No acordo, o Bradesco BBI dará saída aos fundadores da LM, liderados pelo empresário baiano Luiz Mendonça Filho, ficando com 40% do capital da companhia por meio de ações preferenciais e sem mudança de controle. A Simple Way, empresa ligada à Volks e atual sócia majoritária da LM, tem a totalidade das ações ordinárias e segue no comando da operação.
O banco afirmou que vê o negócio como uma “oportunidade de investimento”. A LM atua na gestão e terceirização de frotas corporativas, locação de veículos para motoristas de aplicativo e planos por assinatura, além da venda de carros seminovos ao fim do ciclo de uso.
Esse tipo de operação ganhou relevância nos últimos anos à medida que o setor automotivo passou a migrar de um modelo centrado na propriedade para outro baseado em serviços.
No caso da Volkswagen, esse movimento é liderado pela Volkswagen Financial Services (VWFS), braço financeiro do grupo, que vem estruturando uma plataforma de mobilidade integrada, como mostrou o InvestNews.
A estratégia envolve combinar financiamento, seguros, consórcios, assinatura de veículos e gestão de frotas em um mesmo ecossistema, com o objetivo de aumentar a recorrência e a fidelidade dos clientes. “Vejo um futuro muito mais baseado em financiamento e em serviço do que no modelo antigo de propriedade”, disse recentemente o CEO da VWFS para o Brasil e América do Sul, Rodrigo Capuruço.
Dentro desse contexto, a LM funciona como um braço operacional relevante, especialmente na administração de frotas e na oferta de veículos por assinatura. Nos últimos meses, esse segmento tem ganhado tração: o programa de assinatura da Volkswagen já responde por algo entre 10% e 14% das vendas da marca, com cerca de 2.500 novos contratos por mês.
A relação entre o banco e a empresa não é inédita. O Bradesco BBI já atuou como coordenador em emissões de debêntures da LM, incluindo uma captação de cerca de R$ 1,25 bilhão — um histórico que sugere conhecimento próximo do ativo e ajuda a explicar o avanço para uma posição societária.