A maior cripto do mercado subiu 2,40% nas últimas 24 horas e voltou a flertar com o patamar psicológico dos US$ 90 mil. As altcoins acompanharam o movimento – o ethereum (ETH), por exemplo, avança mais de 4%, negociado acima dos US$ 3 mil.
Segundo a ferramenta CME FedWatch, que acompanha as expectativas do mercado, 97% dos investidores apostam na manutenção dos juros nos EUA, na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.
O que os traders aguardam, no entanto, é a fala do presidente do Fed, Jerome Powell. O discurso pode dar pistas sobre quando devem começar novos cortes (ou se eles vão demorar mais do que o esperado).
“Dependendo do tom adotado pelo Fed, podemos ver movimentos rápidos em ambas as direções”, disse Marco Aurelio Camargo, CIO da Vault Capital.
O mercado acredita que a primeira “tesourada” nas taxas americanas só deve acontecer em junho deste ano, ainda segundo a CME FedWatch.
Só relembrando: cortes de juros costumam favorecer ativos de risco, como as criptomoedas, porque reduzem a atratividade dos títulos de renda fixa. O inverso também é verdade.
A cripto que brilha
Quem brilhou hoje no mercado cripto, porém, não foram as principais moedas digitais, mas sim o HYPE, o token nativo da exchange descentralizada Hyperliquid. Ele subiu cerca de 25% nas últimas 24 horas, para US$ 34,14, e acumula uma alta de 65% nos últimos sete dias.
E, desta vez, o motivo não tem nada a ver com juros. O principal impulso vem de uma funcionalidade da plataforma que permite negociar não só ativos digitais, mas também derivativos de commodities, como ouro e prata.
Como a procura por esses dois metais aumentou em meio aos ruídos geopolíticos espalhados pelo mundo – boa parte deles envolvendo o presidente dos EUA, Donald Trump -, o volume de negociações na Hyperliquid cresceu, e o token da plataforma acabou sendo puxado junto.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.
Bitcoin (BTC): +2,40%, US$ 89.989,12
Ethereum (ETH): +4,15%, US$ 3.035,10
XRP (XRP): -2,55%, US$ 1,93
BNB (BNB): +3,02%, US$ 906,10
Solana (SOL): +3,04%, US$ 127,80
Outros destaques do mercado cripto
A invasão das stablecoins de real. O Brasil vai ganhar duas novas stablecoins atreladas ao real. A tokenizadora Liqi vai colocar no mercado a BRDL, uma cripto pareada na proporção de 1:1 com a moeda brasileira. Ela será lastreada em títulos públicos e voltada para investidores institucionais. Já a plataforma argentina Ripio, que já tem stablecoins de outros cinco países da América Latina, também planeja lançar um token atrelado ao real ainda neste ano. As duas vão se juntar às outras seis criptos semelhantes que já existem por aqui. Vale lembrar que, em dezembro, a B3 sinalizou que deve lançar a sua própria cripto ligada à nossa moeda. E, neste mês, Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central, também anunciou uma.
A stablecoin de dólar “boa moça”. A Tether, emissora da gigante USDT, lançou uma nova stablecoin atrelada ao dólar: a USAT. Ok, mas qual a diferença? Essa cripto foi desenhada para cumprir à risca tudo o que diz a legislação americana sobre custódia e compliance – ou seja, é a versão “boa moça” da casa. Ela é bem diferente de sua irmã rica, a USDT, que tem um valor de mercado de impressionantes US$ 186 bilhões e, vez ou outra, apanha por causa de dúvidas sobre transparência.
US$ 500 bilhões em jogo. A relação entre bancos e stablecoins continua rendendo atritos. Um novo relatório do Standard Chartered alerta que instituições financeiras regionais dos EUA podem perder até US$ 500 bilhões com a migração de clientes para essas criptos super populares. Vale lembrar que muitas delas, como a USDC, da Circle, pagam rendimento aos usuários – às vezes maior do que o oferecido por produtos tradicionais dos bancos. Essa disputa promete render bons capítulos ao longo do ano.
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