“Acreditamos que este processo de normalização na Venezuela levará algum tempo, mas incluirá o reconhecimento dos investidores que foram expropriados e que nunca foram indenizados, como nós”, disse em entrevista Jorge Mario Velasquez, presidente do Grupo Argos, em Medellín. “Nossa fábrica foi tomada, expropriada em 2006, e a Argos nunca foi paga pelo que foi investido”.
A repentina detenção de Maduro está alimentando o otimismo entre as maiores empresas da Colômbia, que antes tinham grandes negócios com a vizinha Venezuela, que costumava ser um dos principais parceiros comerciais do país.
As exportações colombianas para a Venezuela atingiram o pico em 2008, com US$ 6,1 bilhões, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, mas despencaram para apenas US$ 320 milhões em 2017, à medida que a economia rica em petróleo entrou em colapso devido à má gestão e à ampla intervenção do Estado.
Ainda assim, muitos obstáculos permanecem, desde preocupações com a segurança até a implementação de um arcabouço que possa garantir o investimento privado na Venezuela. Velasquez disse que os executivos da Argos ainda não planejaram uma viagem a Caracas, mas pretendem fazê-lo.
Ele disse estar particularmente encorajado pela defesa, por parte do presidente americano Donald Trump, dos direitos de empresas petrolíferas estrangeiras que foram expropriadas durante os governos socialistas de Maduro e seu antecessor Hugo Chávez. Ele espera que a mensagem de Trump se estenda a outros setores.
“Construímos a indústria de petróleo da Venezuela com talento, empenho e habilidade americanos, e o regime socialista roubou isso de nós durante as administrações anteriores, e a roubou por meio da força”, disse Trump pouco depois da captura de Maduro, em 3 de janeiro. Maduro agora enfrenta acusações criminais em um tribunal federal de Nova York por narcoterrorismo. Ele se declarou inocente.
A Argos construiu sua fábrica de cimento na Venezuela em 1998, ano em que Chávez foi eleito presidente pela primeira vez, com um investimento total de cerca de US$ 350 milhões, disse Velazquez. A planta tinha capacidade para processar 750.000 toneladas de cimento por ano.
Outro ponto positivo, disse Velasquez, é que um país que enfrentou baixos investimentos em infraestrutura nas últimas décadas tende a demandar mais cimento, o que pode significar uma rápida expansão dos negócios para produtores como a Argos.
“O fato de termos construído essa posição na Venezuela é uma vantagem, claro”, disse Velasquez. “Conhecemos muito bem a indústria de cimento venezuelana porque operamos lá por décadas. Esse é um conhecimento muito importante do mercado e provavelmente poderemos tirar proveito dele.”