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Abertura de capital da Eve pode destravar valor da Embraer?

A startup de carros voadores elétricos da fabricante brasileira listou suas ações em Nova York; para analistas, iniciativa favorece a companhia.

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evtol da Eve (embraer)
Conceito do eVTOL (carro voador) da Embraer. (Foto: Divulgação/Embraer)

Em 2021, a ação da Embraer (EMBR3) disparou 180% e liderou os ganhos do Ibovespa, após integrar os piores desempenhos do índice em 2020. Já neste ano, a companhia vem sendo impactada pelo câmbio, falta de suprimentos e guerra na Ucrânia. Em meio a este cenário, a Eve, sua subsidiária que abriu seu capital nos Estados Unidos, pode fazer com que investidores enxerguem mais valor na fabricante de aeronaves, além da possibilidade de gerar novos negócios, dizem analistas ouvidos pelo InvestNews.

A startup de carros voadores elétricos da Embraer listou no dia 10 de maio suas ações na bolsa de valores de Nova York (Nyse), sob o código EVEX. A listagem acontece após a startup unir seus negócios com a norte-americana Zanite, uma companhia de Propósito Específico de Aquisição (SPAC, na sigla em inglês), voltada ao setor de aviação. 

Henrique Tavares, analista fundamentalista da DV, explica que a separação dos negócios traz mais clareza na avaliação das empresas, o que pode agregar valor para as duas companhias, além de ser uma sinalização da Embraer no caminho de mais flexibilidade, indo ao encontro de seus pares de mercado.

“Na antiga estrutura, com a Eve como um braço da Embraer, era difícil para o mercado precificar corretamente cada negócio e, assim, podem ocorrer tanto subvalorizações quanto supervalorizações. É possível que investidores comecem a enxergar mais valor na Embraer”, afirma Tavares.

Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos, considera que a vantagem da listagem da Eve no exterior para a Embraer está no fato de destravar valor, já que Embraer tem mais de 80% do capital social da empresa. Ele explica que o valuation da Eve foi maior que o da Embraer, que é uma empresa bastante consolidada no setor, é líder de mercado, ao menos no norte-americano, e que ela fica atrás somente da Airbus e Boeing (BOEI34).

Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, também considera a iniciativa como positiva para a Embraer, pelo fato de deixar o nome da marca mais conhecido no exterior, além de poder torná-la referência, o que pode colaborar para outros negócios despontarem e atraírem mais clientes.

Fôlego para as ações da Embraer

Após a disparada da ação da companhia em 2021, depois de ter ficado entre os piores desempenhos do Ibovespa em 2020, neste ano, até o dia 18 de maio, a ação da Embraer acumulava perda de mais de 45%.

Para Cruz, a Embraer é uma das principais empresas do Brasil, sendo uma das mais inovadoras no país, líder em um mercado de ponta, de tecnologia, o que é raro no Brasil, que é voltado, segundo o estrategista, para o agronegócio e serviços. De acordo com ele, o ativo da companhia é uma das melhores opções disponíveis no momento, pois a empresa vai continuar se destacando, por ser referência de qualidade, segurança e que tende a desbravar novos mercados.

“A Embraer não é tão grande a ponto de disputar com a Boeing e Airbus, e não tão pequena ao ponto de ser irrelevante. Ela ocupa uma faixa bem desejável, que deixa a perspectiva dela positiva no longo prazo”, avalia o estrategista da RB Investimentos.

Tavares destaca que a Embraer é a terceira maior fabricante de aeronaves comerciais do mundo, líder no segmento de aviação regional e que tem um portfólio forte na aviação executiva e de defesa, o que pode trazer perspectivas futuras positivas para a companhia.

Para o analista da DV, no médio e longo prazo, a Embraer deve enfrentar uma competição mais forte e agressiva da Airbus, que adquiriu a linha de jatos regionais da Bombardier e agora compete nesse segmento com a família de jatos A220. Porém, segundo Henrique Tavares, a Embraer tem bons diferenciais competitivos em nível de produto e prestação de
serviços que a posiciona em condições de se manter competitiva nesse mercado.

“Acreditamos, ainda, que parcerias comerciais para fornecimento de um portfólio completo de frota pode ser possível com outros fabricantes, como a Boeing”, avalia o analista fundamentalista da DV.

Horizonte para Embraer

A Embraer é uma das empresas que vem sendo desfiadas pelo cenário macroeconômico. Tavares explica que a companhia tem trabalhado para manter níveis de estoque e contratos com fornecedores e clientes em dia, o que tem sido um desafio em função das quebras nas cadeias de suprimento. Além disso, o conflito entre Rússia e Ucrânia tem colocado forte pressão nas commodities, encarecendo a produção e, em especial, os combustíveis, o que pesam sobre o transporte aéreo e desacelera o setor, impactando negativamente a Embraer.

Impactos estes refletidos no desempenho da companhia, que teve prejuízo líquido ajustado de R$ 428 milhões no primeiro trimestre de 2022. Já o Ebitda da Embraer no período ficou negativo em R$ 1,1 milhão, revertendo o resultado positivo de R$ 82,1 milhões no primeiro trimestre de 2021. 

“A expectativa é que, mesmo com o fim do conflito, as cadeias de suprimento e as relações comerciais levem um tempo para se reorganizar em nível global, o que deve manter certa pressão inflacionária por mais tempo, e consequentemente, manter negócios operando com margens mais apertadas”, alerta o analista fundamentalista da DV.

Para Tavares, como ainda é difícil entender o valor de cada companhia (Eve e Embraer) em separado, é esperado que, à medida que os resultados dos próximos trimestres apareçam, o mercado possa precificar de forma mais eficiente cada ativo.

Por outro lado, o estrategista de investimentos da RB, Gustavo Cruz, pontua que outra tendência que já é vista no setor é a retomada do turismo, o que pode beneficiar a Embraer com empresas fazendo renovação de frota em meio ao crescimento do setor.

Revolução de mobilidade e impactos

A Eve desenvolve aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOLs) para futura circulação nas cidades e tem, atualmente, uma carteira de pedidos de 1.825 veículos, de 19 clientes.

Apesar disso, o negócio da companhia tem perspectiva de longo prazo, já que suas aeronaves só devem entrar em operação em 2026. A meta da Eve, em termos de receita, é alcançar os US$ 4,5 bilhões até 2030. Com capital de US$ 380 milhões levantado em sua listagem no exterior, a startup da Embraer avalia ter recursos suficientes para ir até a certificação de seus carros voadores, que estima acontecer em 2025.

Tavares acredita que a transição para eletrificação de veículos deve se manter uma tendência nos próximos anos e se intensificar, à medida que as pressões por redução de emissão de carbono aumentam, fazendo com que Eve agregue uma alternativa de produto que, até então, não compunha o portfólio da Embraer e de nenhuma outra grande fabricante de aeronaves.

Segundo o analista da DV, por se tratar de um produto completamente novo, as bases de certificação ainda precisam ser criadas, assim como os critérios de operação e a infraestrutura operacional também precisam ser definidos do zero. Por isso, segundo Tavares, trata-se de um processo complexo, que deve tomar boa parte dos próximos anos e que o desafio é convencer o mercado de que a geração de caixa futura
compensa o investimento hoje.

“De fato, acreditamos que os eVTOLs podem revolucionar a mobilidade urbana, com aplicações que vão desde transporte de pessoas, serviços emergenciais médicos e até transporte logístico. As opcionalidades são muitas e, por se tratar de um produto completamente disruptivo, é difícil projetar com precisão o desempenho financeiro, mas a tese nos parece interessante”, destaca o analista da DV.

A abertura de capital da Eve faz sentido?

Tavares alerta, no entanto, que a principal desvantagem da listagem da companhia diz
respeito à competição, que agora passa a ter acesso a informações mais especificas do
negócio, que, até então, não eram discriminados nos resultados da Embraer. Para ele, isso coloca os competidores mais próximos da Eve e por dentro do desenvolvimento do projeto.

Já Rodrigo Crespi, da Guide Investimentos, considera que a abertura de capital da Eve faz bastante sentido, por ser um segmento disruptivo, um novo meio de transporte que pode mudar a forma de locomoção nas cidades, o transporte urbano, mas que “no meio do caminho”, a Eve vai precisar de uma injeção de capital maior, já que trata-se de um negócio para 2026 e, com isso, o mercado deve estar bastante atento, tanto para a Eve quanto para a concorrência.

Crespi destaca, no entanto, que a Eve é uma das empresas mais bem posicionadas, já
que já tem alguns contratos não vinculantes com diversas companhias, o que já da certa
credibilidade para a companhia.

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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