A Oncoclínicas confirmou nesta terça-feira (14) o encerramento das negociações envolvendo uma potencial operação com a Porto Seguro e a Fleury, conforme fato relevante divulgado nesta data.

A operação previa a criação de uma nova empresa com as clínicas da rede, estrutura vista como uma tentativa de separar o principal ativo da companhia de seu passivo. Pelo desenho discutido, a Porto assumiria o controle da nova empresa, com um aporte de cerca de R$ 500 milhões e a possibilidade de subscrever outros R$ 500 milhões em debêntures conversíveis em ações.

O período de exclusividade previsto no termo de compromisso não vinculante (term sheet), que tratava da possível constituição de uma nova sociedade (NewCo), foi encerrado em 12 de abril. A proposta previa o aporte de ativos pela Oncoclínicas, além de investimento primário por parte da Porto e do Fleury, bem como a emissão de debêntures conversíveis em ações.

Com o fim do prazo, as três empresas optaram por não renovar a exclusividade, o que resultou no encerramento oficial das tratativas.

A administração da Oncoclínicas afirmou que seguirá avaliando alternativas estratégicas e financeiras para endereçar sua situação econômico-financeira. Entre as possibilidades estão novas propostas recebidas nas últimas semanas, que não puderam ser exploradas anteriormente devido à cláusula de exclusividade vigente.

Tutela cautelar

Em paralelo, a companhia informou que ingressou, em conjunto com afiliadas, com uma ação de tutela cautelar em caráter antecedente junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo. Os pedidos liminares ainda aguardam análise.

A tutela cautelar apresentada pela companhia inclui pedidos para suspender, de forma liminar, os efeitos de cláusulas contratuais que possam antecipar o vencimento de dívidas, além de interromper a exigibilidade de obrigações vinculadas a determinados instrumentos financeiros e instituições credoras. A medida busca preservar a estrutura financeira da empresa enquanto são avaliadas alternativas para o reequilíbrio de suas contas.

Apesar do movimento, a Oncoclínicas destacou que suas operações seguem normalmente e que mantém diálogo com credores para alcançar uma solução equilibrada para todas as partes envolvidas.

A crise da Oncoclínicas

A Oncoclínicas fechou 2025 com um prejuízo líquido consolidado de R$ 1,38 bilhão em 2025, contra lucro de R$ 106,3 milhões em 2024. O número exclui efeitos não recorrentes e parte das operações hospitalares. Pelas demonstrações financeiras auditadas, o prejuízo contábil do ano foi maior — de R$ 3,67 bilhões.