Um investimento de renda fixa que rendeu 109% do CDI nos últimos 2 anos, de forma tão segura quanto um CDB de banco grande. Essa é a Letra Financeira (LF), um título de renda fixa particularmente rentável, mas que não costuma entrar no radar do investidor comum.

Esse o retorno de 109% é o do Índice de de Letras Financeiras (ILFA), da Anbima – uma espécie de “Ibovespa”, mas que, em vez de agrupar as ações mais negociadas da bolsa, junta as maiores LFs e tira uma média do rendimento.

As LFs são como “CDBs turbos”. Tal como os CDBs, são instrumentos que os bancos usam para se financiar. Investir nelas é emprestar para uma instituição financeira em troca de juros. A diferença é que o juro é maior, porque o dinheiro, na média, fica preso por mais tempo: aplicou, só pode tirar depois de dois anos (às vezes, cinco anos). Sem liquidez diária. Nada.

E o investimento mínimo também não ajuda: o pingo para entrar no jogo é de R$ 50 mil – dependendo da LF, R$ 300 mil. Por essas, as letras financeiras ficam de fora do cardápio do investidor comum. Elas só entram mesmo nas dos institucionais, os peixes grandes, como uma ferramenta bombada de renda fixa.

Mas essa exclusividade acabou: hoje existem ETFs de Letras Financeiras. E isso é um game changer. O investimento inicial aí, derrete: vai para um pouco mais de R$ 100. E dá para tirar quando quiser. Liquidez diária.

Os três ETFs

Existem só três ETFs de letras financeiras no mercado. Todos bem recentes. O primeiro foi o LFNI11, do BTG, lançado em setembro de 2025. Depois veio o NFLA11, da Nu Asset, em dezembro. E o mais recente é o LFIX11, da Investo, lançado na quarta-feira (11).

Como são ETFs jovens, a única forma de saber o rendimento potencial deles é fazendo um “backtest”. Por exemplo: o NFLA11, da Nu Asset, segue aquele índice da Anbima que mencionamos lá no início. E a variação ali, de acordo com a gestora, foi de 109% do CDI entre outubro de 2023 e dezembro de 2025.

Nos últimos meses, só para registrar, o índice está até melhor: 121% do CDI. Essa é a rentabilidade do ETF desde o lançamento, no final de dezembro, até o início de fevereiro.

No NFLA11, do BTG, o retorno desde o lançamento está em 101% do CDI. É que este segue outro índice.

Naquele da Anbima, por trás do ETF da Nu Asset, entram LFs de 23 bancos. No do BTG, só títulos dos seis maiores em volume financeiro (BB, Bradesco, BTG, Caixa, Itaú e Santander). É o chamado segmento “S1” do Banco Central. O mais novo de todos esses jovens ETFs – o LFIX11, da Investo –, também se atém.

Agradecimento: Andrés Kikuchi, diretor de investimentos da Nu Asset