Siga nossas redes

Negócios

Cade aprova compra de operação da Embraer pela Boeing sem restrições

Publicado

em

Embraer

Por Estadão Conteúdo

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou na segunda-feira, 27, a compra de parte da Embraer pela Boeing, um negócio de US$ 4,2 bilhões que foi anunciado pelas companhias em julho de 2018. A operação foi aprovada sem restrições.

O órgão avaliou que o negócio não representa riscos à concorrência porque as empresas não atuam nos mesmos mercados. A compra da Embraer pela Boeing já foi aprovada por autoridades antitruste dos Estados Unidos e da China, mas espera aval da União Europeia.

“Não identificamos nenhum problema concorrencial apesar de a operação tirar um player de um mercado relevante, que é o de aviões de 100 a 150 passageiros”, disse ao jornal O Estado de São Paulo/Broadcast o superintendente-geral do Cade, Alexandre Cordeiro. “A Embraer tem uma característica de complementariedade com a Boeing, e não de rivalidade, porque os aviões da Boeing não se adequam ao mercado regional e de médio porte.”

A operação foi aprovada pela Superintendência-Geral do Cade. A decisão, nesse caso, foi definitiva, mas pode ser analisada novamente se um conselheiro decidir reabrir o processo no tribunal do Cade. Nesse caso, o tribunal tem de aprovar a reanálise por maioria. Terceiros interessados também podem, em 15 dias, apresentar recursos, mas, nesse caso, não há empresa ou associação inscrita como interessado.

Dois acordos

O Cade avaliou, na realidade, duas transações: a aquisição pela Boeing de 80% da operação comercial da Embraer, que inclui a produção de aeronaves regionais e comerciais de grande porte, e a criação de uma joint venture entre Boeing e Embraer para a produção da aeronave de transporte militar KC-390 (operação de defesa).

No caso da operação comercial, o Cade entendeu que a ampliação do portfólio da Boeing deve aumentar sua capacidade de competir com a líder de mercado Airbus e que a operação não afeta negativamente os níveis de rivalidade existentes no mercado atual.

Antes do negócio entre a Embraer e a Boeing, que se concentra em jatos comerciais de médio porte, a europeia Airbus havia feito um acordo com a canadense Bombardier – principal rival da Embraer – focada nesse mesmo mercado.

No acordo relacionado à operação de defesa, o órgão entendeu que não existe possibilidade de exercício de poder de mercado, já que a operação não representa uma união de todo o portfólio de aeronaves militares das duas empresas, mas a participação conjunta em um projeto específico.

O Cade concluiu ainda que a operação será positiva para a Embraer, que passará a contar com maior cooperação tecnológica e comercial da Boeing. “Na visão do Cade, a operação gera benefícios para a Embraer e para a competição porque tem eficiência, economia de escala e de escopo e a Embraer se torna uma parceira estratégica da Boeing com possibilidade de alcançar mercados que antes não alcançava”, completou Cordeiro.

O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, disse que a aprovação do acordo pelo Cade demonstra que a parceria entre as empresas é benéfica à competição. “A decisão não apenas beneficiará nossos clientes, mas também permitirá o crescimento da Embraer e da indústria aeronáutica brasileira como um todo”, declarou, via assessoria de imprensa.

Já Marc Allen, executivo da Boeing e presidente da parceria com a Embraer, afirmou que a aprovação “é outra validação por parte das agências reguladoras globais de nossa parceria, que, como consistentemente afirmamos, trará maior competitividade ao mercado de jatos regionais”.

Fases

O acordo entre as duas aéreas só foi notificado ao Cade em outubro do ano passado, mais de um ano depois do anúncio da transação. Em maio de 2019, a Boeing anunciou que a empresa resultante da compra dos 80% da divisão comercial da Embraer se chamará Boeing Brasil – Commercial.

O governo brasileiro detinha uma “golden share”, ação especial que lhe dava o poder de veto sobre a operação. No entanto, o governo de Jair Bolsonaro deu seu aval ao negócio logo no início do mandato, em 2019.

A marca Embraer continuará existindo, mas ficará restrita aos segmentos de aviação executiva e de defesa, que não foram incluídos no acordo com a americana. Pelo acordo fechado com a Boeing, os 20% que a brasileira continuará a ter na nova companhia não serão refletidos em um assento no conselho do novo negócio.

Mantenha seu padrão de vida mesmo depois de aposentar. Invista na Previdência Privada Easynvest!

Anúncio Patrocinado Não corra o risco de faltar dinheiro lá na frente. Não corra o risco de faltar dinheiro lá na frente.

O InvestNews é um canal de conteúdo multiplataforma que oferece a cobertura diária de notícias e análises sobre economia, investimentos, finanças, mercado financeiro, educação financeira, projeções, política monetária e econômica. Tudo o que mexe com o seu dinheiro você encontra aqui, com uma linguagem simples e descomplicada sobre o mundo da economia e dos investimentos.