Entre os nomes estão Itaú Unibanco, Bradesco, Ambev, Klabin e Embraer, entre as principais empresas listadas.
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A semana conta ainda com divulgações de grandes pagadoras de dividendos, como BB Seguridade, Caixa Seguridade e Taesa.
Veja no fim do texto a tabela completa das divulgações e saiba o que analistas e investidores vão estar de olho nos balanços de Itaú, Bradesco, Axia, Ambev, Klabin, Ultrapar e Embraer:
Terça-feira (5 de maio)
Ambev (ABEV3)
A Ambev atravessa um período de transição operacional, enfrentando um cenário de volumes estagnados no Brasil e pressões inflacionárias em mercados internacionais, como a Argentina. Os analistas observam de perto a capacidade da companhia de manter margens através de sua plataforma digital (Bees), para atendimento a empresas, e da gestão de portfólio premium, tentando compensar a queda no consumo de marcas principais.
A tese central gira em torno da resiliência de caixa. Embora o crescimento do Ebitda (capacidade de gerar caixa com a operação) tenha sido modesto recentemente, a empresa mantém uma posição de caixa líquido robusta. O mercado questiona, no entanto, se a Ambev conseguirá retomar o crescimento real de receita sem sacrificar a rentabilidade diante da concorrência mais agressiva da Heineken e de custos de commodities ainda voláteis.
- O que esperar: Resultados de lucros estáveis, mas sem grandes saltos, com foco total na eficiência logística e expansão das marcas de maior valor agregado.
- O ponto de atenção: A dinâmica competitiva no mercado brasileiro de cervejas e o impacto das reformas tributárias sobre os benefícios de JCP (Juros sobre Capital Próprio).
- Desafios: Recuperação de volumes em mercados internacionais (América Latina Sul) e a manutenção da dominância no canal off-trade (compra feita para consumir depois, como em supermercados).
- Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 15.
- Dividend yield projetado 2026: 6,5%.
Itaú Unibanco (ITUB4)
O Itaú segue como o “porto seguro” do setor bancário brasileiro, entregando um ROE (Retorno sobre Patrimônio) consistentemente acima de 20%. Analistas de várias casas destacam a superioridade tecnológica do banco frente aos pares tradicionais e sua capacidade de crescer a carteira de crédito de forma seletiva, focando em produtos de menor risco em um cenário de juros ainda elevados.
A tese de investimento foca na combinação de crescimento e remuneração ao acionista. Com um excesso de capital confortável, o banco tem sido agressivo no pagamento de dividendos extraordinários. O mercado vê o Itaú como o nome melhor preparado para navegar ciclos econômicos incertos, mantendo a inadimplência sob controle absoluto.
- O que esperar: Lucro líquido recorde nos próximos trimestres e a manutenção de um ROE na casa dos 22% a 23%.
- O ponto de atenção: Uma menor velocidade na queda da Selic e como isso afetará a margem financeira com o mercado.
- Desafios: Manter a liderança digital contra as fintechs e gerenciar o custo de crédito se a economia real desacelerar.
- Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 43,50.
- Dividend yield projetado 2026: 8,2%.
Quarta-feira (6 de maio)
Bradesco (BBDC4)
O Bradesco já avançou bem em seuplano de reestruturação estratégica, implementado após anos de performance abaixo do esperado. Os analistas estão atentos à execução do novo plano de negócios, que prevê a modernização da rede física, maior agilidade na concessão de crédito e foco em clientes de alta renda e seguros.
A tese atual é de virada operacional. O mercado começa a ver os primeiros sinais de estabilização da inadimplência e melhora nas margens, mas a paciência do investidor será testada pela percepção sobre a velocidade da mudança. É visto como uma ação de valor que pode destravar muito preço caso consiga fechar a distância de rentabilidade em relação ao Itaú.
- O que esperar: Melhora gradual nos resultados operacionais e redução das despesas com provisões de devedores duvidosos (PCLD) ao longo de 2026.
- O ponto de atenção: A recuperação da rentabilidade do banco de varejo e a performance da unidade de seguros, que é o pilar de estabilidade do grupo.
- Desafios: Concluir a transição cultural interna e retomar o crescimento da carteira de crédito sem deteriorar a qualidade dos ativos.
- Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 18,50.
- Dividend yield projetado 2026: 7%.
Axia Energia (AXIA3)
A Axia Energia (nova denominação da Eletrobras após o rebranding) é hoje uma das favoritas do setor de utilities (infraestrutura pública). Com o processo de privatização consolidado, os analistas focam na venda de ativos não essenciais, redução de custos operacionais e na gestão do passivo de empréstimos compulsórios, que tem limpado o balanço da companhia.
A tese central é de eficiência. Sendo a maior empresa de geração e transmissão da América Latina, a Axia é vista como uma máquina de geração de caixa. A migração para um modelo de “corporation”, sem um controlador definido, permite uma alocação de capital muito mais eficiente, transformando a empresa em uma das maiores pagadoras de dividendos do mercado brasileiro no médio prazo.
- O que esperar: Forte geração de caixa livre e anúncios consistentes de desinvestimentos em participações minoritárias.
- O ponto de atenção: Decisões regulatórias e o desfecho de litígios jurídicos relacionados ao período pré-privatização.
- Desafios: Alocação de capital em novos projetos de energia renovável com taxas de retorno atrativas.
- Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 63,30.
- Dividend yield projetado 2026: 9,5%.
Klabin (KLBN11)
A Klabin concluiu recentemente grandes ciclos de investimento (Projeto Puma II) e agora entra em uma fase de colheita de resultados. Os analistas observam a desalavancagem financeira e o foco na integração da compra dos ativos de celulose e papel da Arauco no Brasil, que deve aumentar a autossuficiência de fibra da companhia.
A tese é baseada na resiliência e na diversificação. Diferente de concorrentes focados apenas em celulose, a Klabin se beneficia do mercado de embalagens e papéis sanitários, que possuem demanda mais estável. É vista como uma ação defensiva com excelente perfil de governança e foco em sustentabilidade (ESG).
- O que esperar: Crescimento do Ebitda com a maturação dos novos projetos e aumento da distribuição de dividendos conforme a dívida cai.
- O ponto de atenção: O ciclo global de preços da celulose de fibra curta e fibra longa.
- Desafios: Execução da integração dos novos ativos florestais e manutenção das margens em um cenário de fretes globais voláteis.
- Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 26,50.
- Dividend yield projetado 2026: 7,2%.
Ultrapar (UGPA3)
A Ultrapar passou por uma simplificação bem-sucedida de seu portfólio, focando agora em seus negócios principais: Ipiranga (combustíveis), Ultragaz (GLP) e Ultracargo (logística). Os analistas têm olhado com mais atenção a recuperação das margens da Ipiranga. Além disso, acompanham o desenrolar da eventual venda da Ipiranga.
A tese foca no retorno dos fundamentos. Após anos de diversificação questionável, a empresa agora gera caixa de forma mais previsível. A melhora na execução operacional da rede de postos e o crescimento da Ultracargo em terminais portuários estratégicos tornam a ação uma das preferidas para quem busca exposição ao consumo e infraestrutura nacional.
- O que esperar: Continuidade na expansão das margens de Ebitda por metro cúbico vendido na Ipiranga.
- O ponto de atenção: A política de preços da Petrobras e o impacto de novos entrantes no mercado de distribuição.
- Desafios: Gerenciar a transição energética e manter o market share em regiões de forte crescimento agrícola (Centro-Oeste).
- Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 31,50.
- Dividend yield projetado 2026: 5,5%.
Sexta-feira (8 de maio)
Embraer (EMBJ3)
A Embraer vive o seu melhor momento em uma década, apesar do cenário de escalada dos preços de combustíveis de aviação que pressiona o setor aéreo. Com o setor de aviação comercial aquecido e problemas de entrega em grandes concorrentes (como a Boeing), a empresa brasileira viu seu backlog (carteira de pedidos) atingir níveis recordes. Os analistas destacam o sucesso da família E-Jets E2 e a forte demanda por jatos executivos.
A tese de investimento mudou de “potencial” para “entrega”. O mercado agora precifica a capacidade da Embraer de expandir margens através de ganhos de escala e o crescimento da divisão de Defesa & Segurança, que tem como grande trunfo o cargueiro KC-390. Além disso, a unidade de carros voadores (Eve) adiciona um componente de crescimento tecnológico de longo prazo.
- O que esperar: Aumento significativo nas entregas de aeronaves e geração de fluxo de caixa livre positivo.
- O ponto de atenção: Gargalos na cadeia de suprimentos global (motores e componentes) que podem atrasar cronogramas. Duração da guerra no Irã que tem pressionado os preços globais de combustíveis.
- Desafios: Escalar a produção para atender à demanda sem comprometer a qualidade e avançar na certificação do e-VTOL.
- Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 100.
- Dividend yield projetado 2026: 1,5% (foco atual em crescimento/reinvestimento).
Veja a tabela completa dos balanços na semana