A Westwing informou nesta terça-feira (20) que a Mastercard Brasil, operação brasileira da empresa de cartões de crédito, passou a deter 3,5 milhões de ações da empresa, representando 31,9% do capital social.

Não se trata de uma compra. O movimento aconteceu devido a uma execução de alienação fiduciária. Ou seja: ações da Westwing, uma rede de lojas de utensílios domésticos, ficaram como garantia em alguma operação junto à Mastercard, não especificada pela companhia de cartões de crédito. Essa garantia, agora, foi executada.

E o devedor é o Will Bank, instituição do Banco Master, de Daniel Vorcaro – que seria liquidada na manhã de quarta (20). A Westwing tinha entre seus maiores acionistas a WNT Capital, conhecida por ligações com o Master, com 39%, e a Oikos Fundo de Investimentos, com 25% e a Trustee, com 5,64%.

Fundos geridos pela WNT pertenciam a empresas ligadas a Daniel Vorcaro. As ações de posse dessas empresas, então, foram dadas como garantia em operações do Will Bank junto à operadora de cartões de crédito – que bandeirava cartões do banco.

A Mastercard já tinha informado, mais cedo, que não aceitava mais cartões emitidos pelo Will Bank, por falta de pagamento.

Por conta disso, então, a garantia foi executada. A Mastercard explicou em nota (ainda que sem citar o Will Bank), em uma nota enviada ao InvestNews na noite de terça (20): “Como parte de suas atividades de gestão de risco enquanto arranjo de pagamentos regulado, a Mastercard mantém diferentes tipos de garantias de seus participantes, que podem incluir ativos como ações. Essas garantias têm como finalidade exclusiva assegurar o cumprimento de obrigações de pagamento por parte dos emissores em caso de inadimplemento”.

A participação da Mastercard na Westwing, de qualquer forma, será passageira. A Mastercard afirma que irá vender as ações. A companhia diz que não pretende manter participação acionária na Westwing nem exercer direitos políticos relacionados a essas ações enquanto realiza a venda.

A varejista de decoração e móveis chegou à Bolsa em 2021, quando diversas empresas aproveitaram a janela de aberturas. A operação, no entanto, vive um momento complexo.

A receita líquida da companhia cai 14,9% de janeiro a setembro, para R$ 105,02 milhões. O prejuízo líquido, porém, recuou 57% nesse período, para R$ 9,51 milhões.