O bitcoin (BTC) até flertou com a faixa dos US$ 70 mil durante o Carnaval, mas não conseguiu sustentar o fôlego. Nesta quarta-feira (18), a maior criptomoeda do mercado é negociada na faixa dos US$ 67 mil.

Dois fatores têm pressionado o setor ultimamente.

O primeiro vem do mundo da inteligência artificial (IA) e da tecnologia. Parte dos investidores está reduzindo exposição a esses segmentos e migrando para ativos mais cíclicos, como bens de consumo discricionário e indústria.

A Amazon, uma das big techs que mais apostam em IA, perdeu cerca de US$ 450 bilhões em valor de mercado entre 2 e 17 de fevereiro, com investidores preocupados com o volume de gastos bilionários em IA.

O resultado é uma reorganização de portfólios que acaba respingando em cripto, um mercado que costuma caminhar junto com o humor do setor de tecnologia.

“A rotação mais ampla de investimentos – saindo de IA e ações de crescimento e indo para setores cíclicos e de valor – é o verdadeiro motor por trás do movimento (atual), com as criptomoedas, no extremo de maior risco, sendo as mais afetadas”, disse Jasper de Maere, estrategista de mesa e trader OTC da Wintermute.

O segundo fator vem dos Estados Unidos. Dados recentes de emprego e inflação reforçaram a percepção de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode manter os juros elevados por mais tempo. Esse ambiente tende a reduzir o apetite por ativos de risco, já que a renda fixa segue atrativa.

Nesta quarta, o Fed divulga a ata da reunião de janeiro, documento que traz detalhes das discussões de política monetária e pode oferecer novas pistas sobre os próximos passos dos juros na maior economia do mundo.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  -0,70%, US$ 67.596,01

Ethereum (ETH): +0,64%, US$ 1.983,39

XRP (XRP): +0,89%, US$ 1,46

BNB (BNB): -0,66%, US$ 615,50

Solana (SOL): -2,16%, US$ 83,18

Outros destaques do mercado cripto

Reserva de bitcoin no Brasil. No fim de 2024, um deputado federal propôs a criação de uma reserva de bitcoin no Brasil. A ideia não foi para frente e acabou saindo da pauta meses depois. Pois o assunto voltou à mesa agora em fevereiro. O relator do projeto apresentou um substitutivo ao texto anterior e fez mudanças relevantes – entre elas, a meta de aquisição de 1 milhão de bitcoins em cinco anos. O retorno da discussão mostra que o tema não morreu em Brasília.

Um PIB brasileiro em P2P cripto. Nem só de exchanges vive o investidor de cripto. Há também as negociações diretas entre pessoas – o famoso P2P, que dominava o mercado antes da profissionalização do setor. No Brasil, esse universo continua enorme. Um levantamento da Crystal Intelligence mostra que os anúncios de negociações P2P em plataformas com operação local somam cerca de US$ 2,2 trilhões (algo como R$ 11,7 trilhões). É praticamente o tamanho do PIB brasileiro. Ou seja: enquanto o mercado formal cresce, o paralelo segue gigante.

NFT comprado por Neymar derrete. O auge dos NFTs – os famosos tokens não fungíveis – ficou em 2022. Desde então, o mercado esfriou, e alguns casos viraram símbolo dessa virada. Naquele ano, o jogador Neymar Jr. comprou um token da famosa coleção Bored Ape por cerca de R$ 3,4 milhões. Hoje, o mesmo ativo é estimado em torno de R$ 73 mil. Uma queda de aproximadamente 97%. É um lembrete útil: no universo cripto, inovação e hype muitas vezes andam juntos. E, quando a moda passa, os preços costumam cair.

Quer saber mais sobre cripto? Assine o morning call do InvestNews!