A Votorantim acertou nesta quinta-feira (29) a venda do controle da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para um consórcio formado pela chinesa Aluminum Corporation of China Limited (Chalco) e pela anglo-australiana Rio Tinto. Pela sua fatia de 68,6% na CBA, a Votorantim irá receber R$ 4,69 bilhões.

Além disso, os compradores se comprometem a realizar uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) para os acionistas minoritários, conforme exigido pela legislação brasileira. Com isso, o desembolso da joint venture Chinalco e Rio Tinto será da ordem de R$ 6,8 bilhões.

Considerando as dívidas a serem assumidas, o negócio total será de R$ 10,7 bilhões.

Segundo fato relevante divulgado há pouco, o preço por ação está fixado em R$ 10,50, sujeito a ajustes com base no CDI e em eventuais distribuições de lucros realizadas pela companhia.

O fechamento da operação ainda depende de aprovações regulatórias em vários países, incluindo Brasil, China, Alemanha, Coreia do Sul e Uruguai.

Nova visão

A Companhia Brasileira de Alumínio foi uma das bases da formação do grupo Votorantim que conhecemos hoje. Foi a primeira empresa que Antônio Ermírio de Moraes, ainda na década de 1950, assumiu no conglomerado criado pelo seu avó. A CBA sempre foi apontada como a queridinha do “doutor Antônio”.

Mas, com a morte do líder do clã, em agosto de 2014, a família Ermírio de Moraes passou a buscar negócios mais previsíveis financeiramente e menos dependente de ciclos, o que ajuda a explicar a venda da CBA.

Tarugo de alumínio produzido pela CBA
Tarugo de alumínio produzido pela CBA (Divulgação)

Um grande exemplo desta mudança foram as aquisições de participações relevantes na concessionária Motiva (antiga CCR) e na farmacêutica Hypera, como disse o CEO da Votorantim, João Schimidt, em entrevista concedida ao InvestNews no ano passado.

Com produção integrada da bauxita ao alumínio, a CBA é a maior da América Latina, mas o capex exigido e um mercado em desaceleração levou a Votorantim a rever a presença da companhia em seu portfólio.

Além disso, o elevado endividamento da CBA, de 3 vezes a dívida líquida pelo lucro operacional (Ebitda), contribuiu para a negociação com Chinalco e Rio Tinto. Desde meados de 2024 a Votorantim estava em busca de investidores dispostos a investir ou comprar o ativo.

No início de dezembro, a Votorantim também vendeu uma participação na Citrosuco, produtora de outra commodity, o suco de laranja, para o fundo de pensão canadense PSP por quantia não revelada. Com isso, PSP, Votorantim e o Grupo Fischer.