Os cálculos foram feitos pela gestora Sharp, que oferece fundos de investimentos em ações aos investidores. A casa analisou o universo “investível” de papéis historicamente e concluiu o que o gráfico abaixo mostra: se o investidor buscou qualquer remuneração que fosse mais do que o IPCA em uma década e meia, ficou à deriva.
Isso mostra o tamanho do custo de oportunidade do mercado de renda variável no Brasil. Na escolha de ações dedo a dedo, é mais provável que o investidor tenha escorregado e ganhado menos do que investimentos mais simples ligados à taxa básica de juros – os produtos indexados ao CDI, no caso – ou à inflação, como as NTN-Bs, conhecidas popularmente como Tesouro IPCA+.
Isso não significa que o investimento em ações seja uma má escolha. Ao contrário: toda carteira equilibrada precisa ter renda variável. Mas é uma realidade que testa a capacidade do investidor em localizar e aplicar dinheiro em papéis de boa qualidade, com retornos consistentes, e observar sempre o longo prazo, que no fim é o que remunera de verdade.
Para a própria Sharp, esses números tão baixos são consequência de um “mercado pouco funcional” no Brasil, em que o custo de capital das empresas é excessivamente elevado. “Se 85% dos alunos reprovam, talvez o problema seja a prova”, provoca a gestora na sua carta.
Mesmo em um “ambiente infrutífero”, como descreve a casa, algumas companhias conseguem prosperar – e outras conseguem entregar bem acima disso. Difícil mesmo é chegar a elas. É um assunto para discutir à parte.
