Segundo o estudo, o problema não está exatamente nas reservas que lastreiam essas moedas, mas sim na estrutura tecnológica que controla sua emissão e funcionamento. Diferentemente do bitcoin (BTC), que opera de forma mais distribuída, grandes stablecoins dependem de poucos endereços com poderes privilegiados – capazes de atualizar contratos inteligentes, congelar contas, pausar transferências ou até alterar regras inteiras do sistema.
Na prática, especialistas temem que futuros computadores quânticos consigam quebrar as chaves criptográficas usadas para proteger esses acessos administrativos. Dessa forma, um invasor poderia comprometer toda a moeda de uma só vez.
O alerta ganha peso em um momento em que as stablecoins crescem e se tornam cada vez mais integradas ao sistema financeiro tradicional. O mercado delas já ultrapassou US$ 300 bilhões em capitalização, com as criptos de dólar USDT e USDC respondendo juntos por mais de 80% do total. O volume mensal de transações on-chain (na blockchain) dessas moedas já chegou à casa de US$ 1 trilhão.
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Sem pânico
Apesar do alerta, especialistas avaliam que ainda não há motivo para pânico. Isso porque os computadores quânticos capazes de quebrar a criptografia usada atualmente em blockchains e stablecoins ainda devem levar anos para se tornar realidade – com estimativas variando entre 2030 e 2042. Até lá, projetos do setor já começaram a discutir uma migração gradual para sistemas de criptografia pós-quântica.
“Cada protocolo terá que redesenhar diferentes partes de sua infraestrutura para absorver assinaturas pós-quânticas (novos sistemas criptográficos desenvolvidos para resistir a ataques de computadores quânticos). Se esse trabalho ainda não começou, deve começar agora”, disse Conor Deegan, CTO e cofundador da Project Eleven.
Em fevereiro, o cofundador do Ethereum, Vitalik Buterin, divulgou um roteiro do ecossistema para lidar com a computação quântica. A rede da segunda maior criptomoeda do mundo é uma das mais utilizadas por stablecoins.
Os desenvolvedores do bitcoin também vêm discutindo propostas para proteger moedas potencialmente ameaçadas – especialmente as mais antigas, que utilizam formatos de endereço considerados mais vulneráveis. Empresas do setor também começaram a se movimentar. A Coinbase, maior exchange cripto dos Estados Unidos, criou um conselho consultivo dedicado ao tema.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h25.
Bitcoin (BTC): -2,01%, US$ 80.916,64
Ethereum (ETH): -3,65%, US$ 2.328,77
BNB (BNB): -0,15%, US$ 648,65
XRP (XRP): -3,00%, US$ 1,41
Solana (SOL): -0,34%, US$ 89,45
Outros destaques do mercado cripto
Ser ou não ser um ativo digital. Está rolando um bafafá sobre stablecoins no Brasil. Isso porque o Banco Central enviou ao Congresso uma nota técnica dizendo que essas criptos não seriam um “ativo digital”, mas sim uma “moeda de emissão privada”. Quem deu a notícia primeira foi a Exame. O mercado não curtiu muito o entendimento, claro. Isso porque ele pode abrir caminho para a cobrança do odiado IOF sobre stablecoins – que são as criptomoedas preferidas dos brasileiros, até mais do que o bitcoin.
Anúncio quente. A tão falada reserva estratégica de bitcoin dos EUA, citada pelo presidente Donald Trump no ano passado, pode finalmente sair do papel. Segundo Patrick Witt, assessor da Casa Branca para ativos digitais, o governo deve anunciar “nas próximas semanas” novidades sobre a estrutura. A ideia é centralizar e proteger os criptoativos já apreendidos pelo governo americano – que, segundo Witt, chegaram a ser armazenados de forma improvisada em diferentes agências.
O “nunca vender” balançou. A Strategy, maior tesouraria corporativa de bitcoin do mundo, sempre sustentou o discurso de que não venderia suas criptos. Mas o tom começou a mudar. Executivos da empresa disseram que poderiam considerar a venda de parte das reservas caso isso ajudasse a melhorar a estrutura de capital ou elevar o chamado bitcoin yield – indicador que mede o crescimento do número de BTC por ação. Resultado: o mercado já acompanha cada movimento da companhia com lupa.