Em apenas cinco pregões, o principal índice da B3 já sobe 7%, impulsionado pelo movimento das maiores empresas da bolsa – caso da Vale, que também chegou aos picos históricos. No ano, alta já soma 10%. Em 12 meses, 45%.
Enquanto isso, o dólar segue abaixo dos R$ 5,30, nos menores níveis desde novembro do ano passado.
Por volta das 16h, o Ibovespa subia 1,23%, aos 177.743 pontos. O dólar oscila perto da estabilidade, a R$ 5,28.
Os estrangeiros estão fazendo a festa no Brasil porque o país é um dos mais líquidos entre os mercados emergentes e, em especial, na América Latina. Em um momento de alta procura por diversificação internacional, são os ativos brasileiros que entram na rota dos recursos internacionais.
O momento é propício à demanda por ativos considerados mais arriscados pelo arrefecimento do embate entre o presidente dos EUA, Donald Trump, com países europeus que apoiam a Groenlândia, território que o mandatário americano quer anexar.
Nesta semana, porém, Trump deu um passo atrás ao dizer que não aplicaria as tarifas e que não tomaria o território à força. Com menos aversão nos mercados globais, ativos considerados mais arriscados passaram a subir mais nesta semana.
Mas já faz tempo que uma parte do dinheiro de fora busca outros portos fora dos EUA. O EEM – ETF ligado ao iShares MSCI Emerging Markets, principal indicador das bolsas dos países emergentes – acumula ganhos acima de 7% no ano. Em 12 meses, 38%.
No mesmo período, o S&P 500 soma apenas 13%. Um sinal de que as apostas nas big techs, o motor das bolsas americanas, já não é tão intensa.
Mas nada disso significa uma migração em massa de dinheiro – das bolsas americanas para as da periferia global, como a nossa. Para os estrangeiros, a quantidade de recursos remetida aos emergentes e países latino-americanos é muito pequena em relação a Nova York. Para os emergentes, porém, é um caminhão de dinheiro, capaz de mexer de forma significativa com os preços.
Essa procura por diversificação fora dos EUA explica a demanda pela moeda brasileira nesse momento, em um ambiente de enfraquecimento generalizado do dólar contra outras divisas globais. Do fim de dezembro para cá, o dólar já acumula baixa de 3,5% ante o real.
O desempenho do mercado de bolsa também destoa dos juros dos títulos públicos, justamente porque a justificativa para a disparada das ações é o movimento estrangeiro.
Do lado doméstico, o nível de “prêmio” (ou retorno a mais) exigido pelos investidores para comprar títulos de dívida do governo ainda é muito alto por questões domésticas sensíveis, caso das contas públicas e da proximidade das eleições presidenciais.
Mesmo assim, esse mercado vive um certo alívio. As taxas de juro real (acima da inflação) do Tesouro IPCA+2040 caem de 7,37%, taxa de fechamento de ontem, para 7,30% nesta sexta. AInda nos patamares da história. Mas, ainda assim, trata-se da maior queda no ano.