Depois de anunciar seus produtos no Mercado Livre, a Casas Bahia começou a vender produtos no marketplace da Amazon no Brasil, aprofundando uma estratégia de usar plataformas de terceiros para ampliar a distribuição do seu estoque próprio em um momento em que a companhia vem reduzindo o peso do online próprio e concentrando sua oferta digital nas categorias centrais do negócio.

A partir desta segunda-feira, 23 de março, a varejista passa a oferecer milhares de itens na Amazon.com.br, incluindo televisores, smartphones, informática, móveis Bartira e produtos de casa e cozinha. Em uma segunda fase, a logística da Casas Bahia será integrada à rede da Amazon, tornando seus produtos elegíveis ao selo Prime.

O movimento segue uma trilha que começou a ganhar forma no varejo brasileiro com o Magazine Luiza, que fechou em 2024 uma parceria com o AliExpress. Em entrevista ao InvestNews sobre o resultado da varejista no quarto trimestre, o CFO do Magalu, Roberto Belissimo, disse que aquele acordo foi visto desde o início como uma operação de “ganha-ganha”, ao permitir que a empresa vendesse mais produtos do seu estoque em um novo canal, ao mesmo tempo em que ampliava o sortimento oferecido aos seus clientes com itens de tíquete mais baixo.

Segundo Belissimo, esse tipo de parceria só faz sentido quando atende a duas condições: rentabilidade e reciprocidade. No caso do AliExpress, afirmou o executivo, o Magalu passou a faturar mais vendendo seus produtos na plataforma parceira do que no fluxo inverso, em que itens do AliExpress são ofertados no ecossistema do grupo brasileiro.

Amazon, Mercado Livre e on-line especializado

Na Casas Bahia, a aposta em marketplaces de terceiros já havia começado com o Mercado Livre, onde a operação teve início em novembro de 2025. Na teleconferência de resultados do quarto trimestre, o CEO Renato Franklin disse que a parceria ajudou a acelerar em mais de 20% o canal online no período. Embora ainda represente menos de 5% das vendas brutas (GMV, na sigla em inglês) totais da companhia, a operação, segundo ele, já tem margem de contribuição positiva e rentabilidade em linha com a média dos canais digitais.

Renato Franklin, CEO das Casas Bahia Foto: Divulgação
Renato Franklin, CEO das Casas Bahia (Foto: Divulgação)

A nova frente ganha relevância porque a varejista enxugou seu e-commerce próprio nos últimos anos. Hoje, a venda direta online da Casas Bahia está mais concentrada em linha branca, televisores, celulares e móveis, enquanto o marketplace da empresa ficou mais restrito e mais aderente às categorias em que a companhia atua. É uma mudança em relação ao passado, quando o site chegou a reunir uma variedade mais ampla de itens, como fraldas e até uísque.

Nesse contexto, entrar em grandes plataformas como Mercado Livre e Amazon aparece como uma forma de ampliar alcance sem voltar ao modelo de sortimento excessivamente aberto dentro de casa. Segundo o CEO da Casas Bahia, a companhia expande canais de distribuição mantendo controle sobre sortimento, preço e experiência do cliente, apoiada na própria logística como diferencial competitivo.

A experiência recente com o Mercado Livre também reforçou essa tese. Segundo a Casas Bahia, a operação ajudou a atrair novos clientes, melhorar o giro de estoques e ampliar a venda de itens menos concentrados em poucas versões de produtos (SKUs, no termo técnico).

@investnewsbr

A Casas Bahia, que já foi um símbolo do varejo brasileiro, estava à beira do colapso, mas agora tem novos donos, com novos planos. #casasbahia #varejo

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