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O Santander Brasil (SANB11) divulgou os números do quarto trimestre de 2023, que decepcionaram o mercado financeiro em algumas métricas. O resultado na última linha do balanço abaixo do esperado e a rentabilidade sobre patrimônio (ROAE) aquém da média histórica do banco castigavam as ações na B3 nesta quarta-feira (31). Os papéis do banco recuavam mais de 2% por volta de 14h50.

De modo geral, na visão de especialistas, o balanço do último trimestre de 2023 foi ruim o suficiente para arrefecer o otimismo dos investidores com o banco para este ano. O problema é que a queda de 19% do lucro em relação ao período anterior, a R$ 2,204 milhões, interrompeu uma sequência longa de recuperação, explicou a Guide Investimentos, em comentário. 

Fachada vermelha do Banco Santander com logotipo e uma mulher passando em frente à agência.
Mulher passa em frente a agência do Santander no Rio de Janeiro
07/10/2009 REUTERS/Sergio Moraes

Ou seja, 2023 acabou sendo “um ano para esquecer” para o Santander Brasil, resume a XP. Afinal, o banco encerrou o ano passado no meio do caminho da retomada completa, dando um “cavalo de pau” na reta final. Além disso, essa freada brusca ocasionou o surgimento de novos obstáculos à frente, pressionando a qualidade da carteira de crédito do banco. 

“O Santander veio com uma receita abaixo do esperado, um provisionamento acima do previsto, e isso levou a um lucro bem menor”, resume Leonardo Piovesan, analista da Quantzed. Com isso, os números do quarto trimestre de 2023 mostram que a expectativa de resultados melhores e mais sustentáveis do banco vai demorar um pouco mais. 

Segundo Piovesan, ao que tudo indica, a alta de 18% do nível de provisão no confronto trimestral está relacionada ao rombo contábil da Americanas. Ele lembra que o próprio Santander cita, no balanço, um caso específico no atacado, ao passo que relatos dão conta de que o banco era um dos únicos que não tinha 100% de cobertura do crédito à varejista. 

Ressaca pós-Americanas

Ainda que o resultado tenha sido impactado por um caso específico no segmento corporativo, elevando as provisões para fortalecer a cobertura de outros devedores duvidosos, o desempenho na reta final do ano passado renova as incertezas em relação aos próximos trimestres.

“A reação negativa do mercado reflete novas preocupações em relação à pressão contínua sobre a rentabilidade. Ainda mais após um terceiro trimestre que indicava uma possível recuperação no futuro”.

Equipe de analistas do setor financeiro da XP, em relatório.

Além disso, o analista Fernando Siqueira, da Guide, avalia que o aumento das despesas e a perda de eficiência do banco devem manter os investidores receosos com o nome. Com isso, o Santander deve ter dificuldades para tirar proveito do clima mais benigno esperado para o setor bancário neste ano. 

Segundo o BB Investimentos, a queda da taxa Selic em 2024 combinada com a tendência de arrefecimento da inadimplência devem redirecionar o apetite por bancos, à medida que a renda variável tende a se beneficiar da retomada de fluxos dos estrangeiros no Brasil. 

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Preferência por outros bancões

Nesse cenário, porém, os investidores devem dar preferência por bancos com qualidade de entrega acima da média e boa previsibilidade de resultados, tornando-os capazes de capturar a melhora do quadro macroeconômico, ao mesmo tempo que se mostram resilientes na eventualidade de um cenário frustrante.

“O mix de melhoras em algumas tendências e ligeiras decepções em algumas métricas não são suficientes para mudar a recomendação para o Santander”.

Rafael Reis, analista do BB Investimentos, em relatório.

Na seleção do BB Investimentos para 2024, estão o Itaú Unibanco (ITUB4) e o BTG Pactual (BPAC11). Para o Safra, o Itaú é a escolha preferida entre os bancos, devido a resultados mais consistentes e maior expectativa de dividendos. Já a Guide prefere o Banco do Brasil (BBAS3), em detrimento ao Itaú, e inclui também o Banco ABC (ABCB4).