Pelo terceiro dia seguido, o bitcoin (BTC) e as principais criptomoedas amanheceram no vermelho. Dois fatores principais pesam sobre o setor nesta quarta-feira (21): a tensão geopolítica envolvendo os Estados Unidos e a Europa e o aumento da pressão vindo do Japão.

No front geopolítico, os traders aguardam o discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, em Davos, hoje por volta das 10h30 (horário de Brasília). A expectativa é que ele volte a tocar no tema da Groenlândia – e qualquer frase fora do roteiro pode esquentar ainda mais os ânimos na Dinamarca e nos mercados.

Em entrevista coletiva realizada ontem, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse para a população se preparar para uma possível invasão militar à ilha.

“Essas incertezas recentes têm pesado sobre o sentimento dos investidores”, disse Guilherme Fais, head de finanças da NovaDAX.

O mau humor não fica restrito às criptos. Os índices futuros de Nova York também operam em queda nesta manhã: o Dow Jones recua 0,18%, o S&P 500 cai 0,12% e o Nasdaq escorrega 0,33%.

O peso do Japão

Além disso, mais um fator entrou no radar: o Japão. Os rendimentos dos títulos do governo dispararam em meio a temores de uma crise fiscal, o que vem afetando os mercados globais de juros.

Por quê? Durante anos, as taxas de juros super baixas do Japão ajudaram a ancorar o custo do dinheiro no mundo, incentivando o fluxo de capital para ativos de maior risco – criptomoedas incluídas. Agora, a tensão no mercado de títulos do país ameaça inverter essa lógica, apertando a liquidez global.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  -3,00%, US$ 88.258,44

Ethereum (ETH): -6,22%, US$ 2.909,10

XRP (XRP): -2,22%, US$ 1,88

BNB (BNB): -5,28%, US$ 865,22

Solana (SOL): -1,70%, US$ 126,90

Outros destaques do mercado cripto

HASH11 no clube dos ETFs mais negociados. Mesmo com a recente queda do bitcoin, os ETFs de cripto no Brasil continuam chamando a atenção dos investidores. Em dezembro, o HASH11 (o primeiro fundo de cripto listado na B3) ficou entre os 10 ETFs mais negociados do mês, com um volume médio diário de R$ 27,4 milhões. E não é de hoje: faz tempo que o produto marca presença nessa lista seleta – normalmente dominada por produtos tradicionais e gigantes, como o BOVA11, que replica o Ibovespa. Cripto já virou figurinha carimbada no mercado brasileiro.

Criptomoedas chegam à sala de aula. Criptomoeda agora também é assunto de escola – pelo menos em Laguna, em Santa Catarina. A cidade aprovou nesta semana uma lei que inclui ativos digitais no conteúdo da disciplina de educação financeira. O detalhe é que o tema vai ser ensinado para alunos do 6º ao 9º ano. Segundo o texto do projeto, a ideia é preparar os estudantes para lidar de forma mais consciente e responsável com dinheiro e investimentos no mundo digital. Educação financeira 2.0.

Trump Media vai distribuir tokens (de graça). A Trump Media anunciou que vai distribuir tokens gratuitamente para seus acionistas registrados até o dia 2 de fevereiro – uma prática conhecida no mercado cripto como airdrop. Os tokens não representam participação na empresa, nem poderão ser negociados, transferidos ou convertidos em dinheiro. Segundo a companhia, a ideia é que eles deem acesso a benefícios não financeiros ligados aos produtos do grupo, como sua rede social e seu serviço de streaming.

Ouro tokenizado brilha. A disparada do ouro em meio às tensões geopolíticas também impulsionou o mercado de ouro tokenizado – as criptomoedas lastreadas no metal. Segundo um relatório divulgado na semana passada pela exchange CEX.IO, as negociações com esses tokens somaram US$ 178 bilhões em 2025, sendo US$ 126 bilhões só no último trimestre. Para efeito de comparação: esse volume já supera o da maioria dos ETFs tradicionais de ouro negociados no mundo.

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