Segundo a companhia, a conta escrow funciona como uma espécie de garantia contratual, na qual recursos ficam depositados sob regras específicas e só podem ser movimentados em determinadas condições previamente acordadas. A Alliança afirma que os “valores foram apropriados pela Siemens” no contexto de medidas unilaterais cuja validade vem sendo questionada judicialmente.
De acordo com o comunicado, a retirada dos recursos ocorreu mesmo após a Justiça ter concedido uma medida cautelar favorável à empresa, determinando a manutenção do curso normal dos contratos.
A companhia afirma que a movimentação trouxe impactos relevantes sobre sua liquidez de curto prazo, prejudicando a capacidade de honrar compromissos financeiros, incluindo pagamentos a fornecedores e ao corpo clínico.
O cenário levou a Alliança a ingressar, em março, com uma medida cautelar em caráter antecedente, além de iniciar um procedimento de mediação com credores, como forma de proteger sua liquidez e garantir a continuidade das operações.
Apesar da decisão judicial, a Alliança afirma que a Siemens segue adotando medidas judiciais e extrajudiciais para buscar a satisfação de seus créditos de forma isolada, mesmo sem haver atraso nos pagamentos relacionados ao contrato entre as partes.
A Alliança reiterou que continua empenhada em alcançar uma solução consensual com a Siemens e demais credores, mas destacou que também está tomando todas as medidas legais cabíveis para contestar as ações da contraparte e preservar suas atividades.
Reestruturação
O episódio ocorre em meio a um processo mais amplo de reestruturação financeira da companhia, que busca reorganizar sua dívida e preservar liquidez. No fim de março, a Alliança ajuizou uma ação cautelar em caráter antecedente na Comarca de São Paulo, que suspende cobranças e execuções, ao mesmo tempo em que iniciou um procedimento de mediação com credores. A dívida líquida da empresa estava em cerca de R$ 500 milhões ao fim de setembro, segundo o resultado financeiro mais recente.
Nesse contexto, a companhia também anunciou o encerramento das negociações para a aquisição do Grupo Meddi, operação avaliada em R$ 252 milhões e considerada estratégica para a expansão no Nordeste. O distrato foi firmado de forma amigável, sem multas ou penalidades, após a conclusão das análises sobre os impactos nos contratos relacionados à transação, que havia sido submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A Alliança passou por mudanças relevantes em sua base acionária. O fundo Tessai assumiu o controle da companhia, com 59,84% do capital, após adquirir participações anteriormente ligadas ao empresário Nelson Tanure. O fundo é ligado à Geribá Investimentos, gestora especializada em situações especiais, e passou a deter a posição após a execução de garantias envolvendo ações da empresa.