O bitcoin (BTC) chegou a tocar os US$ 93.350 no fim de semana, o maior nível em cerca de um mês, antes de se estabilizar na faixa dos US$ 92 mil na manhã desta segunda-feira (5). O movimento coincidiu com a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, mas a relação não é direta.

O que entrou no radar do mercado foi a possibilidade de a Venezuela deter uma grande reserva oculta de bitcoin, o que poderia ter implicações relevantes para a indústria. Em nota citada pelo The Wall Street Journal, a analista Ipek Ozkardeskaya, do Swissquote Bank, afirmou que estimativas apontam para uma reserva superior a 600 mil bitcoins.

Se confirmado, o país se tornaria o maior detentor de BTC do mundo, à frente dos Estados Unidos (328,3 mil unidades), China (190 mil) e Reino Unido (61,2 mil), segundo dados do site Bitcoin Treasuries Companies.

Ozkardeskaya destacou que a oferta de bitcoin poderia ser impactada caso esses ativos sejam apreendidos pelos Estados Unidos em investigações por narcoterrorismo ou incorporados a reservas estratégicas.

O que esperar no curto prazo?

No curto prazo, a leitura para o bitcoin é neutra a levemente positiva, segundo André Franco, CEO da Boost Research. Para ele, o início de ano favorece ativos de risco, com recuperação de bolsas globais, maior liquidez e um sentimento de “restart” após o período de festas.

“A força relativa das bolsas e a estabilidade do preço do BTC acima de US$ 91 .000 sugerem que, mesmo sem um catalisador macro imediato, o ativo pode consolidar seus níveis com leve viés de alta”.

Ainda assim, Franco ressalta que uma agenda econômica carregada e o dólar mais forte podem atuar como freios, limitando movimentos mais agressivos no curtíssimo prazo. As principais altcoins também operam em alta nesta manhã, acompanhando o bitcoin.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h.

Bitcoin (BTC):  +1,89%, US$ 92.808,88

Ethereum (ETH): +1,05%, US$ 3.168,12

XRP (XRP): +0,81%, US$ 2,12

BNB (BNB): +2,11%, US$ 905,40

Solana (SOL): +0,63%, US$ 128,28

Outros destaques do mercado cripto

Quase R$ 100 bi em dólar digital no Brasil. Em 2025, os brasileiros intensificaram o uso da stablecoin USDT, o principal “dólar digital” do mercado. O volume negociado nas exchanges chegou a R$ 98,9 bilhões, quase o dobro do registrado em 2024 (R$ 52,6 bilhões). O apetite por esse tipo de cripto não é novidade por aqui, mas no ano passado houve um impulso extra: as stablecoins, que funcionam como instrumento de câmbio, eram isentas de IOF. Esse cenário, porém, mudou em 2026, com a entrada da regulação.

Eleições brasileiras na blockchain. A corrida presidencial brasileira entrou no radar da Polymarket, plataforma construída em blockchain que permite apostas sobre eventos futuros. O mercado relacionado às eleições já movimentou cerca de US$ 10 milhões em volume. O funcionamento é simples: os usuários compram tokens de “sim” ou “não”, que representam possíveis desfechos. Se o resultado escolhido se confirmar, os tokens podem ser trocados pelo valor proporcional ao total apostado, descontadas as taxas da plataforma.

PwC amplia aposta em cripto. A PwC decidiu aprofundar sua atuação no setor cripto, embalada por um ambiente regulatório mais favorável nos Estados Unidos e pela popularização das stablecoins. A gigante global vê na aprovação do GENIUS Act (lei dos EUA para stablecoins) um divisor de águas para a adoção institucional de ativos digitais, além de reforçar a tese de crescimento da tokenização. Após anos de cautela, a PwC agora planeja atuação mais intensa tanto em auditoria quanto em consultoria, apostando que o setor entrou em uma fase mais madura e previsível.

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