Movimento ocorreu após alertas de que o avanço das importações norte-americanas. REUTERS/Kham

Os preços do cobre devem despencar nos próximos meses, segundo o BNP Paribas, à medida que a corrida global para exportar o metal para os EUA — antecipando possíveis tarifas — chega ao fim.

Nesta semana, o cobre atingiu o maior patamar em nove meses na Bolsa de Metais de Londres (LME), ultrapassando US$ 10 mil por tonelada.

O movimento ocorreu após alertas de que o avanço das importações norte-americanas, em meio à ameaça de tarifas propostas pelo presidente Donald Trump, poderia deixar o resto do mundo com escassez crítica do metal.

No entanto, os preços recuaram após a Bloomberg reportar que o governo dos EUA planeja impor tarifas sobre importações de cobre em semanas, e não em meses, como muitos esperavam.

Com a possível implementação acelerada, os traders teriam menos tempo para desviar cargas para os EUA — e o BNP projeta uma queda para US$ 8,5 mil por tonelada até o fim do segundo trimestre, conforme a demanda americana se enfraquece.

“Acreditamos que as tarifas vão acabar com a distorção atual nos preços do cobre, permitindo que o mercado foque no impacto negativo das políticas comerciais dos EUA sobre a demanda”, afirmou David Wilson, estrategista sênior de commodities do BNP Paribas, em nota. “Esperamos um colapso nos preços no segundo trimestre de 2025.”

As commodities têm enfrentado turbulência este ano devido às tarifas impostas pelos EUA e à expectativa de novas restrições, incluindo anúncios previstos para a próxima semana. Trump também ordenou uma investigação sobre os fluxos de cobre, incentivando traders a acelerar envios para o país.

Mas, com o prazo para as tarifas encurtando, analistas já revisam para baixo suas projeções de preço, diante do temor de queda na demanda.

O BNP Paribas reduziu sua estimativa de crescimento no consumo global do cobre em 2025 — de 3,1% para 2,3% — e agora projeta um excedente de 460 mil toneladas, ante 124 mil toneladas na previsão anterior.

“É economia básica: menos comércio global significa menos crescimento global”, escreveu Wilson. “Esse é o fator que nos leva a aumentar nossa expectativa de superávit no mercado de cobre.”

Às 15h38 (horário local), o cobre recuava 0,2%, cotado a US$ 9.827,50 por tonelada na LME, após atingir o valor mais alto desde junho na quarta-feira.

Em outros metais, o estanho subiu até 3,9% após um terremoto de 7,7 graus atingir Mianmar, um dos maiores produtores mundiais.

Codelco segue no topo; BHP segue de perto

Enquanto os preços continuam altos, quem mais ganha é a chilena Codelco. A mineradora manteve sua posição como maior produtora global de cobre em 2024, superando por uma estreita margem a gigante australiana BHP.

Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (28), a estatal chilena produziu 1,44 milhão de toneladas no ano passado — incluindo sua participação em minas operadas por terceiros. Já a BHP, com base em estimativas da Bloomberg Intelligence, registrou 1,43 milhão de toneladas (a própria empresa reportou um número ligeiramente menor).

O resultado da Codelco representa uma leve recuperação em relação ao piso de 25 anos atingido em 2023, impulsionado em parte pela aquisição de 10% da mina Quebrada Blanca, controlada pela Teck Resources.

Sob o comando do CEO Ruben Alvarado, a empresa passou por reestruturações e busca concluir projetos atrasados e com custos acima do previsto — essenciais para acessar reservas mais ricas em suas minas envelhecidas, após décadas de subinvestimento. A meta para 2025 é extrair entre 1,37 e 1,4 milhão de toneladas em suas próprias operações, ante 1,33 milhão no ano passado.

Do outro lado, a BHP — que em 2024 se beneficiou do aumento da produção na Escondida, maior mina de cobre do mundo — prepara um investimento de US$ 10,8 bilhões para modernizar suas operações no Chile. A estratégia visa elevar a produção média para 1,4 milhão de toneladas anuais na próxima década no país. Sem os investimentos, a projeção cairia para cerca de 900 mil toneladas.

A disputa pelo topo do ranking global de cobre promete se acirrar nos próximos anos, com ambas as mineradoras correndo contra o tempo para revitalizar ativos e atender à demanda crescente por metais essenciais à transição energética.