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IN$ Entrevista

Caso Carrefour: ‘Falar que nunca mais teremos um incidente seria mentir’

1 ano após morte de João Alberto, companhia revela o que fez para combater racismo, rebate críticas e mostra planos de voltar ao Índice de Sustentabilidade.

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São Paulo, 03.06.2019: Retratos Carrefour. (Foto: Simon Plestenjak)

Um ano após a morte de João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos que faleceu após sofrer agressões de dois seguranças em uma unidade do Carrefour Brasil (CRFB3) em Porto Alegre (RS), a varejista ainda lida com as consequências do evento trágico. Com um valor de mercado 20% menor desde o ocorrido, a empresa aponta hoje o episódio associado a racismo como uma “oportunidade de transformação”.

Em entrevista ao InvestNews publicada neste sábado (20), Dia da Consciência Negra, o vice-presidente de Relações Institucionais, Sustentabilidade e Comunicação do Grupo Carrefour Brasil, Stephane Engelhard, afirma que a morte de João Alberto representou um aprendizado para a empresa sobre os efeitos do racismo. “Hoje o Carrefour sabe que existe racismo, sim, e que precisa ser resolvido. Isso para mim foi o maior aprendizado, o Carrefour entender que racismo existe e que tem que ser combatido”, diz o executivo.

A relação do caso com a movimentação das ações da empresa na bolsa de valores divide opiniões. Fato é que, um ano depois, a varejista encolheu de tamanho. No dia da morte de João Alberto, em 19 de novembro de 2020, o Carrefour valia R$ 40,279 bilhões, mas este valor de mercado foi reduzido para R$ 32,122 bilhões em 17 de novembro deste ano, segundo dados da Economatica Brasil. No período, as ações recuaram 16,50%.

Em junho deste ano, o Carrefour assinou um termo de ajustamento de conduta (TAC) para destinar R$ 115 milhões a políticas de enfrentamento ao racismo, em decorrência da morte de João Alberto. Segundo o Ministério Público, foi o maior acordo voltado a políticas de reparação e igualdade racial no país. Ao todo, a empresa declara que investiu R$ 144 milhões nestas medidas.

João Alberto/Reprodução
João Alberto Silveira Freitas, agredido até a morte por seguranças em uma loja do Carrefour em novembro de 2020. Foto: Reprodução

Wellington Lopes, cientista social e conselheiro da UNEafro, diz ser inevitável esquecer que, por trás dessas grandes corporações, há também pessoas negras e periféricas contribuindo para seu enriquecimento ao consumir seus produtos. “Beto era uma dessas pessoas vivendo na periferia, sendo um homem negro, que foi ao mercado consumir e enriquecer uma grande corporação”, lembra.

Em entrevista ao InvestNews, após 1 ano do incidente, o Carrefour revela o que aprendeu e melhorou neste período em relação ao racismo e à igualdade racial. Sem papas na língua, Engelhard rebate críticas e ‘barulho’ dos concorrentes, revela planos de voltar ao Índice de Sustentabilidade Empresarial e as principais estratégias de inclusão racial nos próximos três anos. Leia a seguir:

InvestNews- O Carrefour vale hoje cerca de R$ 32,12 bilhões. Vocês investiram R$ 144 milhões em promoção da diversidade e medidas de inclusão racial no horizonte de 3 anos. É suficiente?

Stephane Engelhard – Antes de responder, preciso explicar a história. Fez 1 ano que aconteceu a tragédia em Porto Alegre, uma comoção muito grande. O Carrefour já era engajado em diversidade e inclusão há mais de uma década de forma muito forte, até éramos reconhecidos.

Mas quando ocorreu o incidente na noite de 19 de novembro de 2020, começou uma fase de crise que se prolongou até o final de 2020. Nessa comoção nacional, fomos os primeiros a pedir desculpas à sociedade brasileira no programa Fantástico, que consideramos que por causa da audiência seria o lugar ideal.

Quem fez isso na época foi o antigo CEO, Noel Prioux. Imediatamente, na sequência, nos criamos um comitê de diversidade constituído por 9 membros externos, reconhecidos por dominar a questão racial, diversidade, muitos deles ativistas. A maioria não queria participar do comitê, porque tinha uma desconfiança muito grande com o Carrefour, mas por meio de conhecidos conseguimos convencê-los.

Quando a gente criou o comitê foi porque o Carrefour entendeu que tinha algo errado, apesar de tudo o que fazíamos, faltava alguma coisa. Então o Carrefour refez sua história, tentou entender. Respondendo a sua questão, em 2021, na etapa de implementação de alguns compromissos, foram 72 ações para avançar na luta contra o racismo.

Então, se você pergunta o que são R$ 144 milhões em relação a nossa capitalização da bolsa, provavelmente você tem razão, olhando dessa forma poderia ser mais. Mas tem um porém. Então te pergunto: qual a empresa do Brasil investiu e declarou publicamente que colocaria R$ 144 milhões para a luta contra o racismo? Não conheço nenhuma.

Eu vejo muita gente se movimentando, concorrentes nossos, e não vou dar nomes porque sou bem-educado, mas é uma companhia que fez um trainee só para negros. Bacana. Sendo bem simpático com você, isso custa no máximo R$ 500 mil por ano. Então acho que tem gente fazendo muito barulho em torno de pouca coisa.

O Carrefour não quer fazer barulho, queremos contribuir com a sociedade para que mude. Então R$ 144 milhões já é um volume de dinheiro muito grande. Desses, foram destinados R$ 68 milhões em bolsas de estudo para negros e pardos, jovens que não têm as mesmas oportunidades e que precisamos ajudar. É bastante dinheiro para esse objetivo, mas sempre podemos dizer que deveria ser mais.

Sabe, fui entrevistado em dezembro de 2020, quando na Câmara dos Deputados foi criada uma Comissão para falar com o Carrefour desta tragédia. Na época, declaramos, no terceiro dia após a tragédia, que criaríamos um fundo de R$ 25 milhões para combater o racismo dentro da sociedade brasileira. Teve uma deputada que me fez a mesma pergunta. “Você acha que a vida de um homem custa R$ 25 milhões?”

Eu respondi para ela “Se o Carrefour não tivesse falado nada, você me cobraria que a gente deveria ter investido alguma coisa. Nós declaramos que investiríamos, e você reclama que isso não custa a vida de um homem”.

Cada coisa no seu devido tempo. Em 2020, anunciamos esse pacote de emergência que era importante, e aos poucos esses R$ 25 milhões se tornaram R$ 144 milhões. Temos três anos para usar esse recurso, uma média de R$ 50 milhões por ano, e após este período vamos continuar engajados na luta contra o racismo.

Este é um movimento que ninguém fez. Muitos podem questionar se é muito ou pouco, mas olha para as empresas estrangeiras e brasileiras, não tem nenhuma empresa que tenha investido tanto dinheiro em tão pouco tempo para essa causa, como o Carrefour fez.

IN$ – O Carrefour tem uma meta ou vai esperar consolidar os 3 anos do plano para definir se mantém ou duplica o valor?

Stephane Engelhard – Acho que tem um aprendizado muito grande, agora o Carrefour tem um plano muito claro, com as iniciativas quantificadas, sabemos o que vamos fazer. Vamos começar a implementar as coisas e, ao longo do tempo, sem dúvida revisaremos o que funcionou bem e o que não deu certo, para dar continuidade.

Então, se você me pedir um valor agora, eu não sei. Vamos concentrar esses R$ 144 milhões da forma que informamos à sociedade brasileira. Mas é claro que, após esse período a luta continua, porque não é em 3 anos que o Brasil vai resolver 500 anos de história.

IN$ – O que vocês aprenderam com a morte do João Alberto Freitas? Em 2020, um gestor ESG citou que estava na hora de o Carrefour dar uma resposta à sociedade. O que o senhor diria hoje, 1 ano após o caso, para os movimentos negros e à sociedade brasileira?

Stephane Engelhard – Vou te responder com sinceridade, Katherine. A gente percebeu que o Carrefour entendia pouco do assunto. Essa é a grande lição. Porque se você olhar para nós, antes da tragédia de Porto Alegre, o Carrefour achava que estava bem. Que a gente fazia tudo direitinho e, no fundo, não fazia.

Não era má vontade ou algo absurdo, como uma estratégia, a gente achava que estava realmente muito bem. E não estava.

Inclusive esse Comitê de Diversidade o Carrefour decidiu criar imediatamente, dias depois da tragédia, justamente para ajudar a entender essa questão dos negros no Brasil, do sofrimento, dessa histórica complicada, e como a gente poderia contribuir para mudar isso. Eu acho que esse é o grande aprendizado e a gente não tinha noção.

Se você perguntasse para o Carrefour, no passado, e provavelmente para boa parte da sociedade brasileira. “Existe racismo no Brasil?”, a gente teria respondido que não. Hoje o Carrefour sabe que existe racismo sim e que precisa ser resolvido. Isso para mim foi o maior aprendizado. O Carrefour entender que o racismo existe, que tem que ser combatido.

Estamos cientes desta questão e sabemos que precisamos nos mexer.

IN$ – De todas as iniciativas do Carrefour pela igualdade racial, pode enumerar as que considera mais relevantes no combate ao racismo?

Stephane Engelhard – O Carrefour fechou oito compromissos. Mas, para mim, o mais importante é o da Tolerância Zero. No passado, isso não era seguido à risca, sempre tinha justificativas. Hoje a tolerância é zero, tanto internamente como com parceiros e fornecedores. Nossa política não aceita racismo dentro das nossas unidades e nem com os nossos parceiros.

Fizemos um acordo, conversas com 15 mil parceiros e fornecedores, dos quais 75% aderiram ao compromisso de mudança. Quem não participou não assinou o contrato novo com a gente.

Outra questão relevante foi a segurança do Carrefour. No passado, a gente enxergava a segurança como uma questão de “vamos proteger o patrimônio”. Mas depois nos questionamos: essa proteção vale a morte de um homem negro? Ou de alguma pessoa que, independente da cor, venha roubar uma garrafa de Coca-Cola, por exemplo.

Nossa abordagem era errada, a forma como treinávamos os seguranças. Muitos deles eram terceirizados, então decidimos internalizar para ter um controle maior na questão de segurança.

O Carrefour mudou a sua filosofia, colocando pessoas negras no quadro de segurança e contratando mais mulheres, que ajudam a dar um equilíbrio nas coisas. Além disso, colocamos nos nossos seguranças um sistema de câmeras no uniforme, ou seja tudo o que acontece na loja a gente sabe porque o próprio segurança filma o que está vivenciando.

E teve a questão do treinamento, sensibilizar seguranças no contato com o consumidor, nas questões de racismo, esse foi um golaço grande. Em dezembro de 2020, já estávamos praticamente finalizando essa internalização dos seguranças.

Também por meio de uma pesquisa do Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva, que o Carrefour encomendou, percebemos que os jovens negros e pardos não tinham as mesmas oportunidades na vida. Então, decidimos contribuir com bolsas para jovens e auxiliar os empreendedores para essa evolução, desde a entrada no Carrefour até a liderança.

Uma das iniciativas, por exemplo, foi ajudar startups lideradas por negros e pardos para se desenvolverem. Foram vários compromissos, mas pelo volume do dinheiro investido (R$ 68 milhões) eu colocaria como principal as bolsas de estudo para pessoas negras e pardas.

No nosso quadro, temos uma proporção de pessoas negras semelhante a sociedade brasileira, onde 54% da população se autodeclara negra e parda. No Carrefour, olhando para os colaboradores independente da hierarquia, temos um percentual semelhante de pessoas negras na empresa. Já nos cargos de gerência, a proporção cai para 34% e na diretoria para 20%.

A meta para os próximos anos é ter 50% de pessoas negras em todos os níveis, entre estes gerentes e diretores.

IN$ – Em relação ao novo modelo de segurança, mais humano, menos terceirizado, e câmeras nos uniformes, isso já foi adotado em outros municípios, fora Porto Alegre?

Stephane Engelhard – É nacional, implementado em todas as lojas. O Atacadão já tinha uma segurança internalizada, mas não necessariamente todo esse treinamento e sensibilidade com questões raciais. Então hoje, toda a segurança do Carrefour que tem contato com o cliente e toda a equipe de segurança do Atacadão são internalizadas. A nível nacional já treinamos em média 2 mil pessoas.

Atualmente o Carrefour tem 100 lojas de Hipermercado em todo o Brasil, o modelo de internalização já foi implementado em todas elas. Em relação ao uso de câmeras nos uniformes dos seguranças, 10 lojas já contam com este sistema – 2 em Porto Alegre (Passo d’Areia e Partenon) – e 8 lojas em São Paulo. Até 31 de dezembro de 2021, pretendemos que as 100 lojas tenham estes equipamentos de gravação.

IN$ – No passado, o Carrefour já foi reincidente em situações de violência, racismo e até agressão animal. Era um sistema de segurança diferente. Mas com esse novo modelo de segurança, haverá um ponto final a estes casos de racismo e violência no Carrefour?

Stephane Engelhard – Cerca de 30 milhões de pessoas transitam nas nossas lojas, no Grupo BIG, que deve chegar mais na frente, falamos de 45 milhões. Então, desses 30 milhões, se você me perguntar se já teve casos, tivemos sem dúvida. Porém, o número de ocorrências versus o número de pessoas que passam pelas lojas, eu diria que é muito pequeno. É uma justificativa? Com certeza não.

Mas, de fato, dizer que não pode acontecer mais nenhum caso, ou que nunca vai acontecer, eu mentiria para você.

O que aconteceu em Porto Alegre, naquela loja, poderia ter ocorrido em qualquer lugar. Não porque se trata do Carrefour, poderia ter acontecido em qualquer estabelecimento. Aconteceu com a gente, na véspera do dia da Consciência Negra, entre dois turnos de eleições municipais em uma cidade muito polarizada, chamada Porto Alegre. De um lado tinha um candidato do PSDB, de outro do PMDB.

Quando olhamos para o passado, lembramos do caso do cachorro Manchinha, você tem razão, teve um problema lá. Eu acredito, que essa nova forma de olharmos a segurança ela deve mitigar e reduzir este tipo de situações, agora te dizer que nunca mais vai acontecer, eu não posso te falar isso.

Como acontece em qualquer lugar, olha a sociedade brasileira, todo dia tem um problema, um assalto, uma pessoa que morre no assalto, um tiroteio, é uma sociedade extremamente violenta.

Nós temos varejista, onde milhões de clientes transitam todos os dias, difícil dizer que não vai acontecer nada. Todo dia tem uma coisa acontecendo, são pequenos furtos, um pivete que entra na loja pedir alguma coisa, um cachorro que transita na loja porque as pessoas, colaboradores ou clientes dão comida, todas as nossas áreas são abertas.

Então, acho que essa mudança da segurança é muito importante, mas dizer que não pode acontecer mais nenhuma ocorrência, não seria correto o Carrefour falar isso, mas estamos trabalhando para que isso não aconteça, sem dúvida.

A questão dos treinamentos dos colaboradores e seguranças é muito importante também, tolerância zero. A pesquisa do Renato Meirelles apontou como existem coisas desproporcionais, contra fatos não há argumentos, o Carrefour entendeu que tem que mudar.

IN$ – Como comentou, o varejo sofre pelo maior fluxo de pessoas, com problemas recorrentes de violência e racismo. Pretendem se tornar um modelo para outras varejistas, principalmente de capital aberto, com esse novo modelo de segurança?

Stephane Engelhard – Isso já está acontecendo. Inclusive, a Associação de Empresas de Segurança, ou seja todos os terceirizados dos varejistas, nos procuraram para entender o que estávamos fazendo e para mim isso é um sinal positivo.

Significa que essas empresas de segurança, que prestam serviço para outras varejistas, entenderam que algo precisava mudar. Nosso responsável pela segurança deu várias palestras sobre as nossas estratégias. O setor de varejo tem esse problema em comum, muito fluxo de pessoas, como minimizar o número de ocorrências?

Além disso, o Carrefour tem uma parceria com a Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (ABRAPPE), que criou um comitê para transformar o modelo de segurança do varejo.

O comitê é formado por diversas empresas e neste momento está sendo liderado pelo Carrefour, em um mandato de 1 ano. O comitê vai se reunir mensalmente para resolver temas relacionados a gestão de conflitos, desvio de mercadorias, incidentes e relações com autoridades. É um passo muito importante para o Carrefour.

IN$ – Quando aconteceu a morte de João Alberto, o Carrefour foi excluído do índice S&P/B3 Brasil ESG. Após um ano do incidente, com as iniciativas implementadas, se sentem prontos para tentar um lugar nos índices ESG, seja no S&P/B3 Brasil ESG ou no novo ISE?

Stephane Engelhard – Sobre a questão do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial), na parte de sustentabilidade acho que o Carrefour é benchmark. Trabalhamos questões como deflorestação, monitoramento do gado e das fazendas, entre outros. Como líder de mercado, o Carrefour não poderia ser diferente.

Na questão social também somos, no sentido de ter lojas no Brasil inteiro, perto das comunidades e há muitos anos temos um papel muito importante de empregar jovens em torno dessas comunidades. O Carrefour hoje é o quarto maior empregador do Brasil e para muitos jovens, o primeiro empregador. Esse fato é importante. Na questão da governança, temos ética, compliance robustos, e agora isso ficou em uma proporção melhor inclusive nos cargos mais baixos da empresa.

Respondendo a sua pergunta, isso não é novo. Em 2020, o Carrefour ia ingressar no ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial), e fomos suspensos. A mesma conversa que tenho hoje contigo eu tive com a B3, para explicar tudo o que estávamos fazendo e a cada seis meses ocorre uma nova conversa. No meu entendimento, se o Carrefour implementar todos esses compromissos, finalizar nosso plano, tem todas as condições para voltar ao ISE em 2023.

Essa é uma ideia nossa e, sinceramente, quando eu vejo as consistências do nosso plano, na questão racial, de diversidade, vejo as iniciativas, compromissos de sustentabilidade e governança, me sinto muito tranquilo para afirmar que o Carrefour que ser candidato ao ISE em 2023. E me parece que a B3 tem um entendimento alinhado com o nosso.

Agora em relação ao índice S&P/B3 Brasil ESG, pesaram muito questões de compliance na exclusão, mas não vejo problema de tentar, no próximo ano, retornar ao índice.

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