A aquisição de US$ 2,8 bilhões da Serra Verde, do Brasil, pela USA Rare Earth é um passo em direção à independência dos Estados Unidos em relação à China no fornecimento de metais de terras raras, disse a diretora-presidente Barbara Humpton.

“Estamos apenas no começo disso”, disse Humpton na quarta-feira, no programa semanal Bloomberg Deals.

“A China definiu isso como objetivo há décadas”, afirmou Humpton. “Eles declararam que o Oriente Médio tem petróleo, a China tem terras raras, e agora vimos como esse monopólio tem sido usado como instrumento de política estatal.”

A USA Rare Earth está pagando US$ 300 milhões em dinheiro e emitindo cerca de 126,8 milhões de ações para adquirir a Serra Verde, que possui a única mina de terras raras em operação no Brasil. A transação ocorre enquanto os Estados Unidos e seus aliados correm para garantir fontes alternativas desses elementos, um mercado há muito dominado pela China. Esses minerais são usados em ímãs de alta resistência empregados em eletrônicos de consumo, automóveis e sistemas de defesa.

Virada significativa

A operação com a Serra Verde representa uma virada significativa para a USA Rare Earth, que não tem minas em operação, mas rapidamente avançou para negócios avaliados em bilhões de dólares.

A empresa, sediada em Oklahoma, assinou em janeiro um acordo não vinculante com o Departamento de Comércio dos EUA para US$ 1,6 bilhão em financiamento, destinado a apoiar investimentos em mineração, processamento e fabricação de ímãs.

A USA Rare Earth aposta que a aquisição da Serra Verde ajudará a construir uma plataforma totalmente integrada, que vai da mineração à separação, metalização e fabricação de ímãs. A empresa brasileira opera um grande depósito de argila iônica capaz de produzir terras raras essenciais para ímãs, incluindo elementos pesados mais escassos.

Humpton afirmou que a empresa planeja aumentar a produção doméstica, com operações de mineração no Texas, uma unidade de separação no Colorado e uma fábrica de ímãs em Stillwater, Oklahoma. Segundo ela, a companhia busca crescer de forma orgânica ao longo da cadeia de valor, beneficiando-se da demanda de fabricantes de ímãs em busca de fornecimento confiável.