A Alliança Saúde informou ao mercado que ajuizou uma ação cautelar em caráter antecedente na Comarca de São Paulo, que suspende cobranças e execuções. Ao mesmo tempo, iniciou um procedimento de mediação com seus credores.

As medidas ocorrem em meio aos esforços da companhia para reorganizar sua estrutura financeira e criar condições mais estáveis para a condução de negociações.

A dívida líquida total estava em R$ 500 milhões ao fim de setembro, segundo o mais recente resultado financeiro divulgado. Os números do quarto trimestre serão divulgados em 31 de março.

De acordo com o fato revelante publicado nesta quinta-feira (19), a ação cautelar tem caráter transitório e está alinhada ao objetivo de assegurar um ambiente negocial equilibrado durante o processo de mediação, sem que haja impacto sobre a continuidade das operações.

Esse tipo de medida funciona como um instrumento jurídico de urgência, solicitado antes de um processo principal, que permite à empresa obter proteção temporária da Justiça — como a suspensão de cobranças ou execuções — enquanto negocia com credores.

A iniciativa está amparada na Lei de Recuperação Judicial e Falências e no Código de Processo Civil, que autorizam intervenções rápidas para evitar deterioração da situação financeira e viabilizar acordos.

A Alliança ressaltou que suas atividades seguem normalmente, com o funcionamento regular de seu ecossistema de atendimento, que inclui clínicas e canais digitais, sem alterações na condução ordinária dos negócios.

Paralelamente, a companhia afirmou que continua avançando na implementação de medidas voltadas ao fortalecimento de sua estrutura financeira e operacional, com foco em ganho de eficiência, ajuste da estrutura de capital e reforço da sustentabilidade no médio e longo prazo. A empresa não detalhou o montante das dívidas envolvidas no processo.

Mudança de controle

O movimento ocorre após uma série de mudanças relevantes no controle e na governança da empresa ao longo do mês.

No início de março, o fundo Tessai passou a deter o controle da companhia, com 59,84% do capital, após adquirir participações anteriormente ligadas ao empresário Nelson Tanure.

O fundo é ligado à gestora Geribá Investimentos, especializada em situações especiais, e assumiu a posição após credores executarem garantias envolvendo ações da companhia.

A transação abriu espaço para possíveis mudanças na estrutura administrativa, incluindo a composição do conselho de administração, sujeitas às aprovações necessárias.

Poucos dias depois, Isabella Corrêa renunciou ao cargo de presidente do conselho de administração. Ela é filha de Nelson Tanure, que havia perdido o controle da companhia após a execução das garantias. A empresa informou que já iniciou o processo de sucessão para a posição.

Na semana passada, a agência de classificação de risco, a Fitch Ratings rebaixou a classificação local da Alliança para CCC+, de A, e alertou para cerca de R$ 155 milhões em vencimentos em 2026, principalmente relacionados a pagamentos de principal e juros de debêntures em abril e outubro.

O caixa ao fim de setembro de 2025 era insuficiente para cobrir essas obrigações de curto prazo, elevando o risco de refinanciamento da companhia.

“A companhia continuará com a implementação de medidas voltadas ao fortalecimento de sua estrutura financeira e operacional, com foco no aumento da eficiência, no ajuste de sua estrutura de capital e no reforço de sua sustentabilidade econômico-financeira”, diz o comunicado.