A pancada nas criptomoedas reflete um combo nada amigável que tomou conta dos mercados nos últimos dias: tensões geopolíticas, incertezas sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos, o setor de tecnologia andando em terreno instável – e levando as criptos junto – além de um dólar mais forte.
Esse cenário elevou a aversão global ao risco a níveis altos. Nessas horas, investidores tendem a reduzir exposição a ativos considerados mais voláteis – e o bitcoin e as demais criptos acabam no centro das vendas.
Um bom termômetro disso são os ETFs (fundos negociados em bolsa) à vista de BTC nos Estados Unidos. Na semana passada, esses produtos registraram quase US$ 1,5 bilhão em resgates, segundo dados da plataforma SoSoValue – o maior volume semanal de retiradas em quase um ano.
O movimento gerou burburinho no mercado cripto. Depois de ter renovado máximas recentemente, o bitcoin entrou em uma sequência mais prolongada de quedas, reacendendo um velho debate entre investidores: afinal, qual é o papel do BTC na carteira? Onde fica o argumento do “ouro digital”?
Na manhã desta segunda-feira (2), o bitcoin é negociado na faixa dos US$ 78 mil, com queda de 0,59% no dia e 11,30% nos últimos sete dias. O ethereum (ETH) cai 4,30% hoje, para US$ 2.303,11, e 20% no acumulado semanal.
“Baleias” nadam contra a maré
Apesar da pressão vendedora, há um movimento curioso por baixo da superfície.
Enquanto investidores de varejo apertam o botão de venda, muitas vezes realizando prejuízos, as chamadas “baleias” – grandes detentores de criptomoedas – aproveitam os preços mais baixos para acumular ativos, segundo dados da Glassnode divulgados pelo portal CoinDesk. O número de entidades com mais de 1.000 BTC subiu de 1.207 em outubro para 1.303 hoje.
Na prática, segundo André Franco, CEO da Boost Research, isso significa “uma transferência de riqueza das ‘mãos fracas’ para investidores de longo prazo que antecipam a recuperação do mercado”.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.
Bitcoin (BTC): -0,59%, US$ 78.052,12
Ethereum (ETH): -4,30%, US$ 2.303,11
XRP (XRP): -0,32%, US$ 1,64
BNB (BNB): -0,39%, US$ 766,37
Solana (SOL): -1,33%, US$ 103,09
Outros destaques do mercado cripto
Regras do BC dão a largada. As novas regras para o mercado de criptomoedas, publicadas pelo Banco Central do Brasil no fim do ano passado, começam a valer hoje. Na prática, o BC passa a definir quem pode atuar no mercado local, quais autorizações são necessárias e como algumas criptomoedas devem ser enquadradas. Um ponto importante: as stablecoins passaram a ser tratadas como operações de câmbio.
Mais uma stablecoin brasileira no pedaço. O Brasil acaba de ganhar mais uma stablecoin atrelada ao real: a BRLN. Ela foi lançada pela empresa Núclea e deve ser usada, inicialmente, para dar suporte aos processos internos de liquidação e compensação da firma. Vale lembrar: só nos últimos dois meses, quatro stablecoins ligadas à moeda brasileira foram lançadas ou anunciadas. Somadas às que já existem, o país caminha para ter 11 stablecoins “made in Brazil”.
Visa e Mastercard jogam água fria nas stablecoins. Stablecoins estão em alta, ok. Mas gigantes dos pagamentos como Visa e Mastercard ainda veem pouco apelo dessas criptos para os pagamentos do dia a dia – ao menos por enquanto. Em calls sobre resultados, executivos das empresas disseram que, em mercados desenvolvidos, os consumidores já contam com meios digitais rápidos e eficientes para pagar, o que acaba limitando a demanda por stablecoins no varejo.
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