Os investidores também estão desembarcando dos papéis com o medo de que o caminho para a reestruturação da empresa provoque uma diluição massiva dos minoritários.
No fechamento, os papéis ordinários (BRKM3) da companhia – que não integram o Ibovespa – caíram 8,91%, a R$ 8,18. Já a ação preferencial (BRKM5), essa sim parte do índice, recuou 11,03%, a R$ 9,03. O Ibovespa encerrou em queda de 0,64%, aos 181.556 pontos.
A Braskem registrou um prejuízo trimestral de R$ 10,3 bilhões, quase o dobro em relação ao ano anterior. Um resultado negativo era esperado, mas outras linhas do balanço apontaram uma piora ainda maior.
O Ebitda (uma medida de lucro operacional antes de juros e impostos), por exemplo, veio abaixo do estimado pelos analistas, reforçando a dramática situação da empresa enquanto o processo de recuperação não é concluído.
Reestruturação financeira
Na reestruturação financeira da petroquímica, está sobre a mesa a possibilidade de conversão de dívida em ações, para melhorar a estrutura de capital, ou uma injeção de recursos, para dar à empresa liquidez e fôlego nas negociações de saídas para o problema.
Nos dois casos, os investidores minoritários pode acabar diluídos, notam os analistas do BTG Pactual, em relatório enviado a clientes. Quer dizer: o acionista passa a ter, forçadamente, uma fatia menor na empresa pela entrada de recursos de outros investidores.
A Braskem informou, junto ao balanço, que há “incerteza relevante” quanto à sua continuidade operacional enquanto passa por uma mudança no seu controle acionário. Conforme antecipou o InvestNews, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou no começo de março a transação em que a gestora IG4 assumirá o controle da Braskem.
Além do prejuízo, outros itens do balanço da empresa endossam a necessidade de uma solução rápida para mantê-la operante. A dívida ajustada aumentou para US$ 7,5 bilhões no último trimestre do ano passado e a geração de caixa foi negativa em US$ 206 milhões – ou seja, a empresa queimou caixa porque saíram mais recursos do que entraram no intervalo.
Já o endividamento está em 15 vezes. Essa é uma medida que demonstra quanto tempo levaria para a companhia quitar as suas dívidas com a geração de caixa. Para se ter uma ideia, um endividamento de até 3 vezes é considerado saudável para uma empresa.