O banco planeja comprar a Brex, que é de capital fechado, com uma estrutura de aproximadamente 50% em dinheiro e 50% em ações, informou a Capital One, sediada em McLean, na Virgínia, em comunicado divulgado na quinta-feira (22) junto com seus resultados do quarto trimestre.
O negócio será o maior da Capital One desde a aquisição da Discover Financial Services, no valor aproximado de US$ 35 bilhões (R$ 185,5 bilhões), concluída no ano passado e que criou o maior emissor de cartões de crédito dos Estados Unidos.
“Desde a nossa fundação, buscamos construir uma empresa de pagamentos na fronteira da revolução tecnológica”, disse Richard Fairbank, diretor-presidente da Capital One, em comunicado posterior. “A aquisição da Brex acelera essa jornada, especialmente no mercado de pagamentos empresariais.”
As ações da Capital One caíram 3,1%, para US$ 227,75 (R$ 1.207,00), no after-market em Nova York às 18h27.
O lucro líquido do quarto trimestre quase dobrou em relação ao ano anterior, alcançando US$ 2,13 bilhões (R$ 11,3 bilhões), ou US$ 3,26 por ação (R$ 17,30), informou o banco. O lucro ajustado por ação foi de US$ 3,86 (R$ 20,50), abaixo da estimativa média de US$ 4,15 (R$ 22,00) dos analistas consultados pela Bloomberg.
As provisões para perdas com crédito aumentaram 57% em relação ao ano anterior, para US$ 4,14 bilhões (R$ 22,0 bilhões).
A receita líquida de juros com cartões de crédito disparou 64%, chegando a US$ 9,48 bilhões (R$ 50,2 bilhões). Essa linha de resultado, no entanto, enfrenta pressão do presidente Donald Trump, que no início deste mês exigiu que os bancos limitem as taxas de juros a 10% por um ano. Nesta semana, em Davos, na Suíça, Trump afirmou que pedirá ao Congresso que implemente a proposta.
Fairbank afirmou que um teto desse tipo tornaria o crédito menos disponível e poderia empurrar a economia dos Estados Unidos para uma recessão.
“Uma contração relevante na oferta de crédito provavelmente causaria múltiplos choques em toda a economia”, disse ele durante uma teleconferência.
Enquanto isso, Bank of America e Citigroup Inc. estão avaliando opções que esperam apaziguar o presidente, informou a Bloomberg mais cedo na quinta-feira.
A Capital One disse que espera concluir a aquisição da Brex, sediada em San Francisco, em meados deste ano, e que Pedro Franceschi, CEO da fintech, continuará à frente do negócio. A Brex atingiu uma avaliação máxima de US$ 12,3 bilhões (R$ 65,2 bilhões) em janeiro de 2022 e chegou a considerar uma oferta pública inicial (IPO) no ano passado.
“Quando se observam os múltiplos de empresas semelhantes à Brex que hoje são negociadas em mercados públicos, este é um prêmio muito elevado em relação a eles”, disse Franceschi em entrevista após o anúncio do acordo.
O Bank of America atuou como assessor financeiro da Capital One, e o escritório Wachtell, Lipton, Rosen & Katz foi o assessor jurídico do banco, com a Baker McKenzie “prestando assessoria em determinadas questões jurídicas internacionais”, segundo o segundo comunicado. A Centerview Partners foi a assessora financeira da Brex, enquanto a fintech recebeu assessoria jurídica dos escritórios Wilson Sonsini, Simpson Thacher e Skadden Arps.