A Westwing informou nesta terça-feira (20) que a Mastercard Brasil, operação brasileira da empresa de cartões de crédito, passou a deter 3,5 milhões de ações da empresa, representando 31,9% do capital social.

Não se trata de uma compra. O movimento aconteceu devido a uma execução de alienação fiduciária. Ou seja: ações da Westwing, uma rede de lojas de utensílios domésticos, ficaram como garantia em alguma operação junto à Mastercard, não especificada pela companhia de cartões de crédito. Essa garantia, agora, foi executada.

De acordo com o Valor, no entanto, o devedor é o Will Bank, instituição do Banco Master, de Daniel Vorcaro. A Westwing tinha entre seus maiores acionistas a WNT Capital, conhecida por ligações com o Master, com 39%, e a Oikos Fundo de Investimentos, com 25% e a Trustee, com 5,64%.

Procurada pelo InvestNews, a WNT disse que não geria mais fundos do Master desde 2024. De acordo com o Valor, porém, fundos geridos pela WNT pertenciam a empresas ligadas ao banco de Vorcaro. E foram dadas como garantia em operações do Will Bank junto à operadora de cartões de crédito – que bandeirava cartões do banco.

A Mastercard já tinha informado, antes da execução da garantia, que não aceitava mais cartões emitidos pelo Will Bank. Ela não diz que a execução da garantia está ligada ao bando de Vorcaro.

Mas também não cita outro devedor: “Como parte de suas atividades de gestão de risco enquanto arranjo de pagamentos regulado, a Mastercard mantém diferentes tipos de garantias de seus participantes, que podem incluir ativos como ações. Essas garantias têm como finalidade exclusiva assegurar o cumprimento de obrigações de pagamento por parte dos emissores em caso de inadimplemento”, disse a Mastercard em comunicado enviado ao InvestNews.

A participação da Mastercard na Westwing, de qualquer forma, será passageira. A Mastercard afirma que irá vender as ações. A companhia diz que não pretende manter participação acionária na Westwing nem exercer direitos políticos relacionados a essas ações enquanto realiza a venda.

A varejista de decoração e móveis chegou à Bolsa em 2021, quando diversas empresas aproveitaram a janela de aberturas. A operação, no entanto, vive um momento complexo.

A receita líquida da companhia cai 14,9% de janeiro a setembro, para R$ 105,02 milhões. O prejuízo líquido, porém, recuou 57% nesse período, para R$ 9,51 milhões.