A Nasdaq abriu os trabalhos em marcha a ré: queda de 1%, puxada por baixas nas Sete Magníficas. A bolsa americana que concentra as empresas de tecnologia já acumula cinco semanas consecutivas de queda – algo que não se via desde 2022, antes de o lançamento do ChatGPT ter criado um bull market longevo. E agora ensaia chegar à sexta semana seguida no vermelho.

Os investidores nos EUA estão preocupados com os orçamentos crescentes das empresas para IA. “Há uma ansiedade persistente sobre se esses gastos vão gerar lucros o bastante“, diz Aneeka Gupta, diretora de pesquisa macroeconômica da WisdomTree.

Ou seja: gasta-se muito, principalmente em data centers e na energia que eles exigem, sem que haja modelos de negócios claro. Mas também há muita realização de lucros. “Também temos um movimento mais amplo de redução de risco, saindo das posições mais ‘lotadas’ após uma alta muito forte”.

Fato é que a Nasdaq cai 4% no ano. Veja outros movimentos negativos lá de fora, deste ano que mal começou:

Nvidia: -2%

Alphabet (Google): -2%

Apple: -6% 

Amazon: -14%

Microsoft: -17%

Não chega a ser instauração de um bear market embora Microsoft e Amazon flertem com um, agora que suas ações se aproximam dos 20% de queda em menos de dois meses. Mas, definitivamente, o setor de tecnologia dos EUA, motor do mercado global, não vive mais o período de otimismo que caracterizou os últimos anos.

Bom para as bolsas emergentes, como a nossa. No contrafluxo do mercado americano, o Ibovespa experimenta uma alta 15% no ano.

Lá fora, o que sobe mesmo é o pessimismo. Um número recorde de investidores afirma que as empresas estão gastando demais, segundo a mais recente pesquisa com gestores de fundos do Bank of America. Um quarto dos participantes apontou uma “bolha de IA” como o principal risco para os mercados, enquanto 30% disseram que o investimento em IA pelas big techs era a fonte mais provável de uma crise de crédito.

A Amazon está na linha de frente dos gastos com IA, depois de ter anunciado investimentos de US$ 200 bilhões nessa direção. E a Microsoft é a grande investidora do maior expoente da inteligência artificial, a OpenAI, dona do ChatGPT. Não é coincidência ambas estarem puxando as quedas no ano.