A operação, estruturada a um preço de R$ 55,29 por ação, implica um valuation de R$ 58,9 bilhões para a maior operadora privada de saneamento do país após o aumento de capital. A transação deve também funciuonar como um shadow price – uma referência de valor para os planos da empresa de realizar uma oferta pública de ações (IPO) ainda neste ano.
O preço sinaliza a faixa de avaliação que deve balizar a oferta pública e indica que a Aegea tende a buscar no mercado um valor próximo ao da rodada privada, ou até superior, caso o ambiente de negócios permita. A título de comparação, a Sabesp vale hoje R$ 102,5 bilhões na B3.
A estrutura do aumento de capital – com renúncia de preferência dos outros sócios – abre espaço para que o GIC concentre a maior parte da subscrição e amplie sua fatia no capital votante da companhia. A operação ainda depende de autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Aumento de participação
Em documento enviado recentemente ao Cade, o GIC afirma que pretende exercer seu direito de preferência na subscrição das novas ações e, sobretudo, adquirir eventuais sobras do aumento de capital.
Caso isso ocorra, sua participação pode ultrapassar o patamar de 20% do capital votante da companhia, gatilho que exige notificação ao órgão antitruste. O fundo soberano detém, de forma indireta, cerca de 19% das ações ordinárias, que são a com direito a voto nas assembleias, e 34% do capital total (somando ações preferenciais e ordinárias).
De acordo com o documento enviado ao Cade, a Aegea sustenta que tem participação inferior a 20% no mercado nacional de serviços de água e esgoto, apesar de ser a maior operadora privada do setor, o que não criaria problemas concorrenciais.
A empresa atende cerca de 39 milhões de pessoas em 892 municípios e registrou receita bruta de aproximadamente R$ 15,4 bilhões em 2024, segundo dados mais recentes. Seu portfólio inclui concessões relevantes como Águas do Rio, no estado do Rio de Janeiro, além de operações em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Ceará, Pará e interior de São Paulo.
Hoje, o controle da companhia está concentrado na Equipav, das famílias Toledo e Vettorazzo, que detém pouco mais de 53% do capital total, enquanto a Itaúsa, da família Setúbal, uma das controladoras do Itaú, possui outros 13% das ações.