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CPFL Energia é favorita em privatização da CEEE-D, dizem especialistas

Leilão também deve atrair a Equatorial Energia, segundo expectativas do mercado.

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A CPFL Energia, controlada pela chinesa State Grid, tem sido vista como grande favorita no leilão de privatização da distribuidora de energia CEEE-D, agendado para quarta-feira (31) pelo governo do Rio Grande do Sul, disseram especialistas à Reuters.

A licitação, com sessão pública prevista para a partir das 8h, também deve atrair a Equatorial Energia, segundo expectativas do mercado, enquanto outras empresas que tradicionalmente miram a compra de ativos de distribuição parecem ocupadas com aquisições recentes.

A principal vantagem da CPFL é já possuir operações de distribuição no Rio Grande do Sul, o que reduz custos e torna o grupo mais competitivo na disputa pela CEEE-D, disse o analista de utilities da corretora Genial Investimentos, Vitor Sousa.

“A CPFL é o nome mais óbvio. Na distribuição, quando você compra um ativo e ele está próximo geograficamente, você pode compartilhar centro de custos, equipes de operação e manutenção, e, claro, ter maior escala na aquisição de insumos, materiais.”

A CPFL controla quatro distribuidoras, três no Estado de São Paulo e a gaúcha RGE, e tem demonstrado interesse em crescer.

O último movimento da companhia para expansão no setor de distribuição, em 2016, envolveu justamente a compra de uma empresa no Rio Grande do Sul, a AES Sul, depois incorporada à RGE, destacou o consultor Ricardo Lima, da Tempo Presente.

Isso, segundo ele, mostra que um avanço para a área atendida pela CEEE-D é um sonho antigo da CPFL, desde antes de sua aquisição pela chinesa State Grid em operação concluída em 2017.

“Acho que a CPFL vai com tudo nisso, para tentar unificar as três empresas de novo. Tem uma sinergia absurda”, afirmou Lima, que vê espaço para ágio na disputa pela elétrica gaúcha. “Creio que eles vão ser agressivos nisso, não vão perder essa chance.”

Possíveis competidores

A Equatorial, por sua vez, é vista como possível concorrente devido à sua especialização em recuperar distribuidoras em dificuldades técnicas e financeiras –como é o caso da CEEE-D, que teve o preço mínimo de venda fixado em 50 mil reais pelo governo estadual devido a passivos bilionários.

“A Equatorial pode, sim, ser um player importante, mas acho acima de tudo a CPFL a grande favorita”, disse o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ, Nivalde de Castro.

Ele lembrou que outros grupos fortes em distribuição no Brasil, como a italiana Enel, os espanhóis da Iberdrola e a local Energisa se envolveram em grandes negócios recentes, enquanto a portuguesa EDP tem focado na área de distribuição uma possível oportunidade de compra futura da estatal catarinense Celesc, na qual já tem participação relevante.

“Então não sobram muitos players para essa competição.”

A Enel adquiriu duas grandes distribuidoras no Brasil nos últimos anos –a Celg, de Goiás, em 2016, e a Eletropaulo, na região metropolitana de São Paulo, em 2018.

A Energisa venceu disputas em leilões pela privatização de distribuidoras da Eletrobras em Rondônia e Acre em 2018.

Já a Neoenergia, da Iberdrola, levou em dezembro passado a CEB-D, desestatizada pelo Distrito Federal. A companhia saiu vitoriosa, inclusive, após acirrada disputa com a CPFL em lances viva-voz, ao se dispor a pagar 2,5 bilhões de reais pelo ativo.

Contagem regressiva

Até o momento, o leilão da CEEE-D atraiu interesse de CPFL e Equatorial, além de um fundo de investimento norte-americano, embora esse último tenha enfrentado algumas dificuldades relacionadas a documentação, que ainda busca resolver, disse à Reuters uma fonte com conhecimento da preparação do certame.

Interessados tinham até sexta-feira para entregar ofertas iniciais pela CEEE-D, e houve ao menos uma proposta, garantindo o pregão, acrescentou a fonte, que falou sob anonimato.

Até a quarta-feira, o leilão pode ser alvo de novas ações judiciais, o evento chegou a ser suspenso por duas diferentes liminares somente neste mês, mas é difícil que tais iniciativas prosperem a ponto de inviabilizar a privatização, disse o sócio do Lefosse Advogados, Raphael Gomes.

“Há o risco iminente, algumas partes já devem ter estratégias para novas ações judiciais com a proximidade do pregão, mas pelas decisões o processo parece bem desenhado e seguiu os trâmites legais. Certamente os assessores, consultores e BNDES estão preparados para responder.”

A CEEE-D acumulava, em junho de 2020, R$ 3,38 bilhões em dívidas por ICMS junto ao governo estadual, resultando em patrimônio negativo de R$ 4,8 bilhões.

Para viabilizar a privatização, além de definir um preço baixo pela empresa, o governo gaúcho aprovou a transferência de dívidas e passivos da companhia e realizou um aumento de capital bilionário.

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