A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 tem a semana mais agitada. Cerca de 70 companhias divulgam resultados no período.

Entre os nomes estão Itaú Unibanco, Bradesco, Ambev, Klabin e Embraer, entre as principais empresas listadas.

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A semana conta ainda com divulgações de grandes pagadoras de dividendos, como BB Seguridade, Caixa Seguridade e Taesa.

Veja no fim do texto a tabela completa das divulgações e saiba o que analistas e investidores vão estar de olho nos balanços de Itaú, Bradesco, Axia, Ambev, Klabin, Ultrapar e Embraer:

Terça-feira (5 de maio)

Ambev (ABEV3)

A Ambev atravessa um período de transição operacional, enfrentando um cenário de volumes estagnados no Brasil e pressões inflacionárias em mercados internacionais, como a Argentina. Os analistas observam de perto a capacidade da companhia de manter margens através de sua plataforma digital (Bees), para atendimento a empresas, e da gestão de portfólio premium, tentando compensar a queda no consumo de marcas principais.

A tese central gira em torno da resiliência de caixa. Embora o crescimento do Ebitda (capacidade de gerar caixa com a operação) tenha sido modesto recentemente, a empresa mantém uma posição de caixa líquido robusta. O mercado questiona, no entanto, se a Ambev conseguirá retomar o crescimento real de receita sem sacrificar a rentabilidade diante da concorrência mais agressiva da Heineken e de custos de commodities ainda voláteis.

Itaú Unibanco (ITUB4)

O Itaú segue como o “porto seguro” do setor bancário brasileiro, entregando um ROE (Retorno sobre Patrimônio) consistentemente acima de 20%. Analistas de várias casas destacam a superioridade tecnológica do banco frente aos pares tradicionais e sua capacidade de crescer a carteira de crédito de forma seletiva, focando em produtos de menor risco em um cenário de juros ainda elevados.

A tese de investimento foca na combinação de crescimento e remuneração ao acionista. Com um excesso de capital confortável, o banco tem sido agressivo no pagamento de dividendos extraordinários. O mercado vê o Itaú como o nome melhor preparado para navegar ciclos econômicos incertos, mantendo a inadimplência sob controle absoluto.

Quarta-feira (6 de maio)

Bradesco (BBDC4)

O Bradesco já avançou bem em seuplano de reestruturação estratégica, implementado após anos de performance abaixo do esperado. Os analistas estão atentos à execução do novo plano de negócios, que prevê a modernização da rede física, maior agilidade na concessão de crédito e foco em clientes de alta renda e seguros.

A tese atual é de virada operacional. O mercado começa a ver os primeiros sinais de estabilização da inadimplência e melhora nas margens, mas a paciência do investidor será testada pela percepção sobre a velocidade da mudança. É visto como uma ação de valor que pode destravar muito preço caso consiga fechar a distância de rentabilidade em relação ao Itaú.

Axia Energia (AXIA3)

A Axia Energia (nova denominação da Eletrobras após o rebranding) é hoje uma das favoritas do setor de utilities (infraestrutura pública). Com o processo de privatização consolidado, os analistas focam na venda de ativos não essenciais, redução de custos operacionais e na gestão do passivo de empréstimos compulsórios, que tem limpado o balanço da companhia.

A tese central é de eficiência. Sendo a maior empresa de geração e transmissão da América Latina, a Axia é vista como uma máquina de geração de caixa. A migração para um modelo de “corporation”, sem um controlador definido, permite uma alocação de capital muito mais eficiente, transformando a empresa em uma das maiores pagadoras de dividendos do mercado brasileiro no médio prazo.

Klabin (KLBN11)

A Klabin concluiu recentemente grandes ciclos de investimento (Projeto Puma II) e agora entra em uma fase de colheita de resultados. Os analistas observam a desalavancagem financeira e o foco na integração da compra dos ativos de celulose e papel da Arauco no Brasil, que deve aumentar a autossuficiência de fibra da companhia.

A tese é baseada na resiliência e na diversificação. Diferente de concorrentes focados apenas em celulose, a Klabin se beneficia do mercado de embalagens e papéis sanitários, que possuem demanda mais estável. É vista como uma ação defensiva com excelente perfil de governança e foco em sustentabilidade (ESG).

Ultrapar (UGPA3)

A Ultrapar passou por uma simplificação bem-sucedida de seu portfólio, focando agora em seus negócios principais: Ipiranga (combustíveis), Ultragaz (GLP) e Ultracargo (logística). Os analistas têm olhado com mais atenção a recuperação das margens da Ipiranga. Além disso, acompanham o desenrolar da eventual venda da Ipiranga.

A tese foca no retorno dos fundamentos. Após anos de diversificação questionável, a empresa agora gera caixa de forma mais previsível. A melhora na execução operacional da rede de postos e o crescimento da Ultracargo em terminais portuários estratégicos tornam a ação uma das preferidas para quem busca exposição ao consumo e infraestrutura nacional.

Sexta-feira (8 de maio)

Embraer (EMBJ3)

A Embraer vive o seu melhor momento em uma década, apesar do cenário de escalada dos preços de combustíveis de aviação que pressiona o setor aéreo. Com o setor de aviação comercial aquecido e problemas de entrega em grandes concorrentes (como a Boeing), a empresa brasileira viu seu backlog (carteira de pedidos) atingir níveis recordes. Os analistas destacam o sucesso da família E-Jets E2 e a forte demanda por jatos executivos.

A tese de investimento mudou de “potencial” para “entrega”. O mercado agora precifica a capacidade da Embraer de expandir margens através de ganhos de escala e o crescimento da divisão de Defesa & Segurança, que tem como grande trunfo o cargueiro KC-390. Além disso, a unidade de carros voadores (Eve) adiciona um componente de crescimento tecnológico de longo prazo.

Veja a tabela completa dos balanços na semana