A Alliança Saúde informou que ajuizou uma ação cautelar em caráter antecedente na Comarca de São Paulo, que suspende cobranças e execuções. Ao mesmo tempo, iniciou um procedimento de mediação com seus credores. As medidas ocorrem em meio aos esforços da companhia para reorganizar sua estrutura financeira e criar condições mais estáveis para a condução de negociações.

De acordo com o fato revelante publicado nesta quinta-feira (19), a ação cautelar tem caráter transitório e está alinhada ao objetivo de assegurar um ambiente negocial equilibrado durante o processo de mediação, sem que haja impacto sobre a continuidade das operações.

Esse tipo de medida funciona como um instrumento jurídico de urgência, solicitado antes de um processo principal, que permite à empresa obter proteção temporária da Justiça — como a suspensão de cobranças ou execuções — enquanto negocia com credores. A iniciativa está amparada na Lei de Recuperação Judicial e Falências e no Código de Processo Civil, que autorizam intervenções rápidas para evitar deterioração da situação financeira e viabilizar acordos.

A Alliança ressaltou que suas atividades seguem normalmente, com o funcionamento regular de seu ecossistema de atendimento, que inclui clínicas e canais digitais, sem alterações na condução ordinária dos negócios.

Paralelamente, a companhia afirmou que continua avançando na implementação de medidas voltadas ao fortalecimento de sua estrutura financeira e operacional, com foco em ganho de eficiência, ajuste da estrutura de capital e reforço da sustentabilidade no médio e longo prazo. A empresa não detalhou o montante das dívidas envolvidas no processo.

Mudança de controle

O movimento ocorre após uma série de mudanças relevantes no controle e na governança da empresa ao longo do mês. No início de março, o fundo Tessai passou a deter o controle da companhia, com 59,84% do capital, após adquirir participações anteriormente ligadas ao empresário Nelson Tanure. O fundo é ligado à gestora Geribá Investimentos, especializada em situações especiais, e assumiu a posição após credores executarem garantias envolvendo ações da companhia.

A transação abriu espaço para possíveis mudanças na estrutura administrativa, incluindo a composição do conselho de administração, sujeitas às aprovações necessárias. Poucos dias depois, Isabella de Queiroz Sequeiros Tanure Corrêa renunciou ao cargo de presidente do conselho de administração por motivos pessoais. Ela é filha de Nelson Tanure, que havia perdido o controle da companhia após a execução das garantias. A empresa informou que já iniciou o processo de sucessão para a posição.

Na semana passada, a agência de classificação de risco, a Fitch Ratings rebaixou a classificação local da Alliança para CCC+, de A, e alertou para cerca de R$ 155 milhões em vencimentos em 2026, principalmente relacionados a pagamentos de principal e juros de debêntures em abril e outubro. O caixa ao fim de setembro de 2025 era insuficiente para cobrir essas obrigações de curto prazo, elevando o risco de refinanciamento da companhia.

“A companhia continuará com a implementação de medidas voltadas ao fortalecimento de sua estrutura financeira e operacional, com foco no aumento da eficiência, no ajuste de sua estrutura de capital e no reforço de sua sustentabilidade econômico-financeira”, diz o comunicado.