A gigante farmacêutica Eli Lilly, por exemplo, acaba de firmar um acordo de desenvolvimento de medicamentos com uso de inteligência artificial com a chinesa Insilico Medicine que pode alcançar até US$ 2,75 bilhões.
Pelos termos do contrato, anunciado neste domingo (29), a Insilico receberá US$ 115 milhões em pagamentos iniciais, com a possibilidade de atingir até US$ 2,75 bilhões conforme o cumprimento de metas, além de royalties escalonados sobre futuras vendas.
Em contrapartida, a Lilly terá direitos exclusivos globais para desenvolver e comercializar os medicamentos resultantes da parceria.
A Insilico, listada em Hong Kong, é considerada uma das mais avançadas no uso de inteligência artificial aplicada à descoberta de fármacos, com modelos que cobrem praticamente todo o processo de desenvolvimento de medicamentos.
O acordo surge de uma visão estratégica: a Lilly busca construir um novo portfólio de produtos que sustente sua próxima fase de crescimento.
“O desafio agora é encontrar um novo ciclo de sucesso antes que o atual se esgote — de preferência, bem antes disso — e ganhar tração novamente”, afirmou o CEO da Lilly, Dave Ricks, em janeiro. “Podemos descobrir mais sobre biotecnologia usando IA? Esse seria, de fato, o Santo Graal.”
Remédios de IA já estão em testes clínicos
Em 2026, esse novo campo do setor de medicamentos, apelidado de Techbio, pode atingir um ponto de maturidade clínica.
Várias empresas tem investido em novos produtos quase que inteiramente gerados por algoritmos. Muitos já estão em fase de testes para futura comercialização.
A própria Insilico Medicine desenvolveu o primeiro medicamento totalmente desenhado por IA: o ISM001-055, criado para tratar a Fibrose Pulmonar Idiopática (IPF). O fármaco já está em fase de ensaios clínicos. Em 2026, antes da Lilly, a empresa expandiu sua colaboração com a gigante Servier em um negócio de US$ 888 milhões para focar em novos tratamentos de oncologia.
O grande desenvolvimento de 2026 é a criação de laboratórios agênticos. São laboratórios robóticos integrados às IAs que não apenas desenvolvem as moléculas matematicamente, mas as sintetizam e testam fisicamente de forma autônoma durante 24 horas por dia, sem intervenção humana.