O volume de transações com stablecoins é enorme no mundo – foram US$ 28 trilhões em 2025. No Brasil, elas representam quase 70% das criptomoedas declaradas, segundo a Receita Federal. E esse número deve crescer ainda mais globalmente.

Segundo um relatório publicado na quarta-feira (8) pela empresa de análise de blockchain Chainalysis, o volume global dessas criptos pode chegar a US$ 1,5 quadrilhão até 2035. Para ter uma ideia, isso equivale a cerca de 13 vezes o PIB global atual. Difícil até de imaginar.

Dois fatores principais devem servir de combustível para esse salto.

O primeiro é geracional. A expectativa é que entre US$ 80 trilhões e US$ 100 trilhões migrem, nas próximas décadas, dos baby boomers (que nasceram entre 1946 e 1964) para as gerações mais novas – muito mais próximas do universo cripto.

“Essa transição, por si só, pode adicionar US$ 508 trilhões ao volume anual de stablecoins até 2035. Também deve impulsionar a adoção mais ampla de criptoativos, com crescimento em mercados de previsão on-chain, ativos reais tokenizados e produtos híbridos entre finanças tradicionais e cripto”, disse a empresa.

O segundo fator é a crescente – e silenciosa – adoção das stablecoins no ponto de venda. À medida que mais comerciantes passam a aceitá-las, pagar com cripto deixa de ser uma escolha e vira padrão. É um movimento parecido com o que aconteceu com os cartões de crédito em relação ao dinheiro, de acordo com a firma.

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Legislação

O entusiasmo com o setor ganhou força após o avanço regulatório nos Estados Unidos, com o chamado Genius Act. Na prática, a proposta cria regras para organizar o mercado de stablecoins de pagamento no país.

Um dos pontos centrais é a exigência de lastro seguro e altamente líquido – com forte presença de títulos públicos americanos (as Treasuries) – para stablecoins atreladas ao dólar.

Hoje, essas criptos de dólar dominam o mercado. A USDT, da Tether, e a USDC, da Circle, somam cerca de US$ 262 bilhões em valor de mercado – o equivalente a 82% do setor.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h40.

Bitcoin (BTC):  -0,52%, US$ 71.155,62

Ethereum (ETH): -2,78%, US$ 2.180,11

BNB (BNB): -1,65%, US$ 601,45

XRP (XRP): -3,21%, US$ 1,32

Solana (SOL): -2,43%, US$ 82,33

Outros destaques do mercado cripto

Tem dinheiro de golpe? Então esquece a licença. Tem um ponto que sempre acendeu alerta no Banco Central: a presença de recursos ligados a golpes em exchanges. Funciona assim: o criminoso aplica o golpe, pega o dinheiro e manda para a corretora – que, em alguns casos, não verifica a origem. Pois isso agora pesa (e muito). A presença desse dinheiro “sujo” pode levar à negativa de autorização para operar. A regra faz parte do pacote de regulação aprovado no ano passado.

CVM mantém alerta contra exchange cripto. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) manteve o alerta de atuação irregular contra a exchange OnilX. Segundo a autarquia, a empresa não tem autorização para intermediar valores mobiliários. Aqui vale uma explicação: cripto, por si só, não é valor mobiliário. Mas pode virar, se tiver características desse tipo de ativo – como contratos de investimento coletivo ofertados ao público. Aí, nesse caso, precisa de autorização.

ETF de bitcoin de um gigante. Quando o assunto é ETF de bitcoin, o IBIT, da gestora BlackRock, reina absoluto. Sozinho, concentra US$ 56 bilhões – cerca de 3,9% de todo o valor de mercado da criptomoeda. Mas agora surgiu um concorrente de peso. O Morgan Stanley entrou no jogo e passou a oferecer, na quarta (8), o MSBT. A estreia foi forte: o fundo captou quase US$ 34 milhões já no primeiro dia.

Milei e o escândalo cripto. No ano passado, o presidente da Argentina, Javier Milei, promoveu uma cripto chamada Libra. Era furada. O projeto desmoronou logo após o lançamento – e deixou uma leva de investidores no prejuízo. Desde então, o político tenta se descolar do caso. Mas a história ganhou um novo capítulo. Uma investigação criminal revelou que Milei fez ao menos sete ligações para um empresário ligado ao token.