Normalmente, quando investidores vendem ativos digitais, eles mantêm o dinheiro em stablecoins, já que essas moedas são atreladas a outros ativos – como o dólar – e, portanto, são menos voláteis. Quando até as stablecoins começam a perder valor, porém, é sinal de que o capital está deixando o ecossistema cripto e migrando para outros mercados.
Esse movimento acontece em um momento em que os investidores estão correndo para ativos considerados mais seguros, como ouro e prata, em meio às instabilidades globais. O ouro, por exemplo, ultrapassou os US$ 5.100 ontem pela primeira vez na história.
“Quando a incerteza aumenta, o dinheiro tende a fluir para ativos considerados reserva de valor em momentos de crise, em vez de mercados voláteis como o de criptomoedas”, disse a Santiment.
Essa retirada de dinheiro das stablecoins também coincidiu com uma queda de quase 8% do bitcoin nos últimos 10 dias. Na manhã desta terça-feira (27), o BTC é negociado a US$ 87.985,12, praticamente o mesmo valor de ontem. As principais criptomoedas seguem ritmo parecido e andam de lado.
Os traders agora também estão de olho na decisão de política monetária dos Estados Unidos, que sai amanhã. A expectativa é de manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. O mercado, no entanto, vai prestar atenção mesmo é nas falas do presidente do Fed, Jerome Powell, em busca de sinais sobre possíveis cortes no futuro.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.
Bitcoin (BTC): +0,14%, US$ 87.985,12
Ethereum (ETH): +0,53%, US$ 2.908,10
XRP (XRP): -0,39%, US$ 1,88
BNB (BNB): +0,86%, US$ 880,10
Solana (SOL): -1,28%, US$ 124,06
Outros destaques do mercado cripto
Fundos cripto têm nova onda de resgates. O desempenho fraco do bitcoin voltou a respingar nos fundos brasileiros de criptomoedas. Na semana passada, eles registraram US$ 1,7 milhão em saídas, segundo dados da gestora CoinShares. No acumulado do mês, o total de resgates já chega a US$ 3,3 milhões. E não é só por aqui que o clima azedou. Globalmente, os produtos de investimento em ativos digitais tiveram US$ 1,73 bilhão em retiradas – o maior volume desde meados de novembro de 2025.
Bitcoin que paga “renda”. A BlackRock, maior gestora do mundo, entrou com um pedido na Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês) para lançar um ETF que promete pagar renda usando bitcoin. A ideia do fundo é simples: ele vai ter exposição ao BTC (direta ou via o IBIT, o ETF da própria casa) e, ao mesmo tempo, vender opções – contratos financeiros que dão o direito de comprar ou vender um ativo no futuro. Com isso, o fundo recebe um “aluguel” em forma de prêmio.
O frio bate no bitcoin. O inverno está rigoroso nos EUA, com megatempestades de gelo e temperaturas na casa dos -30 °C. Diante desse cenário, muitos mineradores de BTC do país reduziram suas operações para aliviar a pressão sobre a rede elétrica – afinal, nesses momentos, o consumo de energia dispara por causa do aquecimento das casas. O efeito colateral é que a “força” da rede do bitcoin cai temporariamente – mas o sistema é feito para se ajustar a esse tipo de situação.
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