece, o ativo cai, ocorre o pullback, com uma força contrária a tendência natural do ativo”, cita.

É nesse momento que o investidor está realizando lucros, o mercado respirando para depois retomar o fluxo natural.

Pullback x movimento de reversão

Segundo Lima, enquanto o pullback se trata de um movimento curto que interrompe temporariamente uma tendência, para logo após dele os preços voltem para sua tendência primária, um movimento de reversão seria o oposto.

Na reversão, a tendência primária muda radicalmente, e não volta após este curto período (pullback). Então se um ativo estava subindo e começa a cair, se for um movimento de reversão os preços não retornam para o movimento de alta.

Enquanto o pullback é um movimento de curto prazo, que não altera a tendência natural do ativo, a reversão pode inverter a tendência do ativo definitivamente.

Lima cita como exemplo o começo da pandemia, quando a bolsa de valores não parava de subir, e estava em tendência de alta, mas com o coronavírus a perspectiva do investidor mudou, ocorreu uma reversão que perdurou quase 1 ano, com as ações em queda.

Então se o pullback é um ajuste temporário na tendência do ativo, como identificar que está ocorrendo um movimento de reversão, quando o ativo de fato muda de rumo?

Machado tem algumas regras básicas na hora de operar, considerando que a duração de um pullback também pode ser percebida de forma diferente para cada trader. “Para quem está operando olhando para o curtíssimo prazo, uma queda de mais de 60 minutos, poderia ser considerada reversão. Mas se a estratégia do trader é outra, operando no diário por exemplo, seria apenas um pullback”, explica.

Então a depender da estratégia, na hora de operar, Machado tem algumas regras, quando se trata de um índice, qualquer movimento contrário de até 50%, ainda pode ser considerado pullback. No dólar, este patamar muda para 61,8%.

Mas se superar estes patamares, ele passa a considerar o movimento como reversão de tendência.

Pullback no trade

Lima explica que na hora de operar, é importante que o trader tenha muita clareza sobre os chamados pontos de reversão, identificando as zonas de briga, suporte e resistência.

Ele afirma que, no trade, o pullback é utilizado para movimentos muito esticados. Suponhamos que a ação não pare de subir há 5 dias. Então, já considerando o comportamento do mercado, uma hora vai ter que cair. “A recomendação é sempre esperar o pullback para entrar”, aconselha.

Embora seja motivo de muitos memes na internet, pode acontecer de uma pessoa entrar na ação e esta cair. Por este motivo, a maioria dos traders espera o pullback ocorrer como uma janela de oportunidade de compra para montar posição e pegar a tendência de alta. “Quando ocorre essa inversão do movimento de alta, no trade a gente pensa que agora sim entrou a força compradora, o preço vai naturalmente voltar a subir”, diz o analista.

Zona de pullback: o que é, como funciona?

De acordo com o analista, a zona de pullback, se refere ao movimento contrário à tendência do ativo. Então, considerando o exemplo do texto, da Petrobras que estava inicialmente custando R$ 20 por ação e logo saltou em um mês para R$ 28, para depois ocorrer o pullback e ela recuar para R$ 25.  Essa janela de tempo entre os R$ 28 e R$ 25 é conhecida como a zona de pullback.

Lima aponta que este período tem muita briga de forças no mercado, com investidores vendendo, outros comprando, mas é uma excelente oportunidade para se posicionar, segundo o analista.

Como analisar e utilizar o pullback?

Os especialistas consultados pelo InvestNews apontam que o pullback pode ser uma ferramenta interessante para monitorar forças contrarias à tendência primária de um ativo, que começa a ganhar relevância, sinalizando que as pessoas estão zerando suas posições para realizar ganhos. “É bom encarar o pullback como uma oportunidade para se posicionar em um ativo, com a intensão de aproveitar a tendência primária”, cita, Lima, da Top Gain.

Quando o investidor entra na zona do pullback, vai se beneficiar com a valorização futura após novas forças compradoras, de acordo com o analista.

Já Machado destaca que é importante em tendências de alta, ter claro o que é topo, fundo do ativo e o que é ruído. “No trade citamos que na região entre 20 e 200 topos de resistência rompidos há uma grande possibilidade de ocorrer um pullback, para corrigir a média móvel do ativo”, afirma.

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