Após divulgar um balanço considerado bem fraco pelo mercado, a ação da Hapvida teve um dia de montanha-russa nesta quinta-feira (19). O papel chegou a cair cerca de 13% na abertura, para R$ 7,13, mas virou ao longo do dia e subiu 36%, até a máxima de R$ 9,73, liderando os ganhos da bolsa. O que aconteceu?

No fim do pregão, o papel da companhia subiu 14,98%, a R$ 9,44. Foi a terceira ação mais negociada do dia, atrás apenas da Petrobras (PETR4) e da B3 (B3SA3).

Pela manhã, a empresa realizou uma teleconferência para comentar os resultados do quatro trimestre, divulgados na quarta-feira (18) – e foi ali que o humor começou a mudar.

Segundo os analistas do Citi, a administração sinalizou que pode vender ativos subutilizados e fazer uma revisão mais estrutural de operações em regiões não estratégicas. Isso ajudou a acalmar os ânimos.

Outro ponto que agradou foi a indicação de desaceleração no capex (investimentos). Na prática, isso significa que a empresa deve gastar menos dinheiro daqui para frente, o que pode aliviar a pressão sobre o caixa.

Além disso, de acordo com o Citi, a companhia também conseguiu reduzir multas aplicadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Isso pode ajudar a melhorar o fluxo de caixa e as margens – uma medida de rentabilidade do negócio, isto é, o quanto da receita se transforma em ganho após os custos – nos próximos trimestres.

Os números preocupantes

Nem tudo são flores. Ainda que os indicativos da administração da empresa tenham amenizado o mau humor do mercado, a Hapvida divulgou números considerados “preocupantes” e “decepcionantes” no quarto trimestre de 2025, segundo analistas.

O lucro líquido ajustado foi de R$ 180,6 milhões, uma queda de 64,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. E isso em um trimestre que costuma ser mais favorável para o setor, já que há menor uso dos planos de saúde.

A base de clientes também encolheu – e forte. A empresa perdeu 140 mil beneficiários no trimestre (131 mil só em São Paulo), bem acima da expectativa de queda de 50 mil do Itaú BBA. Foi a maior perda líquida já registrada. Houve retração em todos os segmentos, com destaque negativo para planos corporativos (-66 mil) e pequenas e médias empresas (-39 mil).

As despesas financeiras seguiram elevadas, e a companhia registrou prejuízo líquido contábil de R$ 29 milhões.

Outro ponto de pressão vem da judicialização – quando clientes vão à Justiça para exigir coberturas, gerando custos extras para a companhia. Os depósitos judiciais cíveis subiram para R$ 934 milhões no quarto trimestre de 2025, ante R$ 865 milhões no trimestre anterior, um aumento de cerca de R$ 69 milhões.

“Diante da dificuldade da companhia em resolver essas questões de forma consistente e estrutural, acreditamos que o quarto trimestre marca uma transição de sinais amarelos para vermelhos”, escreveram analistas do BTG Pactual, em relatório.

Segundo o banco, os investidores precisam ficar de olho na saúde financeira da empresa. Isso porque, se ela precisar emitir novas ações para levantar dinheiro, o valor dos papéis atuais pode ser diluído.